O ex-atacante Reinaldo, ídolo do Atlético Mineiro, foi oficialmente anistiado pelo Conselho de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). A decisão foi unânime e reconheceu que o ídolo do Atlético Mineiro sofreu perseguição política durante a ditura militar no Brasil, entre 1964 e 1985.

Além do pedido formal de perdão do Estado brasileiro, Reinaldo receberá indenização de R$ 100.000, em pagamento único. Em pronunciamento após a decisão, o ex-jogador se emocionou ao relatar os impactos da repressão em sua vida profissional e pessoal.

Reinaldo e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo — Clarice Castro/MDHC

Reinaldo e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo — Clarice Castro/MDHC

“Talvez muitos conheçam apenas minha trajetória nos campos, mas poucos saibam da luta silenciosa que enfrentei fora deles. A ditadura não se limitou à tortura e às prisões. Houve campanhas de difamação, operações para destruir reputações e eliminar socialmente aqueles considerados inimigos”, afirmou.

Segundo Reinaldo, a perseguição ultrapassou a esfera física. “Queriam calar minha voz, diminuir minha força, e isso acabou atingindo diretamente minha carreira. Essa violência contra a honra, a imagem e a dignidade também destrói por dentro e deixa marcas duradouras”, completou.

Ídolo do Galo, o ex-atacante defendeu o clube mineiro por mais de dez temporadas. Pelo Atlético, conquistou oito títulos do Campeonato Mineiro e foi artilheiro de várias edições da competição.

Reinaldo eternizou sua comemoração com punhos cerrados

Reinaldo eternizou sua comemoração com o punho cerrado, em 2021 – Guilherme Azevedo / PLACAR

Pela seleção brasileira, disputou a Copa do Mundo de 1978, quando o Brasil terminou na terceira colocação. Em entrevista à PLACAR realizada em 2021, Reinaldo disse ter recebido carta da Operação Condor, campanha de repressão política e terror utilizada pelas ditaduras de direita do Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, ainda destacou o simbolismo da anistia e o papel de Reinaldo como personagem histórico da resistência civil ao regime. “A ditadura foi cruel, perversa e atingiu pessoas em todas as esferas da sociedade. Mas houve aqueles que não se curvaram. Reinaldo é um deles. Este reconhecimento é uma afirmação radical em defesa da democracia”.