O ex-zagueiro Brito, titular da seleção brasileira na campanha do tricampeonato mundial de 1970, morreu nesta quinta-feira, 11, aos 86 anos. A informação foi divulgada pela família nas redes sociais do ex-jogador, que estava internado desde 13 de maio em um hospital na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, sua terra natal, para tratar uma pneumonia.

Hércules Brito Ruas foi revelado pelo Vasco da Gama e construiu uma longa carreira no futebol brasileiro. Além do clube cruz-maltino, vestiu as camisas de Internacional, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians, Athletico Paranaense e Flamengo.

Brito disputou duas Copas do Mundo pelo Brasil. Em 1966, esteve no elenco que atuou na Inglaterra. Quatro anos depois, no México, foi titular em todas as partidas, ao lado do parceiro Piazza, na equipe comandada por Mário Zagallo na conquista do tricampeonato mundial.

Brito no acervo de PLACAR

Brito foi figurinha carimbada de PLACAR nos anos 1970, sempre tratado como um boa praça. Em 28 de agosto de 1981, foi perfilado na seção “Os Gênios da Raça”, que trouxe curiosidades como o fato de ter nascido com “espantosos cinco quilos”, o que levou à escolha de seu nome. “Um verdadeiro herói, um Hércules”, previu seu pai, o carpinteiro Leonídio Ruas, ao vê-lo nascer.

Nascido e criado na Ilha do Governador, Brito era vascaíno desde a infância, graças a sua idolatria pelo zagueiro Danilo Alvim. Foi sempre tratado como um brincalhão. Durante a Copa de 1970, telefone para seu cachorro, e se divertia ao ouvir os latidos do melhor amigo. Distraído, perdeu a hora do próprio casamento. Alegre e boêmio, apreciador de uma cachacinha e apaixonado pelas escolas de samba, preferia gozar de seus pequenos prazeres a levar a sério a profissão”, escreveu o repórter Telmo Zanini, autor do perfil.

“Almoçava e jantava com invejável apetite, engolia de manhã uma dúzia de gemas de ovos batidas com canela e cerveja preta, cortou as noitadas de samba e treinava com tanta disposição que, num coletivo, para segurar Pelé, deu-lhe primeiro uma gravata, depois uma mordida na orelha”, prosseguiu o texto. Também teve seus destemperos, como as brigas com o técnico Iustruich, nos tempos de Flamengo, e o soco dado no rosto do árbitro José Aldo Pereira, revoltado com um pênalti marcado contra o Botafogo.

CBF lamenta morte de Brito

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lamentou o falecimento do tricampeão.

“Brito nos deixou como um dos grandes zagueiros da história do futebol brasileiro. Sua contribuição para o tricampeonato mundial na Copa de 70 será eternamente lembrada por todos nós. Presto minha reverência a este ídolo do nosso país. Que sua raça seja uma inspiração para nossos jogadores que disputarão a Copa”, disse o presidente da CBF, Samir Xaud.

De acordo com dados da CBF, o ex-zagueiro defendeu o Brasil de entre 1964 e 1972 em 61 jogos, com 45 vitórias, 11 empates e cinco derrotas. Além do tricampeonato mundial, ganhou a Copa Roca (1971) e a Taça Independência (1972).

Brito, jogador da Seleção Brasileira de 1970 – LEMYR MARTINS/PLACAR