A PLACAR de março de 2026 já está disponível, com uma edição especialíssima, de colecionador, na qual elegemos 100 maiores jogadores de todos os tempos, em uma votação com 40 jornalistas brasileiros e estrangeiros.

Alerta de spoiler: a coroa seguiu com Pelé, mas Messi, Maradona, Cristiano Ronaldo, Ronaldo Fenômeno e outros craques protagonizaram boas disputas nas prateleiras abaixo.

A edição 1533 de PLACAR, já pode ser adquirida em versão digital em nosso app e física nas bancas de todo o país e em nossa loja no Mercado Livre.

A última vez que PLACAR havia feito uma eleição dos maiorais havia sido em 1999, quando elencamos os 100 Craques do Século. Daquela vez, os jornalistas da casa debateram entre si para chegar ao veredito final. Repetimos parte da dose em 2026, capitaneados por Rodolfo Rodrigues, que elaborou uma lista larga com cerca de 150 nomes, levantou as estatísticas e comprou boas brigas com os colegas até fecharmos a relação centenária. Mas o top 10 merecia um júri mais amplo.

Ouvimos 40 jornalistas, da casa e de fora, brasileiros e estrangeiros, até chegar à seleção final. Alguns deles visitaram o estúdio da PLACAR TV, em São Paulo, e gravaram seus depoimentos em vídeos, que estarão disponíveis no YouTube e em nossas outras redes sociais ao longo deste mês.

A disputa foi intensa, mais equilibrada do que nunca, mas, quase 70 anos depois de Pelé estrear profissionalmente pelo Santos, ninguém foi capaz de superá-lo até hoje. Se ignorar o debate é contraproducente, argumentos não faltam em favor do Rei. “Pelé mudou o futebol de patamar, deu velocidade ao jogo, mostrou a importância de jogar em várias posições, e a partir dele a preparação física passou a ser valorizada”, avaliou Fábio Sormani, um dos 40 jornalistas ouvidos na eleição.

O Rei liderou até entre os 17 votantes estrangeiros: foi lembrado por todos eles e recebeu oito menções como maior de todos os tempos, seguido de Messi (5) e Maradona (3). “Escolho o Pelé, pois o Rei começou a inebriar o mundo aos 17 anos e repetiu a façanha 12 anos depois com o Brasil mais belo de todos os tempos”, afirmou o jornalista italiano Emanuele Gamba. Os camisas 10 argentinos fizeram a disputa mais parelha.

“Messi combina a genialidade natural de Maradona com um profissionalismo implacável e uma inteligência tática adequada ao futebol moderno”, avaliou o inglês Nizaar Kinsella. “Diego foi o maior ídolo da história do esporte, ninguém foi tão amado. Em Nápoles e na Argentina, você sente no ar a gratidão das pessoas por ele”, considerou Mauro Cezar Pereira.

O argentino Diego Borinsky acredita que a longevidade fez de Messi ligeiramente superior a seu antecessor: “Nunca vi alguém fazer o que ele fez com a bola com tamanha velocidade, em tão pouco espaço e por tanto tempo”.

Listas são organismos vivos, e a memória afetiva dos votantes tende a rejuvenescê-las. De 1999 para cá, 29 nomes deixaram a lista dos 100. Garrincha conseguiu driblar a cruel lógica do tempo e seguir no top 10. “Eu o coloquei em quarto, uma posição que não deve agradar a ninguém. Os mais jovens vão achar muito alto, e os mais velhos, muito pouco”, brincou Celso Unzelte.

Também é natural e inevitável que haja um certo protecionismo em relação aos compatriotas em listas dessa natureza. Gerd Wenzel, alemão que vive há sete décadas no Brasil, escolheu Pelé como número 1 e colocou dois germânicos na lista: Franz Beckenbauer em sexto e Lothar Matthaus em décimo.

Os britânicos foram mais “abusados”: Gary Jacob citou Kenny Dalglish, lenda do Liverpool, que nem sequer entrou em nossa lista (terá sido um de nossos pecados?), como nono maior da história. Já o norte-irlandês George Best (25º para PLACAR) foi o décimo para Kinsella: “Best é outro jogador excêntrico escolhido mais pelo talento do que pelos troféus”.

A revista esportiva do Brasil também deu suas “patriotadas” – ou melhor, fez justiça ao legado de craques que dificilmente transitam por listas estrangeiras, em razão do compreensível desconhecimento de uma época em preto e branco. O mais velho de nosso top 100 é El Tigre Friedenreich, primeiro grande ídolo do futebol nacional, nascido em 1892, seguido pelo italiano Giuseppe Meazza (1910), pelos brasileiros Domingos da Guia (1912) e Leônidas da Silva (1913), pelo britânico Stanley Matthews (1915) e pelo uruguaio Obdulio Varela (1917).

O Brasil foi, com sobras, o país como mais representantes (29), seguido por Itália e Alemanha (12 cada uma), Argentina (9), França (6), Espanha (5), Holanda e Uruguai (4), Hungria e Inglaterra (3) e Portugal (2). Confira, abaixo, a Carta ao Leitor da edição de colecionador dos 100 Maiores de Todos os Tempos.

Carta ao Leitor: É claro que tem debate

De forma espirituosa, com a genialidade de sempre, Pelé costumava responder assim a quem ousasse compará-lo a um argentino: “Primeiro eles têm de decidir quem é o melhor entre eles, se Di Stéfano, Sívori, Maradona ou Messi, para depois tentar competir comigo”. Só que a briga entre os hermanos parece ter sido resolvida e, gostemos ou não, o debate deixou de ser heresia, se é que um dia foi, depois da Copa do Catar, quando Lionel Messi implodiu o único senão de sua carreira. É craque, gênio, multirrecordista… e campeão do mundo. Pelé, Messi, Maradona, Cruyff, Cristiano Ronaldo e outras feras sentam-se à mesa que bem entenderem. Ofereçamos, então, um delicioso papo de boteco.

Nossa redação se deu conta, em um habitual passeio pelos 56 anos de acervo, de que já era hora de mexer nesse vespeiro e renovar nossa lista de maiorais. A última grande eleição do tipo havia sido em 1999, quando elencamos os 100 Craques do Século. Daquela vez, os jornalistas da casa debateram entre si para chegar ao veredito final. Repetimos a dose em 2026, capitaneados por Rodolfo Rodrigues, que elaborou uma lista larga com cerca de 150 nomes, levantou as estatísticas e comprou boas brigas com os colegas até fecharmos a relação centenária. Mas o top 10 merecia um júri mais amplo.

Ouvimos 40 jornalistas, da casa e de fora, brasileiros e estrangeiros, até chegar à seleção que você tem em mãos. Alguns deles visitaram o estúdio da PLACAR TV, em São Paulo, e gravaram seus depoimentos em vídeo. Os papos comandados pelo repórter André Avelar estarão disponíveis no YouTube e em nossas outras redes sociais ao longo deste mês. “Dá até dor na consciência por deixar alguns nomes de fora. É o que sempre digo: antes de reclamar das ausências, pense em quem você tiraria do meu time para colocar quem você quer. Não há espaço para todos”, diz Celso Unzelte, um dos editores da edição de 1999.

“Minha lista mudou bastante, e fico até surpreso comigo mesmo por ter conseguido admitir personagens novos em meu coração”, complementa Sérgio Xavier Filho, o diretor de redação da época. Vinte e sete anos atrás, o perfil de Pelé, o número 1, questionava: “Alguém tem alguma dúvida?”. A revista esportiva do Brasil começou a pensar no caso em uma corajosa edição de maio de 2012, cuja chamada de capa, “duelo dos deuses”, era acompanhada da constatação: “Pela primeira vez na história surge um jogador cujos feitos tornam possível uma comparação com Pelé”. Naquele tempo, Messi estava bem distante do Rei em todas as estatísticas. Mas seu nível de jogo não parava de subir e, como previu PLACAR, La Pulga teve uma trajetória mais longeva. A estimativa era de que o então ídolo do Barcelona pudesse alcançar o maior de todos em gols oficiais aos 37 anos. Pois ele o fez aos 34.

“Não concordo com essa coisa de que em Pelé não se mexe, que não podemos comparar com ninguém. Na Argentina, faziam o mesmo com Maradona. Não devemos tapar os olhos e ouvidos para essa discussão”, avaliou Gian Oddi, autor da reportagem de 2012. “Estamos falando de jogadores de futebol, não de deuses ou mitos, ainda que a mitificação de alguns nomes seja importante nesse debate. Realmente acredito que exista uma briga parelha”, completa o ex-placariano, mais um dos 40 eleitores. “Pelé é o número 1, sem dúvida nenhuma, e topo
qualquer briga com quem disser o contrário”, discorda Sérgio Xavier. 7

Todos concordam, porém, que interditar o debate não é o caminho mais inteligente. Pelé, que pendurou as chuteiras em Nova York, 26 anos antes da estreia do argentino pelo Barça, não é mais unanimidade, haja vista as recentes listas mundo afora. A revista britânica Four Four Two causou controvérsia em 2022 ao colocar o Rei em quarto lugar, com Messi, Maradona e CR7 no pódio. A presença de George Best em sétimo (alerta de spoiler: na nossa, o norte-irlandês foi o 25º) escancara que doses de protecionismo e imediatismo são inevitáveis.

No ano seguinte, a FFT refez suas contas, mas manteve o ídolo do Santos atrás de Messi, em segundo. A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) soltou sua lista em 2025, na mesma ordem. Até para preservar o legado real, precisamos falar sobre – e contextualizar devidamente – os feitos de Pelé, que fez tudo que os outros gênios fizeram, só que antes e mais vezes.

Há outros 98 nomes passíveis de discussão nas próximas páginas, sem falar em quem ficou de fora. Tentamos mesclar épocas, posições, estilos e nacionalidades e fazer justiça à biografia de ídolos, com estatísticas e curiosidades. Da última vez, Sérgio Xavier sofreu com as “cartas-bombas” que chegaram à redação para protestar contra nossas escolhas: “É impossível satisfazer a todos nesse tipo de edição”.

Desta vez, o guichê de reclamações está aberto nas mais variadas plataformas de PLACAR. Curta essa viagem no tempo nas próximas páginas, concordando ou discordando à vontade. O debate é sempre bem-vindo.

Edição 1533 de PLACAR elege os 100 Maiores de Todos os Tempos

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