O que seria do gol mais bonito do mundo se não fosse a arquibancada? O testemunho de milhões de pessoas que viram a bola sacudir a rede, depois de um chutaço de Messi, Maradona ou Pelé é o que atribui importância a um dos momentos mais festivos do maior esporte do planeta. A paixão é indiscutivelmente algo abstrato. Entretanto, quando esse sentimento impulsiona a compra de um ingresso, a transação deixa um rastro de dados precisos .
Dados da FutebolCard referentes a 588 jogos e 10,3 milhões de ingressos comercializados entre 2022 e 2026 ajudam a compreender os fatores associados à presença do público nas arquibancadas brasileiras.
Para reduzir o efeito das diferenças de tamanho entre as torcidas de clubes como Flamengo, Fluminense, Coritiba, Avaí, Náutico e Red Bull Bragantino, o estudo utiliza o índice de público: número de ingressos vendidos para uma partida dividido pela média histórica de ingressos vendidos por partida do próprio clube .
Os resultados mostram que os fatores que mobilizam o torcedor variam consideravelmente conforme o campeonato, o calendário e o perfil demográfico de quem compra. Nas partidas eliminatórias, o levantamento também aponta diferenças de público conforme a competição. Esses resultados sugerem que a importância atribuída a cada torneio influencia a presença do torcedor.
Libertadores e outras atrações
O formato de disputa e o tamanho da recompensa final podem influenciar o índice de público. As copas eliminatórias internacionais e nacionais são as competições com os maiores índices de público na amostra analisada.
As competições continentais, como a Libertadores, a Sul-Americana e a Recopa lideram a atração, registrando uma “venda de ingressos 25% superior à média histórica do próprio clube” — ingressos vendidos não equivalem necessariamente à demanda total.
A Copa do Brasil aparece logo em seguida, com um incremento de 14% em relação à mesma média. Em contrapartida, os torneios regionais registram vendas de ingressos 26% inferiores à média histórica dos respectivos clubes O torcedor prioriza, os jogos de maior peso decisivo e apelo internacional. Para os clubes e operadoras de bilhetagem, essa discrepância sugere a adoção de estratégias de precificação ajustadas a cada competição os jogos de copa podem oferecer espaço para um tíquete médio mais alto. podem demandar ações de incentivo e fidelização para ampliar a presença do público
Os dados revelam que o público de um estádio não é uma massa homogênea. O perfil do torcedor que vai à arquibancada varia, os números apresentados mostram diferenças, mas não uma mudança completa conforme o campeonato em disputa: os campeonatos estaduais (Carioca e Paulista) funcionam como competições com maior participação proporcional de jovens nos exemplos analisados.
No Fluminense, a faixa etária entre 18 e 24 anos representa 18,4% dos ingressos vendidos no Carioca, contra 14,2% no Brasileirão. No Bragantino, o Paulista concentra 17,6% dos ingressos vendidos para torcedores dessa mesma faixa etária, enquanto essa participação é de 12,1% na Série A”.
Os estaduais, podem cumprir um papel estratégico na formação de público no futebol. Funcionam como a principal porta de entrada para a nova geração de torcedores.Preços de ingressos mais acessíveis e menor pressão por resultados são possíveis explicações para essa participação, mas essas hipóteses precisam ser verificadas. Compreender essa dinâmica etária permite aos clubes desenhar experiências de consumo e campanhas de sócio-torcedor específicas para cada momento da temporada.
* Robson Oliveira é sócio-fundador e presidente da FutebolCard









