Carlo Ancelotti já tinha sentido um pouco da ira da torcida, e da imprensa brasileira, em uma decepcionante estreia de Copa do Mundo, quando ficou evidente que o hexacampeonato estaria mais longe. No último domingo, 5, no MetLife Stadium, na eliminação para a Noruega, a coisa foi ainda pior. O treinador se deu conta dos números ruins ao longo do período e até deixou escapar onde estaria a culpa pela fracassada campanha do Brasil.

Em que o cenário político conturbado em que o Ancelotti assumiu a seleção brasileira, os números ficaram aquém do esperado. O italiano chegou em maio do ano passado, depois que a seleção brasileira já tinha passado por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Além disso, a presidência da CBF havia sido trocada de Ednaldo Rodrigues para Samir Xaud.

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O treinador então terminou esta Copa do Mundo com 17 jogos disputados, dez vitórias, três empates e quatro derrotas, com um aproveitamento de 64,7%. Mais do que isso, os questionamentos para o futuro também não são poucos. 

Ancelotti, no entanto, já tem contrato renovado com a CBF. Ainda antes da Copa do Mundo, o italiano acertou que ficará até 2030 na seleção. Ele será apenas o quarto técnico — junto com Mário Jorge Lobo Zagallo (1970 e 1974), Telê Santana (1982 e 1986) e Tite (2018 e 2022) — a dirigir o país em duas Copas do Mundo consecutivas.

Números de Carlo Ancelotti com a seleção brasileira

  • 17 jogos
  • 10 vitórias
  • 3 empates
  • 4 derrotas
  • 64,7% de aproveitamento
  • 58 jogadores convocados
Ancelotti chegou à seleção brasileira em maio de 2025 - Rafael Ribeiro/Divulgação/CBF

Ancelotti chegou à seleção brasileira em maio de 2025 – Rafael Ribeiro/Divulgação/CBF

Culpa pela eliminação da seleção brasileira

O treinador deixou no ar de quem seria a culpa pela eliminação precoce da seleção brasileira — a pior desde as oitavas de final na Itália, em 1990, diante da Argentina de Maradona e Caniggia. Diferentemente do que poderia se esperar, Ancelotti não apontou para dirigentes ou jogadores, mas para um setor completo.

“Temos que pensar. É bastante evidente que no meio campo acho que tem que sair jogadores de nível. Temos jovens no futebol brasileiro que podem estar na seleção no futuro”, disse Ancelotti. 

Dos 58 jogadores convocados ao longo desse um ano de preparação para a Copa do Mundo, apenas 14 atuam no meio-campo: Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Danilo Santos (Botafogo), Éderson (Atalanta); Fabinho (Al-Ittihad) e Lucas Paquetá (Flamengo) foram os escolhidos, sendo que Éderson entrou no lugar do lateral Wesley (Roma), cortado; André (Wolverhampton), Andreas Pereira (Palmeiras), Andrey Santos (Chelsea), Gabriel Sara (Galatasaray), Gerson (Cruzeiro), Jean Lucas (Bahia), João Gomes (Wolverhampton), Joelinton (Newcastle) ficaram pelo caminho na concorrência pelas 26 vagas finais. 

O meio-campo considerado titular terá inteiro mais de 30 anos na próxima Copa do Mundo. Daí a necessidade de mudança vista por Ancelotti: Bruno Guimarães estará com 32 anos, Casemiro com 38 e Lucas Paquetá com 32.

“Agora temos que administrar a tristeza. Amanhã [nesta segunda], começamos a pensar no que pode ser o futuro dessa seleção que já tem um grupo bastante sólido de jovens e de veteranos que podem continuar e de novos jogadores que podem entrar”, concluiu o treinador.

Eliminações da seleção brasileira

A queda nas oitavas de final da Copa do Mundo amplia para 28 anos o jejum de títulos da seleção brasileira. O período é maior que o intervalo de 24 anos do tri para o tetracampeonato, entre 1970 e 1994. Da primeira Copa do Mundo à conquista do título em 1958, foram também 28 anos, mas os Mundiais de 1942 e de 1946 não aconteceram devido à Segunda Guerra Mundial.

  • 2026 – oitavas de final – Noruega
  • 2022 – quartas de final – Croácia
  • 2018 – quartas de final – Bélgica
  • 2014 – quartas de final – Alemanha
  • 2010 – quartas de final – Holanda
  • 2006 – quartas de final – França
  • 2002 – pentacampeã – Alemanha
  • 1998 – vice – França
  • 1994 – tetracampeã – Itália
  • 1990 – oitavas de final – Argentina
  • 1986 – quartas de final – França
  • 1982 – segunda fase – Itália
  • 1978 – segunda fase – Argentina
  • 1974 – segunda fase – Holanda
  • 1970 – tricampeã – Itália
  • 1966 – primeira fase – Portugal
  • 1962 – bicampeã – Tchecoslováquia
  • 1958 – campeã – Suécia
  • 1954 – quartas – Hungria
  • 1950 – vice – Uruguai
  • 1938 – semifinal – Itália
  • 1934 – oitavas – Espanha
  • 1930 – primeira fase – Iugoslávia

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