(Texto publicado na edição 1509, de março de 2024, com adaptações em razão de cortes na convocação)

A era Dorival Júnior na seleção brasileira está prestes a começar, cercada de tensão e desconfiança. Seus antecessores, os interinos Ramon Menezes e Fernando Diniz, somaram três vitórias, um empate e cinco derrotas da última Copa do Mundo para cá. O cenário está longe do ideal para o time que precisa recuperar o título da Copa América e se permitir sonhar com o hexa no Mundial. A primeira competição foi perdida para a rival Argentina, em pleno Maracanã, no Rio, em 2021. A segunda é a esperança da torcida de “apenas” repetir o jejum de 24 anos sem título, vivido entre 1970 e 1994, já que a última conquista foi no longínquo 2002.

Para chegar com moral à Copa de 2026, Dorival terá desafios mais complicados que Marrocos, Senegal, Uruguai, Colômbia e Argentina, times para quem o Brasil perdeu nesses últimos nove jogos — sob o comando da dupla Ramon-Diniz, conseguimos um empate com a Venezuela e vitórias sobre Guiné, Bolívia e Peru. O calendário dos próximos meses é uma pedreira. Para começar, Inglaterra, em Wembley, Londres, no dia 23. Três dias de – pois, Espanha, no Santiago Bernabéu, em Madri. Em 8 de junho, os compromissos serão mais “leves”, mas ainda traiçoeiros, contra México, em local a definir; e Estados Unidos, no Camping World Stadium, em Orlando, quatro dias depois. Até lá o time precisa estar pronto para a Copa América, marcada para 20 de junho a 14 de julho, também em solo norte-americano.

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“Tenho consciência do histórico, da responsabilidade do momento, mas, acima de tudo, tenho a tranquilidade para encontrarmos um novo caminho. O futebol brasileiro se reinventa rapidamente, tem jogadores de altíssimo nível, com capacidade e qualidade para voltar a acreditar. Não vejo [a partida contra a Inglaterra] como o jogo da vida, ainda que seja um importantíssimo”, disse Dorival em entrevista coletiva na sede da CBF logo após a primeira convocação. Vale lembrar que o Brasil foi eliminado por seleções europeias (França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia) nas últimas cinco Copas.

O técnico de 61 anos se notabilizou por apagar incêndios ao longo da carreira e, para espantar a crise nacional, optou por manter parte da base de convocações passadas, acrescentando alguns nomes de seu interesse e/ou confiança. No primeiro grupo estão Ederson, Marquinhos, Casemiro e Vi – ni Jr., que seguem como a espinha-dorsal. No segundo, aparecem : o goleiro Rafael, o zagueiro Beraldo e o volante Pablo Maia, todos colegas da época de São Paulo, o goleiro Léo Jardim (Vasco), mais os zagueiros Murilo (Palmeiras) e Fabrício Bruno (Flamengo) e os atacantes Savinho (Girona) e Galeno (Porto). “Nenhuma reformulação pode ser feita de maneira radical. A mudança contínua deve ser pautada no reconhecimento ao que esses atletas vêm fazendo para merecer estar na seleção”, argumentou.