O futuro de Gabriel Barbosa em 2027 deve ser no futebol brasileiro – mesmo que não com a camisa no Santos.
PLACAR apurou que Gabigol não se anima com a ideia de trocar o país para disputar ligas menos competitivas, como as dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. A única ressalva é para o mercado turco, considerado especialmente atrativo por ele.
O atacante entende que atuar em um dos grandes da Turquia – Besiktas, Fenerbahce ou Galatasaray – pode ser uma experiência interessante pela atmosfera de intenso fanatismo dos torcedores, algo que o atrai. O país se transformou recentemente em um dos principais destinos de grandes nomes do futebol internacional.
Na última janela de transferências, por exemplo, o Fener contratou nomes como o atacante belga Romelu Lukaku e o zagueiro holandês Nathan Aké. O clube já contava no elenco com o meia espanhol Marco Asensio, o volante francês N’Golo Kanté e o goleiro brasileiro Ederson Moraes.
O Galatasaray respondeu à altura, trazendo o atacante português Rafael Leão para jogar ao lado de astros como Victor Osimhen, Leroy Sané e Ilkay Gündogan.

Rafael Leão custou R$ 270 milhões aos cofres do Galatasaray – Divulgação/Galatasaray
O Besiktas, por sua vez, apostou no atacante belga Leandro Trossard e no sérvio Dusan Vlahovic, além do meia turco Orkun Kökcu. Salah, ex-Liverpool, veste a camisa do Trabzonspor.
O desempenho tímido nas passagens pela Inter de Milão, da Itália, e pelo Benfica, de Portugal, entre 2016 e 2017 faz com que a Turquia seja praticamente o único destino possível para o camisa 9 no futebol europeu. Jogar pelos clubes menores do Velho Continente também é uma opção praticamente descartada.
Mesmo valorizado pelos bons números no retorno ao Peixe – já são 31 contribuições diretas em gols na temporada, com 21 bolas na rede e dez assistências –, Gabigol não recebeu ofertas na última janela de transferências. O mês de dezembro, portanto, será decisivo para a sequência de sua carreira.
Futuro duvidoso
Emprestado pelo Cruzeiro até o fim deste ano, coube ao Santos arcar apenas com uma fatia dos vencimentos de Gabigol para contar com o atacante novamente, oito anos depois da última passagem. O custo mensal é de R$ 1,3 milhão, referente ao valor registrado em carteira.
Os ganhos totais do jogador, no entanto, ultrapassam R$ 3 milhões, já somados os valores de direitos de imagem e das luvas pela assinatura do contrato que vai até o fim de 2028.
Pesam de forma desfavorável para a permanência na Vila Belmiro o delicado momento financeiro do clube – agravado pelo atraso de duas parcelas dos direitos de imagem dos atletas e condenações judiciais – e o fato de não haver valor fixado para a compra.

Gabigol custa R$ 3 milhões mensais ao Cruzeiro, valor que pode pesar contra – Gustavo Aleixo/Cruzeiro
O vínculo com a Raposa está protegido por uma multa alta – R$ 700 milhões para equipes brasileiras e mais de 100 milhões de euros (R$ 590 milhões) para o exterior —, deixando o Peixe totalmente dependente de um aceite do clube mineiro para tentar a sua permanência.
Procurado por PLACAR, Pedro Lourenço, principal acionista da SAF cruzeirense, disse que até o momento não houve nenhum contato santista para tratar do assunto e que não há um montante definido para abrir negociações. Ele também descartou a possibilidade de um novo empréstimo.
O cartola só admitiu a existência de uma “preferência” santista, que na prática consiste apenas na possibilidade de o clube paulista tentar primeiro uma investida ou ser avisado em caso de oferta para tentar cobri-la. O relacionamento entre as diretorias é considerado bom, porém o negócio só deve avançar com dinheiro à mesa.
O atleta ainda terá o futuro reavaliado pela diretoria mineira, mas a permanência é improvável hoje por conta dos altos vencimentos mensais. A vinda para a Vila Belmiro em janeiro foi facilitada pela contratação do técnico Tite, seu desafeto, hoje no Botafogo.
Filme repetido?
O cenário faz o Santos viver uma espécie de “déjà vu” (já visto, em tradução do francês) do ano de 2018.
Em baixa após passagens frustrada pela Europa, o atacante voltou à Vila por empréstimo para recuperar o protagonismo perdido. Fechou o ano com 27 gols em 52 jogos, também sob o comando de Cuca, mas em 2019 optou pelo Flamengo em um acordo costurado nos mesmos moldes do ano anterior.
A escolha despertou a ira dos torcedores santistas, que o acusaram de ter usado o clube que sempre fez juras de amor eterno apenas como um “trampolim” para seus objetivos pessoais.
O atacante só foi comprado em definitivo pelo Rubro-Negro em 2020, onde viveu os melhores momentos de sua carreira. A passagem foi encerrada em 2024 com 308 partidas, 161 gols, 43 assistências e 13 títulos conquistados.
Às portas da eleição que ocorre em dezembro, o desempenho que tem ajudado a equipe dentro de campo promete agitar os bastidores fora dele.

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, admite que o clube busca recursos para pagar atrasados – Reinaldo Campos/Santos FC
“Sabíamos e prevíamos que ele, dentro de casa, na sua identificação com o Santos, com a torcida, com a história, poderia reviver bons momentos. É o que está acontecendo. É o que aconteceu com Neymar. A tendência é o Santos fazer a sua parte, a diretoria fazer até um limite e aguardar o processo eleitoral para que, aí sim, ao final dele, a gente tenha a possibilidade da continuação desses contratos ou não”, disse o presidente Marcelo Teixeira, em evento do clube na última segunda-feira, 21.
Nas redes sociais, o centroavante é alvo de apelos da torcida pela permanência devido aos seus números expressivos. Em todo o país, ele só perde em produtividade para Pedro, do Flamengo, que soma 32 participações diretas em gols.
Na oitava colocação do Brasileirão, o Santos terá mais 11 partidas para tentar salvar a temporada com uma vaga na pré-Libertadores, atualmente restrita ao quinto colocado, mas que pode ampliar a depender dos resultados da Copa do Brasil e da Libertadores.








