Anderson Talisca voltou a ser assunto da imprensa brasileira, ao ter seu nome especulado entre os alvos do Corinthians no mercado. Tratado como um nome observado pelo Timão para a temporada 2026, o meia-atacante do Fenerbahçe, no entanto, negou a possibilidade de um retorno imeditado ao futebol brasileiro, em entrevista exclusiva à PLACAR.

“Não é o momento. Ainda tenho lenha para queimar por aqui. Um dia, quem sabe volto para o Brasil. Mas tenho alguns anos para ficar, estou muito feliz na Turquia”, disse o jogador.

A fala do jogador, inclusive, vai ao encontro do momento que vive. Nesta quarta-feira, 14, foi dele o gol de vitória do Fenerbahçe sobre o Beyoğlu Yeni Çarşı, pela segunda rodada da Copa da Turquia.

Assim, chegou a seu 15º gol na temporada, em 27 partidas realizadas. Os números altos acompanham uma tendência artilheira, que o acompanha desde a sua saída do Brasil, em 2014.

Meia-artilheiro? Meia-atacante

Depois de passagem pelas categorias de base do Vasco, Talisca chegou ao Bahia em 2009, aos 15 anos. Meio-campista mais recuado naquela altura, chamou a atenção desde sua estreia pelos profissionais do Esquadrão, em 2013.

Anderson Talisca marcou seu primeiro gol na Liga dos Campeões diante do Monaco

Anderson Talisca marcou seu primeiro gol na Liga dos Campeões diante do Monaco – Divulgação / Benfica

Anderson, então, depois de fazer bons primeiros anos pelo time de Salvador, foi contratado pelo Benfica, de Portugal. Segundo o próprio jogador, foi sob o comando de Jorge Jesus, ex-Flamengo, que passou a receber função mais ofensiva. “Ele viu que eu fazia muitos gols e me transformou em meia-atacante. Aquilo mudou tudo. E hoje eu sou meia-atacante mesmo.”

E prosseguiu: “Cara, eu sempre fui menos organizador clássico, sempre tive mais presença constante na área. Tem gente que me define como um ‘camisa 10 do futebol moderno’. O clássico mesmo eu não sou. Hoje esses caras são Alan Patrick e Ganso, por exemplo. Eu me vejo numa função mais parecida com a do Rivaldo, não comparando qualidade (risos).

Turquia, China e escolhas

Talisca deixou o Benfica com rumo ao Besiktas, da Turquia. Emprestado, brilhou no time de Istambul, com 37 gols em duas temporadas, o que o colocou em manchetes das grandes ligas europeias. Ele, porém, não concorda com essa posição do Campeonato Turco abaixo dos países mais badalados do continente.

“Existe essa ideia de que (o campeonato turco) não é de primeira prateleira, mas os clubes jogam Champions League. Na França, praticamente só o PSG compete. Aqui, são vários times fortes.” Ainda questionado durante a análise sobre a comparação com o futebol brasileiro, foi direto. “Em intensidade, não tenho dúvidas que a Turquia está na frente do Brasil.”

Anderson Talisca, do Besiktas, comemora gol contra o Porto, pela Liga dos Campeões, na Turquia – Divulgação / Besiktas

Sincero, o meia entrou no assunto de sua transferência para o Guangzhou Evergrande, em 2018. Talisca admitiu que sua escolha de ir para a China à época gerou questionamentos sobre impacto esportivo para continuar sendo convocado para a seleção brasileira.

“Tinha jogador do Guangzhou sendo convocado. Isso nunca pesou, o foi outro. No Benfica, eu ganhava praticamente o que ganhava no Brasil. Era o momento de mudar a vida da minha família. Se eu pensasse só na carreira, teria ido para o Manchester United, mas a diferença era absurda. Nunca falei isso para ninguém, ouvi bastante opinião contrária, mas só eu sei o motivo real”, explicou.

Cristiano Ronaldo, rivalidade e Corinthians

O período na China pode ter freado o meio-campista a se projetar em cenários mais badalados. Ainda assim, sua mudança para a Arábia Saudita, ainda antes do “boom”, o permitiu a jogar ao lado de grandes estrelas, que chegaram ao clube com o início dos investimentos estatais. Um deles foi Cristiano Ronaldo, atacante que ele coloca como o melhor com quem já dividiu campo.

Talisca, Cristiano Ronaldo e Mané comemoram gol do Al-Nassr sobre o Shabab Al-Ahli na Liga dos Campeões da Ásia - Yazid Al-Duwihi/AFP

Talisca, Cristiano Ronaldo e Mané comemoram gol do Al-Nassr sobre o Shabab Al-Ahli na Liga dos Campeões da Ásia – Yazid Al-Duwihi/AFP

A alta média de gols no futebol saudita foi a prévia de um retorno à Turquia, agora para um lado diferente. Anos depois de construir história no Besiktas, escolheu o Fenerbahçe.

Quanto a isso, Talisca disse: “Houve respeito pelo que fiz lá, mas sempre tem aquele papo. Tem muita rivalidade, mas eu gosto. Gosto disso.”

E nesse contexto, revelou sua torcida na infância por um motivo curioso. “Sou de Feira de Santana, torcedor raiz do Bahia. Mas quando era criança criei um carinho pelo Corinthians, justamente porque minha mãe era palmeirense (risos). Sempre fui assim, gostava de brincar com ela, incomodar ela, então eu passei a gostar do Corinthians. Hoje sempre me perguntam se tenho vontade de jogar lá, mas eu estou muito feliz por aqui. E para ser sincero, nunca nem houve proposta oficial.”