Treinador do Al-Hussein, da Jordânica, Ney Franco está preso em Doha, no Catar, depois que o espaço aéreo de grande parte do Oriente Médio foi fechado em meio à escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel. Com passagem por São Paulo e Flamengo, o brasileiro viajou ao Golfo para disputar as quartas de final da AFC Champions League Two (segunda competição mais importante do continente) e ainda não conseguiu retornar.
A delegação chegou na última sexta-feira, 29, a Doha, para jogo contra o catari Al Ahli, que seria na última terça-feira, 2. A partida, no entanto, não aconteceu justamente porque, no dia seguinte, um alerta de segurança deu início à tensão, como disse Ney Franco, em entrevista exclusiva à PLACAR.

Infantino e Trump com bola da Copa 2022 – BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
“A gente estava no shopping, recebemos um alerta do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A instrução era para ficarmos em locais seguros. Voltamos para o hotel e, horas depois, ataques foram realizados ao Catar, país que abriga a base aérea de Al-Udeid, principal instalação militar americana no Oriente Médio”, disse o técnico.
E prosseguiu, relatando momentos seguintes: “No sábado para domingo ouvimos quatro explosões. Uma delas chegou a tremer a janela do hotel. Estamos no nono andar. Em alguns momentos dava para ver no céu mísseis e contramísseis. Foi uma noite complicada para quem estava aqui”.
Espaço aéreo fechado e volta por terra
Impedidos de voltar, o time do Al-Hussein ficou instalado no hotel, seguindo orientações das autoridades locais. Até o momento da entrevista, não havia perspectiva de um retorno da comissão de mais de cinquenta pessoas, conforme relatou o treinador.
Assim, nos primeiros dias, os atletas treinaram apenas na academia do hotel, dando sequência à forma física. Recentemente, uma atividade no campo foi permitida, mediante orientações de abrigo em caso de novos ataques próximos.
Apesar do cenário de guerra, contudo, o treinador afirma que o clima dentro do grupo segue controlado. “Não chegou a ser medo ou pânico. Todo mundo muito calmo. Ninguém entrou em desespero. Claro que existe apreensão, porque é uma situação completamente fora do controle de quem está aqui.”










