Gianni Infantino enterrou a sua popularidade com o plano de criar a empresa Fifa Forward Enterprises (FFE) para a venda de ações a investidores privados. Antes convicto de que venceria as eleições de março de 2026 e seria reeleito presidente da Fifa, o suíço vive, hoje, uma guerra aberta com a Uefa e vê uma divisão no mundo do futebol.

A proposta da FFE, divulgada na última semana, envolve criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade. Infantino chegou a afirmar que a venda de ações aumentaria o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares, com arrecadação total de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).

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A PLACAR explica quem são os principais aliados e inimigos de Infantino, e quais são as chances do presidente da Fifa cair.

Uefa realiza boicote e abre guerra contra Infantino

Gianni Infantino, secretário geral da Uefa

Gianni Infantino, na época de secretário geral da Uefa

A principal oposição à Gianni Infantino é formada por países da Uefa. A entidade europeia anunciou um boicote, na semana passada, afirmando que suas 55 federações-membro não irão disputar qualquer torneio da Fifa enquanto a FFE for considerada.

Algumas federações, como a inglesa, galesa e sérvia, retiraram publicamente seus apoios à permanência de Infantino como presidente da Fifa. Ainda nesta segunda-feira, 3, são esperadas que mais entidades do continente se posicionem a favor da queda do suíço.

Principal apoio vem da África

Diferente da Uefa, a principal rede de apoio de Infantino é a Caf (Confederação Africana de Futebol). A entidade africana permanece leal ao presidente da Fifa, por aglumas razões políticas, como a expansão de vagas para seleções africanas em Copas do Mundo, o suporte financeiro no desenvolvimento do futebol no continente, e a relação próxima com Patrice Motsepe, presidente da Caf.

O próprio Motsepe defendeu Infantino das críticas na última semana, afirmando que o mandatário é um líder dedicado ao futebol mundial. A Federação de Futebol do Congo chegou a publicar uma carta de apoio ao presidente da Fifa, enquanto a federação marroquina é outra grande aliada do suíço.

América do Norte e Ásia se dividem 

A Concacaf e a AFC, confederações da América do Norte e da Ásia, respectivamente, em um primeiro momento, apoiaram o boicote da Uefa ao FFE. No entanto, diferente do cenário na Europa, existem divisões enternas nas entidades. O Catar, por exemplo, faz parte da AFC mas se mantém como um apoiador de Infantino.

Conmebol e Ofc se mantém neutra 

Alejandro Domínguez e Gianni Infantino no 75º Congresso da Fifa - DANIEL DUARTE / AFP

Alejandro Domínguez e Gianni Infantino no 75º Congresso da Fifa – DANIEL DUARTE / AFP

A entidade sul-americana chegou a convocar uma reunião para discutir o projeto da FFE. No entanto, segundo o ge, existem divisões internas na Conmbeol, o que fizeram com que ela se mantivesse neutra até o momento. A CBF seria uma das resistentes contra a proposta de Infantino, junto a outras duas federações, ainda não reveladas.

A Federação de Futebol da Oceania (OFC) também preferiu não se posicionar contra ou a favor de Infantino. Assim como a Conmebol, a OFC afirmou que vai consultar seus membros e analisar com calma a proposta da FFE.

Afinal, Infantino pode cair?

O presidente da Fifa, Gianni Infantino durante coletiva de imprensa após as reuniões do conselho da entidade em Miami, Flórida – 15/03/2019

Para Gianni Infantino cair existem duas possibilidades: a renúncia, como aconteceu com seu antecessor Joseph Blatter, ou uma destituição de seu cargo a partir da votação das federações-membro.

Em primeiro momento, seria necessário que o Conselho da Fifa convocasse uma reunião de emergência para tratar da saída de Infantino. Para isso, seriam necessários ao menos 19 solicitações dos 37 membros que compõem o conselho.

A distribuição dos 37 membros é a seguinte: nove da Uefa, sete da AFC, seis da CAF, cinco da Concacaf, cinco da Conmebol e três da OFC. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro. A Uefa, AFC e Concacaf, principais opositoras, juntas, têm 17 membros.

A TV britânica BBC apurou que existem dúvidas que o número necessário será alcançado. Caso seja, a reunião ocorreria em duas semanas após o pedido, e o Conselho da Fifa poderia pedir a renúncia de Gianni Infantino. O dirigente, porém, pode se opor à ideia.

Com isso, a queda de Infantino passaria pelo Congresso Extraordinário, que ocorreria em até três meses após o pedido. Nele, votariam as 211 associações que compõem a Fifa e seriam necessários que ao menos 106 delas votassem a favor, para o impeachment do presidente.

A divisão das associações é: 55 da Uefa, 54 da África, 46 da Ásia, 35 da Concacaf, 11 da Oceania e 10 da Conmebol. Sem contar divisões internas, na teoria, 136 associações votariam contra Infantino no Congresso Extraordinário.

Atualmente, pela insuficiência de votos no Conselho da Fifa, o mais provável é que Infantino fique no cargo até as eleções de março de 2027. Mas se antes o suíço não tinha adversários à altura, com a sua crise de popularidade, o presidente da Fifa pode ter dificuldades em alcançar a sonhada reeleição.

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