Muitos torcedores lembram de 2004 como o ano das zebras no futebol. Mas, em 2003, uma conquista continental foi tão surpreendente quanto épica: o Club Sportivo Cienciano, rival do Botafogo nesta quinta-feira, 13, pela Copa Sul-Americana, se sagrou a primeira e até hoje única equipe peruana a vencer um torneio internacional da Conmebol.

A Sul-Americana de 2003

A segunda edição da Sul-Americana — primeira a contar com times brasileiros — foi dividida em três preliminares regionais, nas quais 35 equipes duelavam contra rivais do mesmo país (com exceção do confronto Deportivo Italchacao x San Lorenzo), até chegarem às oitavas de final. Desse modo, o Ciencicano inicou a jornada rumo ao título contra um dos gigantes do Peru, o Alianza Lima. Com duas vitórias pelo placar mínimo, a equipe da cidade de Cusco despachou o time da capital

Na fase seguinte, a equipe comandada por Freddy Ternero — respeitado localmente, mais ainda sem conquistas de expressão —, enfrentaria a tradicional Universidad Católica, do Chile. A partir dali, o Cienciano deixaria evidente um dos trunfos para superar os rivais: o Estádio Garcilaso de la Vega, localizado a mais de 3.400 metros de altitude. Os 4 a 0 em casa garantiram a sobrevivência dos peruanos no torneio, mesmo com a derrota por 2 a 1 fora. Inclusive, foi no primeiro jogo desse duelo que o artilheiro do time de Cusco, Germán Carty, marcou o primeiro gol dele na competição.

Por sinal, ele também seria decisivo contra um gigante de nível mundial, o Santos — que, em 2003, encantava amantes do bom futebol com Diego, Robinho, Elano, Renato e companhia. Mas, o 1 a 1 na Vila Belmiro, não foi o suficiente para frear o ímpeto peruano, que garantiu um 2 a 1 nas alturas, com dois de Carty.

À época, quem olhasse de longe para as semifinais da Sula, certamente apontaria o Cienciano como intruso. Afinal, River Plate e São Paulo de um lado somavam quatro Libertadores, enquanto o Atlético Nacional, rival do time de Cusco, tinha uma. Ignorando as conquistas alheias, os peruanos bateram os colombianos em Medellín e também em casa (1 a 2 e 1 a 0) — com Carty anotando um gol em ambos os jogos.

No teste final, o River Plate do chileno Manuel Pellegrini, formado por nomes como Mascherano, Lucho González, Gallardo, Salas e Maxi López — os quais, na primeira partida em Buenos Aires, era incentivados por aproximadamente 65.000 torcedores no Estádio Monumental. Ainda assim, o Cienciano abriu o placar com o lateral-esquerdo Giuliano Portilla, tomou empate minutos depois com Maxi López, que ainda ampliaria para os anfitriões no incício da segunda etapa. No entanto, Cusco tinha um preferido: Germán Carty marcou o gol de empate — o sexto dele até ali, que lhe garantiu a artilharia da Sul-Americana de 2003. Os peruanos ainda viraram, novamente com Portilla, mas cederam empate nos minutos finais após Salas guardar o dele. Na primeira metade da decisão, um ruidoso 3 a 3.

O “Pai da América”

Como a Conmebol exigia capacidade mínima de 40 mil torcedores no estádio da decisão e o Garcilaso de la Vega só comportava pouco mais da metade dessa cifra, o último jogo daquela edição rolou em outro Monumental, o da UNSA, em Arequipa, no dia 19 de dezembro de 2003.

Após um primeiro tempo sem gols e dominado pelo River, o volante do Cienciano, Juan Carlos La Rosa, foi expulso aos seis minutos da etapa final. No entanto, uma possível pressão argentina deu lugar ao aparente desgaste da equipe de Pellegrini, na altitude de 2.400 metros da segunda maior cidade peruana. Situação muito bem aproveitada pelo zagueiro paraguaio Carlos Lugo, que converteu uma falta no canto rasteiro do goleiro Constanzo.

O Cienciano ainda terminaria a partida com nove jogadores em campo após expulsão do meio-campista Julio García. No entanto, nada tiraria a glória de Cusco que, assim como na época do Império Inca, voltava a brilhar por todo o continente. No ano seguinte, o clube ainda conquistaria a Recopa Sul-Americana sobre o Boca Juniors, o que lhe renderia o apelido de El Papá de América” (“O Pai da América”).

Cienciano 1×0 River Plate, ficha do jogo

CIENCIANO
Oscar Ibanez; Alessandro Moran, Santiago Acasiete, Carlos Lugo e Giuliano Portilla; Juan Carlos La Rosa, Juan Carlos Bazalar (Miguel Llanos), Paolo Maldonado (Cesar Ccahuantico) e Julio Garcia; Rodrigo Saraz e German Carty; Técnico: Freddy Ternero.

RIVER PLATE
Franco Costanzo; Oscar Ahumada (Luis Ludena), Horacio Ameli, Eduardo Tuzzio e Ricardo Rojas; Eduardo Coudet, Javier Mascherano, Luis Gonzalez (Alejandro Dominguez) e Marcelo Gallardo; Maximiliano Lopez e Marcelo Salas (Daniel Montenegro); Técnico: Manuel Pellegrini.

Data: 19/12/2003;
Estádio: Monumental de Arequipa, Peru;
Público: 44 mil pagantes;
Árbitro: Gustavo Mendez, Uruguai;
Cartões vermelhos: Juan Carlos La Rosa (6′ do 2º tempo) e Julio Garcia (41′ do 2º tempo);
Gol: Carlos Lugo (32′ do 2º tempo).

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Cienciano na Sul-Americana de 2003

  • Fase Qualificatória
    Cienciano 1 x 0 Alianza Lima (Cusco, Peru)
    Alianza Lima 0 x 1 Cienciano (Lima, Peru)
  • Oitavas de final
    Cienciano 4 x 0 Universidad Católica (Cusco, Peru)
    Universidad Católica 3 x 1 Cienciano (Santiago, Chile)
  • Quartas de Final
    Santos 1×1 Cienciano (Santos, Brasil)
    Cienciano 2×1 Santos (Cusco, Brasil)
  • Semifinal
    Atlético Nacional 1×2 Cienciano (Medellín, Colômbia)
    Cienciano 1×0 Atlético Nacional (Cusco, Peru)
  • Final
    River Plate 3×3 Cienciano (Buenos Aires, Argentina)
    Cienciano 1×0 River Plate (Arequipa, Peru)