Lionel Messi não defenderá mais a seleção argentina. O ídolo anunciou, nesta segunda-feira, 31, a sua aposentadoria da Albiceleste. Em suas redes sociais, o craque publicou uma emocionante carta escrita à mão falando sobre sua decisão.
“Depois desse tempo que passou desde a final, e de muito pensar, quero comunicar a todos que estou me aposentando da seleção… Foi uma decisão que doeu e dói na alma, mas entendo que chegou o momento”, iniciou o jogador de 39 anos.
“Juro que sempre dei tudo de mim, não apenas nos últimos anos, quando ganhamos tudo, mas também antes disso. Sempre lutei e me entreguei totalmente por esta camisa, para lhes dar alegrias e fazer com que se sentissem orgulhosos de ser argentinos através do futebol”, continuou.
O adeus de um ídolo é sempre marcante, mas de um craque como Messi, que escreveu capítulos inesquecíveis pela Argentina, é ainda mais doloroso. PLACAR conversou com jornalistas, que apontaram quem deve ser o sucessor da lendária camisa 10 albiceleste.
O herdeiro da camisa 10

Nico Paz (à esq.) e Thiago Almada (à dir.) em ação pela Argentina – Reprodução/@Argentina e EFE/ Kenneth Fernández
Tanto o jornalista argentino Diego Borinsky, autor do livro Scaloni – Biografia Oficial, e Ivo Gorza, da TNT Sports Argentina, admitem uma preocupação sobre o herdeiro. Dentre os nomes que já fazem parte do grupo da Scaloneta, como ficou conhecida a seleção de Lionel Scaloni, dois atletas surgem como favoritos, um deles bem conhecido dos brasileiros: Thiago Almada, ex-Botafogo e hoje no River Plate, e Nico Paz, do Como.
“Almada é mais um meia pela esquerda ou meia-atacante, muito desequilibrante, mas não o vejo como um armador clássico. Ele tem um estilo parecido com o do Messi, embora jogue pela direita, obviamente. De todos os jogadores promissores, o que eu mais gosto é o Nico Paz, ele é um talento nato. No Como, sob o comando do Fàbregas, ele está jogando mais como segundo atacante, logo atrás do camisa 9. É impossível comparar qualquer um ao Messi, não existe ninguém como ele, mas, para mim, esse garoto é o mais talentoso de todos“, afirma Borinsky.
“Não há outro nome com a mesma continuidade, especialmente no caso de Nico Paz, que vem de um excelente ano no Como, ao contrário de Almada no Atlético de Madrid. Na verdade, é muito provável que ele deixe a Espanha nesta janela de transferências. Mas, para mim, considerando desempenho, posição e atributos, Nico Paz pode acabar sendo aquele que vai assumir o protagonismo. É verdade que Almada vinha apresentando um bom desempenho na seleção, com exceção da Copa do Mundo“, disse Gorza.
Almada, que foi campeão da Libertadores de 2024 com o Botafogo e depois se transferiu ao Atlético de Madrid, onde teve poucas chances, tem 25 anos, enquanto Nico Paz tem 21.
Opções que correm por fora

Messi e Mastantuono, em encontro na sede da AFA – Reprodução/Instagram
O olhar dos especialistas, porém, não se limita aos 26 convocados por Lionel Scaloni para o Mundial deste ano. Além de Almada e Paz, ambos mencionaram Franco Mastantuono, do Real Madrid, e Claudio Echeverrí, do Manchester City. O primeiro, inclusive, já usou a 10 de Messi, diante do Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
“Mastantuono e Echeverrí têm potencial para serem jogadores importantes, embora estejam longe do nível de Messi. Mastantuono é mais um armador, enquanto Echeverri atua mais no terço final do campo, confiando no drible e na capacidade de desestabilizar a defesa. Eles surgiram de forma impressionante, mas depois passaram por uma fase difícil. Echeverri quase não jogou no City, depois foi para o Girona, mas não deu em nada. Mastantuono chegou ao Real Madrid durante uma crise e não conseguiu se firmar. Ele certamente tem talento, um clássico camisa 10 argentino, embora com uma inclinação maior para o lado direito“, analisou Borinsky.
“Mastantuono é um caso bem parecido com o de Nico Paz, especialmente pelo fato de ele estar emprestado pelo Real Madrid. Primeiro, precisamos ver para onde ele vai em seguida e qual será o seu desempenho. Mas acredito que ele seja um forte candidato para assumir essa função, principalmente porque a seleção está prestes a passar por uma certa renovação geracional. […] Não vejo isso acontecendo com o Echeverrí, porque as coisas não correram muito bem para ele no Girona. E ele perdeu bastante espaço na hierarquia do elenco argentino”, destacou Gorza.

Claudio Echeverri comemora um de seus três gols contra o Brasil nas quartas de final do Mundial sub-17 – Twitter/@fifa
Emiliano Buendía, do Aston Villa, e Matías Soulé, da Roma, são outros nomes apresentados por Gorza. Paulo Dybala, também da Roma, é outro jogador analisado, mas que perde força por conta de sua idade na próxima Copa (35 anos).
Em sua análise, Borinsky também fala sobre a formação de camisas 10 na Argentina. Segundo ele, “o gambeteador, driblador de talento especial, sempre surge.” O jornalista, no entanto, enxerga que o trabalho na base reprime cada vez mais os jovens com essas características de jogo.
“Acho, sim, que o treinamento nas categorias de base tende a reprimi-los um pouco, porque o foco está no “passe e movimento”, “passe e recepção”, no jogo de dois toques, e isso vai um pouco contra essa essência. Porém, eles (camisas 10) continuarão aparecendo”, concluiu.
Em geral, sendo para a 10 ou não, Gorza destaca que estes trabalhos são desenvolvidos em conjunto entre a comissão técnica da seleção principal e Diego Placente, ex-lateral da seleção argentina, responsável pelas equipes sub-15 e sub-17.
“Diego Placente trabalha em conjunto com ex-companheiros que estão na comissão técnica da seleção principal: Aimar, Scaloni, Ayala e Samuel. Todos compartilham o mesmo DNA, então existe uma abordagem lógica para preparar as categorias de base para que os jogadores possam dar o salto para a seleção principal”, destacou.








