Não foram apenas os milhões de argentinos e apaixonados por futebol que se emocionaram ao longo do último tango de Lionel Messi na Copa deste ano. O próprio craque de 39 anos caiu em prantos após o vice-campeonato diante da Espanha ao observar sua torcida pela última vez no torneio.

O adeus de um ídolo é sempre doloroso, e ainda que Messi não tenha formalizado sua aposentadoria da Albiceleste, já se pensa em quem é o sucessor natural do camisa 10. PLACAR procurou jornalistas argentinos, que apontaram caminhos.

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O herdeiro da lendária camisa 10

Messi festeja o triunfo e a sua terceira final de Copa na carreira -Alexandre Battibugli/PLACAR

Messi festeja o triunfo e a sua terceira final de Copa na carreira -Alexandre Battibugli/PLACAR

Uma coisa é certa: ainda não há um nome de consenso e plenamente pronto para assumir a responsabilidade de vestir La Diez de Maradona e Messi. Há até quem pense que talvez seja cedo demais para este debate.

Para o jornalista argentino Diego Borinsky, autor do livro Scaloni – Biografia Oficial, afirmar se Messi estará ou não na Copa de 2030, quando terá 43 anos, é impossível, pois, segundo ele, “Messi é um extraterrestre”.

Já o jornalista Ivo Gorza, da TNT Sports Argentina, acredita que o craque jogará por mais um ou dois anos, mas não se arrisca a dizer que é impossível que ele esteja no Mundial de 2030.

Ambos, porém, admitem uma preocupação sobre o herdeiro. Dentre os nomes que já fazem parte do grupo da Scaloneta, como ficou conhecida a seleção de Lionel Scaloni, dois nomes surgem como favoritos, um deles bem conhecido dos brasileiros: Thiago Almada, ex-Botafogo e em negociações avançadas com o Flamengo, e Nico Paz, do Como.

Nico Paz (à esq.) e Thiago Almada (à dir.) em ação pela Argentina - Reprodução/@Argentina e EFE/ Kenneth Fernández

Nico Paz (à esq.) e Thiago Almada (à dir.) em ação pela Argentina – Reprodução/@Argentina e EFE/ Kenneth Fernández

“Almada é mais um meia pela esquerda ou meia-atacante, muito desequilibrante, mas não o vejo como um armador clássico. Ele tem um estilo parecido com o do Messi, embora jogue pela direita, obviamente. De todos os jogadores promissores, o que eu mais gosto é o Nico Paz, ele é um talento nato. No Como, sob o comando do Fàbregas, ele está jogando mais como segundo atacante, logo atrás do camisa 9. É impossível comparar qualquer um ao Messi, não existe ninguém como ele, mas, para mim, esse garoto é o mais talentoso de todos“, afirma Borinsky.

Não há outro nome com a mesma continuidade, especialmente no caso de Nico Paz, que vem de um excelente ano no Como, ao contrário de Almada no Atlético de Madrid. Na verdade, é muito provável que ele deixe a Espanha nesta janela de transferências. Mas, para mim, considerando desempenho, posição e atributos, Nico Paz pode acabar sendo aquele que vai assumir o protagonismo. É verdade que Almada vinha apresentando um bom desempenho na seleção, com exceção da Copa do Mundo“, disse Gorza. 

Almada, que foi campeão da Libertadores de 2024 com o Botafogo e depois se transferiu ao Atlético de Madrid, onde teve poucas chances, tem 25 anos, enquanto Nico Paz tem 21.

Correndo por fora

Messi e Mastantuono, em encontro na sede da AFA - Reprodução/Instagram

Messi e Mastantuono, em encontro na sede da AFA – Reprodução/Instagram

O olhar dos especialistas, porém, não se limita aos 26 convocados por Lionel Scaloni para o Mundial deste ano. Além de Almada e Paz, ambos mencionaram Franco Mastantuono, do Real Madrid, e Claudio Echeverrí, do Manchester City. O primeiro, inclusive, já usou a 10 de Messi, diante do Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

“Mastantuono e Echeverrí têm potencial para serem jogadores importantes, embora estejam longe do nível de Messi. Mastantuono é mais um armador, enquanto Echeverri atua mais no terço final do campo, confiando no drible e na capacidade de desestabilizar a defesa. Eles surgiram de forma impressionante, mas depois passaram por uma fase difícil. Echeverri quase não jogou no City, depois foi para o Girona, mas não deu em nada. Mastantuono chegou ao Real Madrid durante uma crise e não conseguiu se firmar. Ele certamente tem talento, um clássico camisa 10 argentino, embora com uma inclinação maior para o lado direito“, analisou Borinsky.

“Mastantuono é um caso bem parecido com o de Nico Paz, especialmente pelo fato de ele estar emprestado pelo Real Madrid. Primeiro, precisamos ver para onde ele vai em seguida e qual será o seu desempenho. Mas acredito que ele seja um forte candidato para assumir essa função, principalmente porque a seleção está prestes a passar por uma certa renovação geracional. […] Não vejo isso acontecendo com o Echeverrí, porque as coisas não correram muito bem para ele no Girona. E ele perdeu bastante espaço na hierarquia do elenco argentino”, destacou Gorza.

Claudio Echeverri comemora um de seus três gols contra o Brasil nas quartas de final do Mundial sub-17 - Twitter/@fifa

Claudio Echeverri comemora um de seus três gols contra o Brasil nas quartas de final do Mundial sub-17 – Twitter/@fifa

Emiliano Buendía, do Aston Villa, e Matías Soulé, da Roma, são outros nomes apresentados por Gorza. Paulo Dybala, também da Roma, é outro jogador analisado, mas que perde força por conta de sua idade na próxima Copa (35 anos).

Em sua análise, Borinsky também fala sobre a formação de camisas 10 na Argentina. Segundo ele, “o gambeteador, driblador de talento especial, sempre surge.” O jornalista, no entanto, enxerga que o trabalho na base reprime cada vez mais os jovens com essas características de jogo.

“Acho, sim, que o treinamento nas categorias de base tende a reprimi-los um pouco, porque o foco está no “passe e movimento”, “passe e recepção”, no jogo de dois toques, e isso vai um pouco contra essa essência. Porém, eles (camisas 10) continuarão aparecendo”, concluiu.

Em geral, sendo para a 10 ou não, Gorza destaca que estes trabalhos são desenvolvidos em conjunto entre a comissão técnica da seleção principal e Diego Placente, ex-lateral da seleção argentina, responsável pelas equipes sub-15 e sub-17.

Diego Placente trabalha em conjunto com ex-companheiros que estão na comissão técnica da seleção principal: Aimar, Scaloni, Ayala e Samuel. Todos compartilham o mesmo DNA, então existe uma abordagem lógica para preparar as categorias de base para que os jogadores possam dar o salto para a seleção principal”, destacou. 

Preparação para o ciclo de 2030

Jogadores da Argentina que disputaram a Copa do Mundo de 2026 - Reprodução/@Argentina

Jogadores da Argentina que disputaram a Copa do Mundo de 2026 – Reprodução/@Argentina

Além do herdeiro da 10, o ciclo da Copa do Mundo de 2030 também é tratado com atenção. Ao ser questionado sobre o assunto, Borinsky fez um diagnóstico inicial sobre os atletas que devem seguir como a espinha dorsal da seleção.

“A Argentina conta com vários jogadores que já têm uma Copa do Mundo no currículo, mas ainda são jovens, como Enzo Fernández, Julián Álvarez, Alexis Mac Allister e Cristian Romero, embora o Cuti seja um pouco mais velho. Os três primeiros que mencionei chegaram à Copa do Catar como reservas, com 20, 21 e 22 anos, e conquistaram a titularidade. Eles garantiram seus lugares durante o próprio torneio, tendo disputado pouquíssimas partidas pela seleção anteriormente, e os três foram decisivos. Eles não tiveram um desempenho tão bom na Copa de 2026, mas continuarão sendo pilares da equipe”, analisou.

Outros atletas, no entanto, dificilmente estarão à disposição na próxima Copa, como é o caso de Otamendi, Tagliafico e De Paul. Os jornalistas, no entanto, apontam jogadores que podem contribuir e figurar no próximo Mundial.

Acho que Valentín Barco, por exemplo, é alguém que estará presente em 2030. Também penso em Panicelli e Perrone para o meio-campo. Penso em Equi Fernández, por exemplo, outro meio-campista central que também foi cogitado durante a gestão de Scaloni. Julio Soler, por exemplo, o lateral-esquerdo que não teve muito sucesso ao se transferir para a Premier League, mas fez um excelente Mundial Sub-20. Agustín Giay, na direita, é outro jogador que acredito que também possa adquirir uma experiência valiosa”, destaca Gorza, citando o lateral do Palmeiras. 

“Tem o Valentín Barco, o Flaco López, o Taty Castellanos, que já tem um pouco mais de experiência. O nome do Santi Castro sempre surge, que joga no Bologna, e ele é muito bom. O Máximo Perrone, que o Manchester City comprou e estava no Como, figurou na lista preliminar. O Emiliano Buendía, que se destacou no Aston Villa, e eu achava que ele iria para a Copa do Mundo, mas acabou não indo. Sempre há jogadores surgindo”, finaliza Borinsky. 

Não é novidade que o ciclo de Copa do Mundo é recheado de dúvidas, desafios e, às vezes, respostas. De um lado, algumas certezas na seleção argentina, como Enzo Fernández, Mac Allister, Álvarez e Cristian Romero. Do outro, porém, uma das maiores incógnitas dos últimos tempos: o herdeiro da 10 de Messi.

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