O treinador Carlo Ancelotti concedeu suas primeiras entrevistas exclusivas desde a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, diante da Noruega. Entre autocrítica, convicções e projeções, o italiano abriu o jogo e fez análises sobre a seleção brasileira.

Eliminação na Copa do Mundo

Vini Jr. lamenta eliminação do Brasil contra Noruega - Alexandre Battibugli/PLACAR

Vini Jr. lamenta eliminação do Brasil contra Noruega – Alexandre Battibugli/Placar

Ao ser questionado sobre a queda na Copa, Ancelotti analisou o que levou à derrota diante da Noruega. Segundo ele, a seleção perdeu a Copa na pausa de hidratação contra a Noruega.

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“Mas eu acho que perdemos a Copa do Mundo na pausa da hidratação contra a Noruega. Por quê? Porque, até ali, a equipe tinha o controle. […] Aí é que pode ter sido o meu erro pensar que a equipe perdeu o controle do jogo quando não estava perdendo o controle. Eu mudei um pouco a equipe, e aí tivemos o problema com o gol do Erling Haaland. E depois, numa Copa do Mundo, quando fazem um gol em você no minuto 30, é muito complicado recuperar. E tivemos a oportunidade de recuperar”, declarou à ESPN.

“A Noruega teve a posse de bola, sim. Mas teve a maioria da posse de bola em seu campo. Porque o Odegaard baixava. Se você fazia muita pressão, eles queriam sair da pressão para fazer transição. Acho que o número estatístico de posse de bola não é tão importante. É verdade que o time que ganhou a Copa do Mundo, a Espanha, teve muita posse de bola. Mas a Espanha sofreu um gol. Teve muita posse de bola porque a Espanha tem a geração de meio-campistas muito forte”, analisou ao ge.

Ao portal ge, o treinador também falou sobre seu sentimento após a eliminação no Mundial.

“Impactou. Impactou muito a nível pessoal. Na minha carreira, eu ganhei muito, mas tive muitas derrotas. Mais derrotas do que vitórias. Essa é diferente, porque você não tem tempo para pensar e reagir. Em um clube, você perde um jogo, mas depois de 15 dias ou um mês, você tem essa possibilidade. Aqui, o prazo é mais longo e você tem que digerir pouco a pouco. É mais complicado. A derrota está digerida, foi uma derrota decepcionante, porque acho que o Brasil tinha que chegar mais longe na Copa do Mundo. Mas aconteceu, temos que olhar para frente”, revelou.

Neymar na Copa e aposentadoria da seleção

Neymar e Carlo Ancelotti durante treino da seleção brasileira - Rafael Ribeiro / CBF, Nelson Terme / CBF

Neymar e Carlo Ancelotti durante treino da seleção brasileira – Rafael Ribeiro / CBF, Nelson Terme / CBF

O treinador também comentou sobre o desempenho de Neymar na Copa, avaliando a lesão que o afastou de alguns jogos no torneio e sua recuperação.

“A única coisa que me incomodou é que o Neymar podia treinar nesse período, preparar-se melhor, podia estar melhor no primeiro jogo e não no quarto jogo. Isso foi a única coisa que me incomodou. Depois, a atitude do jogador foi perfeita. Treinou muito bem, estava focado na recuperação, ajudou a equipe, ajudou os companheiros, estava muito sério e concentrado no treinamento”, revelou à ESPN.

“A presença do Neymar foi muito positiva na equipe, porque Neymar se portou muito bem no nível profissional. No nível de seriedade, ajudou, era muito querido na equipe”, disse ao Metrópoles.

Na última terça-feira, 28, após o duelo entre Santos e Universidad Central, da Venezuela, Neymar anunciou sua aposentadoria da seleção brasileira. Ao ser questionado sobre o assunto, Ancelotti analisou a decisão do atleta.

“Eu penso que jogadores como o Neymar, que já comentou ontem, e todo o respeito com sua decisão. Eu creio que a história, uma geração se acaba e a outra tem que vir, tem que ser melhor que a última“, comentou à ESPN.

“Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos”, disse ao ge, falando também sobre outros jogadores que deixam de fazer parte do próximo ciclo.

Futuro e ciclo para a Copa do Mundo de 2030

Estêvão virou protagonista desde a chegada de Ancelotti na seleção - Franck Fife/AFP

Estêvão com a camisa da seleção brasileira – Franck Fife/AFP

Ancelotti também projetou o futuro da seleção brasileira, analisando quais jogadores devem liderar o ciclo para a Copa do Mundo de 2030.

“Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028. Temos que ter uma conexão muito forte com a sub-20, que tem que preparar as Olimpíadas. Dali podem sair jogadores para a próxima Copa do Mundo. […] Há os jovens que já estiveram conosco: Estêvão, Rayan, Endrick, esses vão ser muito importantes. O Vitor Reis, por exemplo. Nomear jogadores é complicado, mas há jovens no Brasileirão, goleiros que estão jogando e mostrando qualidade para serem potencialmente da Seleção”, disse ao ge.

“Acho que temos que observar novos goleiros. E há novos goleiros. Há goleiros jovens que estão jogando no Campeonato Brasileiro, que temos que olhar. Levando em conta as qualidades que segue tendo o Alisson, segue tendo o Ederson. A ideia é fazer uma avaliação muito atenta dos novos goleiros”, analisou a safra de goleiros ao ge.

“Todo mundo está na mesma ideia. Faltam meio-campistas. Temos laterais jovens que estão progredindo. Wesley era um desses que poderia jogar a Copa do Mundo. Temos outros laterais-esquerdos, sem citar nomes, jovens que estão jogando no Campeonato Brasileiro. Temos goleiros jovens que estão jogando no Brasileiro. Esses são os perfis que vamos avaliar no próximo ciclo. Tendo em conta que a prioridade é buscar meio-campistas”, comentou ao Metrópoles.

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