O técnico do Canadá, Jesse Marsch, acredita que a seleção anfitriã da Copa do Mundo pode tirar proveito do cansaço de Marrocos para seguir surpreendendo na competição. Marsch, contudo, não poupou elogios ao potencial do rival, comparando o time africano a “um filme de terror sangrento”.
A equipe iniciou nesta quarta-feira, 1º, em Houston, a preparação para o decisivo duelo que ocorre no sábado, 4, às 14h (de Brasília), no NRG Stadium.

“Há uma confiança interna muito grande no trabalho que estamos desenvolvendo e no que já construímos. Agora chegou o momento de testar isso no patamar mais alto possível. Acredito que os jogadores estarão motivados com o desafio. Eu disse que era um ‘tiro livre’, um jogo sem obrigações, onde não temos nada a perder. Todo mundo espera a nossa derrota, então entraremos em campo sem medo, prontos para ir para cima de verdade. É essa mentalidade que estamos incentivando no grupo”, iniciou dizendo Marsch.
“O treinos aqui não serão tão intensos porque o calor está sufocante e precisamos de pernas frescas, ainda mais considerando que o Marrocos teve que jogar 120 minutos debaixo de sol lá em Monterrey. Esse é um fator do qual, potencialmente, podemos tirar vantagem, mas temos que saber explorar isso em campo”, completou.

Jesse Marsch está desde maio de 2024 no comando de uma das anfitirãs da Copa – Bienvenido Velasco/EFE
Primeiro classificado às oitavas de final, o Canadá venceu por 1 a 0 a África do Sul no tempo regulmentar, marcando já no fim da partida, enquanto a seleção africana superou a Holanda em um jogo disputado, só decidido após prorrogação e cobranças de pênaltis.
“Eu chamei a nossa preparação para enfrentar a Suíça (no último jogo da fase de grupos) de um ‘show de terror’. Se aquele foi o caso, então a preparação para o Marrocos é um filme de terror sangrento, algo horrível (risos). Eles são bons demais, dá até aflição de ver jogar”, brincou o treinador, que voltou a falar sobre a oportunidade do país pelo fato de jogar sem pressão:
“Mas, no fundo, é exatamente aqui que nós queríamos estar. Essa sempre foi a nossa real expectativa. Sabemos que todo mundo vai nos descartar e, justamente aí, reside uma grande oportunidade. No fim das contas, estamos focados em buscar a nossa melhor versão para essa partida e entregar a performance das nossas vidas. É isso que nos dará uma chance”.

Jogadores do Marrocos celebram o gol de Issa Diop diante da Holanda em Monterrey – Miguel Sierra/EFE
O Canadá chegou para a sua terceira participação em Copas tendo perdido apenas dois dos 17 jogos disputados desde 2025. O país jamais havia marcado um gol na competição, fato superado pelos quatro pontos somados na fase de grupos, que asseguraram a segunda colocação. Nos 16 avos de final, superou a África do Sul.
“Acho que aprendemos com a fase de grupos e fomos capazes de aplicar isso. Sobre a nossa performance contra a África do Sul, digam o que quiserem sobre se deveríamos ter marcado gols mais cedo ou se deveríamos ter feito isso ou aquilo, mas nós não demos chance nenhuma a eles. Nada. As pessoas queriam criticar, dizendo: ‘não foi um jogo bonito’. Mas aí você assiste aos outros confrontos das oitavas, e todos foram para a prorrogação, pênaltis ou decididos no apagar das luzes. Na verdade, nós tivemos a performance mais dominante até aqui. No mata-mata, nenhum time vai simplesmente se entregar. É com esse nível de competitividade que estamos lidando”, analisou o treinador.
Surpresa da Coppa do Mundo de 2022, terminando na quarta colocação, Marrocos ainda não foi derrotado no torneio, tendo empatado por 1 a 1 com o Brasil na estreia, vencido a Escócia por 1 a 0 e o Haiti por 4 a 2 na fase de grupos. Nos mata-matas, superou os holandeses na prorogação depois de um empate por 1 a 1.










