Em 21 de novembro de 2023, o site The Athletic, braço esportivo do tradicional jornal americano The New York Times, publicou uma polêmica pesquisa com 87 jogadores mantidos sob anonimato que elegeram o MetLife Stadium o palco de jogos mais odiado para a prática do futebol americano nos Estados Unidos.

“O gramado é um lixo e o lugar é sem graça”, disse um jogador. “Tudo naquele lugar é horrível”, completou outro.

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Compartilhado pelos Giants e pelos Jets, o estádio recebeu 18,4% dos votos, com fortes críticas ao gramado sintético, mas também a estrutura como um todo: a falta de visibilidade em alguns pontos, a distância da arquibancada para o campo, a ausência de um teto retrátil –  o que não evita que os jogos sejam influenciados pelo tempo, seja o calor excessivo ou as chuvas – e até mesmo a estática externa.

Depois das “mordomias” do climatizado NRG Stadium, em Houston, no Texas, o palco que causa arrepios nos americanos voltará a ser a casa da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. A equipe encara a Noruega no próximo domingo, 5, às 17h (de Brasília), por uma vaga nas quartas de final.

Críticas ao gramado

Já nesta Copa do Mundo, não faltaram críticas à má qualidade do gramado, alvejado pelo atacante Vinicius Junior e pelo volante Bruno Guimarães logo na estreia do Brasil na competição, no empate por 1 a 1 diante de Marrocos.

“Não tem que ser desculpa, mas o campo estava muito seco. Até acostumar, nós erramos muitos passes e dificultou muito o começo do jogo”, justificou o meio-campista.

“Todo o tempo, o calor, a grama acaba secando muito rápido e o jogo fica muito travado. A gente não consegue ter ritmo de jogo e isso nos dificulta porque a gente quer jogar, quer mover a bola de um lado ao outro e isso atrapalha nosso jogo”, acrescentou Vini Jr.

Jogadores do Brasil durante a estreia na competição, diante de Marrocos, em 13 de junho - Ángel Colmenares/EFE

Jogadores do Brasil durante a estreia na competição, diante de Marrocos, em 13 de junho – Ángel Colmenares/EFE

A onda de críticas ganhou força com a fala do meio-campista francês Adrien Rabiot, que argumentou que a falta de qualidade do gramado “afeta a todos”, classificando o MetLife como um gramado “muito duro” e “artificial”. Os franceses atuaram por duas vezes no estádio, nas vitórias por 3 a 0 contra Senegal, na fase de grupos, e pelo mesmo placar diante da Suécia, nos 16 avos de final.

O técnico Didier Deschamps evitou aumentar a polêmica, mas deixou nas entrelinhas a sua insatisfação ao descrever a superfície como “especial”. “Pode haver um pouco de cimento sob a grama. Há partes muito curtas. Precisamos nos adaptar”, avaliou.

A Fifa, por sua vez, sustenta que eventuais áreas desgastadas não comprometem a qualidade do gramado.

Todo mundo odeia o MetLife

Inaugurado em 2010, o MetLife custou 1,6 bilhão de dólares (R$ 8,2 milhões), mas é frequentemente criticado por jornalistas e por atletas como o pior estádio moderno da NFL sustentado por três pilares.

O primeiro deles é a grama sintética, apelidada por astros da liga como Deathlife (a junção das palavras morte e vida em inglês) devido ao grande histórico de lesões graves. O caso mais famoso foi em 2023, quando o quarterback Aaron Rodgers rompeu o tendão de Aquiles atuando pelo Jets.

Para a Copa do Mundo, a grama sintética precisou ser substituída pela grama natural, que parece não estar adaptada ao local.

MetLife Stadium receberá a final da Copa do Mundo - Alexandre Battibugli/PLACAR

MetLife Stadium receberá a final da Copa do Mundo – Alexandre Battibugli/Placar

O segundo ponto é que, pelo fato de acomodar dois times rivais, o design interior precisou ser completamente neutro, descaracterizando a tradição dos estádios americanos de fazer alusão às cores de suas equipes da casa.

Até mesmo críticos de arquitetura apontam o projeto como desastroso, já que tentou misturar um desejo arquitetônico dos Giants, com aço exposto e pedra, com o dos Jets, que optou por um conceito mais moderno, com metal e vidro. Por isso, é apontado como um enorme aparelho de ar-condicionado de janela.

Por fim, também pesa o fato do estádio estar localizado em uma região pântanos de Nova Jersey, Meadowlands, com transporte público considerado insuficiente para atender ao enorme público de 80.663, além de provocar engarrafamentos quilométricos.

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