Ainda era noite em algumas capitais brasileiras quando a seleção brasileira entrou em campo para enfrentar a Austrália, no primeiro amistoso após o fracasso na Copa do Mundo de 2026. O time entrou em campo carregando viagem longa a Brisbane, difícil adaptação ao fuso-horário e completa desconexão com o que já foi bom no futebol do país.

Entrou também carregando antipatia do trabalhador que levantou uma hora mais cedo na ilusória esperança de ver algum traço de melhora após o vexame no Mundial. Nada feito. Assistir ao noticiário matinal seria mais emocionante. A equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti conseguiu ser ainda mais inerte e atabalhoada do que aquela foi à América do Norte.

A escalação com quatro atacantes, dois meio-campistas e quatro defensores espaçou o Brasil diante de uma organizada seleção australiana. Escalados meias, os volantes Danilo e Bruno Guimarães não conseguiram conectar as bolas aos homens de frente. Vinicius Júnior, mais uma vez mal, também pouco tirou lances da cartola. Endrick e Raphinha, centralizados, alternavam desesperados recuos para buscar a bola.

Nestory Irankunda e Marquinhos, em Brasil x Austrália - Divulgação / @Socceroos

Nestory Irankunda e Marquinhos, em Brasil x Austrália – Divulgação / @Socceroos

Capaz de fazer alguém levantar a sobrancelha, apenas Estêvão. Reserva no Chelsea nesta temporada e retornando de uma grave lesão que o tirou da Copa passada, o garoto deu doses menos amargas ao jogo. Corajoso, por vezes inquieto quando preso na direita ofensiva, foi brio.

Em um Brasil que poderia se camuflar nos infinitos campos desérticos dos outbacks australianos, o camisa 11 parecia um oásis. Ou talvez uma miragem, causada pela extrema falta de algo apetitoso a se tirar daquilo que montou o técnico italiano. O empate para a Austrália, porém, não foi evitado.

Mas caso seja necessário tirar algum proveito de uma manhã de sexta-feira, Estêvão é o refúgio. A rara peça briosa da apagada seleção brasileira. Que seja ele, então, a pedra fundamental do ciclo para a Copa do Mundo de 2030.

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