A primeira parte do ciclo de Carlo Ancelotti a frente da seleção brasileira foi concluída nesta Data Fifa com o empate diante da Tunísia. Desde a chegada em maio, foram oito partidas, com quatro vitórias, dois empates e duas derrotas, algumas atuações elogiadas e a confirmação da classificação à Copa, mas nada salta tanto aos olhos do treinador como o protagonismo do atacante Estêvão.

Artilheiro do Brasil na era Ancelotti, com cinco gols, o jogador de apenas 18 anos do Chelsea ganha espaço com a amarelinha e dá claros sinais que pode ser titular na próxima Copa do Mundo.

“[Estêvão] trabalha muito bem. É uma pessoa que não parece a idade que tem, é maduro. Tem coisas para melhorar, obviamente, que não é pelo talento. Isso ele já tem. O importante é que ele não se contente com o que é agora, porque pode ser melhor no futuro”, disse Ancelotti, após o triunfo diante por 2 a 0 diante de Senegal, em que Estêvão marcou um dos gols.

Carlo Ancelotti mantém expectativas sobre Neymar - Rafael Ribeiro/Divulgação/CBF

Ancelotti tem aprovado o desempenho de Estêvão com a amarelinha – Rafael Ribeiro/CBF

Foram cinco bolas na rede em cinco partidas como titular. Depois do primeiro na partida contra o Chile, a terceira de Ancelotti no comando da seleção, o atacante não parou mais: deixou a sua marca diante da Coreia do Sul, duas vezes, e foi o nome mais elogiado nos duelos com Senegal e Tunísia, ambos marcando gols.

“Estou feliz pelo gol, mas triste pelo resultado. Poderíamos sair com a vitória, mas jogamos contra uma seleção forte e que se impôs. Agora é seguir no clube e estar bem para o ano que vem. Foi um ano especial para mim, com alguns altos e baixos, mas estar aqui significa um trabalho bem feito no clube e em casa. Fico muito feliz de representar a seleção”, falou o jogador.

O sexto gol poderia ter acontecido caso tivesse realizado a cobrança de pênalti diante dos tunisianos, desperdiçada por Lucas Paquetá. Curiosamente, foi o próprio treinador quem orientou o meio-campista a realizar a batida, mesmo com Estêvão já tendo convertido anteriormente no mesmo jogo.

Estêvão em ação na vitória do Chelsea sobre o Benfica - Adrian Dennis / AFP

Estêvão também vive boa sequência em sua primeira temporada na Inglaterra – Adrian Dennis/AFP

Ancelotti justificou a decisão como uma forma de tirar a pressão de Estêvão: “Paquetá é o cobrador de pênaltis. Quando chegou o segundo pênalti, eu mudei porque pensei que ia tirar um pouco de pressão do Estêvão e o Paquetá geralmente cobra muito bem”.

De forma precoce, recai sobre Estêvão o protagonismo da atual seleção principalmente por atuações pouco convicentes de seus companheiros de ataque. Novamente, Vinicius Júnior e Rodrygo, do Real Madrid, foram criticados por não desempenharem pelo país o mesmo nível já visto no futebol espanhol.

Apesar da mudança de clube e de país na metade deste ano, Estêvão também assumiu rapidamente no Chelsea um proganismo surpreendente. Ele participou de 16 das 17 partidas do clube londrino, marcando quatro gols e contribuindo com uma assistência.

O impacto tão rápido, por sinal, dificulta a vida de Raphinha, inicialmente titular com Ancelotti e visto pelo treinador como um nome importante na seleção. O jogador está fora dos gramados desde o fim de setembro por conta de uma lesão muscular na coxa direita.

Além disso, pesa a favor de Estêvão o fato de, assim como Raphinha, se mostrar eficiente não somente jogando aberto pelo lado direito do campo, mas também na faixa mais central, como um articulador.

A não ser que uma catástrofe ocorra, Estêvão já está entre os 18 nomes tidos como certo por Ancelotti na Copa. E mais: até mesmo entre os 11.