O Grêmio vive a expectativa de um dos Grenais mais importantes da história enquanto alimenta o sonho de alcançar o Cruzeiro como maior campeão da Copa do Brasil, com seis taças. Na próxima quinta, 3, na Arena do Grêmio, o Tricolor encara o Internacional valendo vaga na semifinal, depois do empate sem gols na ida no Beira-Rio.

Nesta quarta-feira, 2, o Grêmio celebra os 37 anos do título inaugural da competição. Em 1989, o Grêmio bateu o Sport por 2 a 1, com gols de Assis e Cuca, e ficou com a nova taça.

O jovem Assis, irmão mais velho de Ronaldinho Gaúcho, foi, portanto, um dos heróis da conquista no Estádio Olímpico, o que lhe rendeu destaque na capa da edição nº 1004 de PLACAR, de 8 de setembro de 1989.

Edição nº 1004, de 8 de setembro de 1989

Edição nº 1004, de 8 de setembro de 1989

Esta edição do título gremista, que tinha como destaque o caso Rojas, envolvendo o goleiro chileno que acabaria banido do futebol por forjar uma agressão no Maracanã, está disponível em nosso acervo, que já tem quase 2.000 edições digitalizadas.

Confira, abaixo, um trecho do texto:

MANIA DE SER CAMPEÃO

O Grêmio uniu a força dos jovens à experiência dos velhos para ganhar seu segundo título em dois meses. Tão logo o juiz José de Assis Aragão apitou o encerramento da primeira Copa do Brasil, sábado à tarde, no Estádio Olímpico, o mais jovem jogador do Grêmio — Assis, de apenas 18 anos — tomou uma atitude típica de sua idade. Recusou abraços, dispensou entrevistas e saiu correndo como um louquinho, a gritar: “Sou campeão! Sou campeão! Sou campeão!”. Dezesseis anos mais velho, o capitão Edinho também se comportou da maneira esperada. Ao receber o troféu dourado das mãos do vice-presidente da CBF, Eurico Miranda, limitou-se a sorrir e a mostrá-lo aos quase 70 000 ensandecidos torcedores.

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Depois, comentou: “Eu já havia decidido abandonar a bola quando recebi o convite do Grêmio, em abril. Como eu estava certo ao aceitá-lo!”. Assis e Edinho já tinham agido de forma semelhante pouco tempo atrás, na conquista do pentacampeonato gaúcho. Nos 2 x 1 sobre o Sport — que deu o título ao Grêmio e o colocou na Taça Libertadores de 1990 —, confirmava-se: era essa fórmula tão antiga quanto o futebol, de juntar caudilhos calejados e jovens talentosos e entusiasmados, que havia produzido o segundo título gremista em pouco mais de dois meses. Mas não apenas isso.

Entre um e outro, sintetizando um pouco as virtudes dos dois, houve gente como Cuca, 26 anos, autor do gol que espantou a ameaça de tragédia (veja a entrevista na página 14). “A festa é dos jogadores”, declarou, antes de se evaporar, o modesto feiticeiro às avessas que bolou essa fórmula nada mágica — o técnico Cláudio Duarte. E eles não se fizeram de rogados. Muitos esguicharam champanhe nacional sobre os torcedores que os cercavam. Outros beberam. “Sempre é bom dar uma volta olímpica para mostrar que estamos trabalhando certo”, exultava Lino, 31 anos, que antes desses dois títulos consecutivos não corria ao redor de um campo, festejando, desde 1984, quando o Santos foi campeão paulista. Sem dúvida, o Grêmio trabalhou certo.

Assis comemora gol do Grêmio diante do Sport (Sergio Sade)

Assis comemora gol do Grêmio diante do Sport (Sergio Sade)