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James faz recital e vira favorito ao trono de craque da Copa América

Responsável por um gol e duas assistências diante do Panamá, meia conduz Colômbia com participação direta em 60% dos gols e 'déjà vu' de 2014

James Rodríguez pisou nos Estados Unidos para a disputa da Copa América tachado por muitos como um ex-jogador em atividade. Aos 32 anos, quase todas as menções ao nome do camisa 10 da Colômbia nos últimos tempos carregavam algum cunho pejorativo ou falavam somente do passado por Porto, Real Madrid e seleção. De fato, tudo conspirava contra ele.

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O meia não atuava pelo São Paulo desde 29 de abril, quando entrou por cinco minutos no clássico com o Palmeiras. Só havia participado de oito das 36 partidas da equipe brasileira na temporada, sendo duas delas como titular. Um calvário que só poderia ficar pior.

James cumpre na competição continental algo que o futebol parece adorar proporcionar: redenções. Neste sábado, 6, foi protagonista de um recital. Diante do Panamá, participou dos três gols no primeiro tempo: duas assistências e um pênalti convertido. A Colômbia venceu por 5 a 0 e está classificada à semifinal.

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James bateu no ângulo esquerdo para converter a penalidade - Patrick T. Fallon/AFP
James bateu no ângulo esquerdo para converter a penalidade – Patrick T. Fallon/AFP

São cinco assistências e um gol no torneio, um brilho que transporta e muito a melhor face já vista do jogador, há dez anos atrás, na Copa do Mundo no Brasil. “Foi no Brasil, em 2014, que fui definitivamente apresentado para o mundo”, disse na ocasião.

Elogiado a cada entrevista coletiva pelo técnico Néstor Lorenzo, James encontrou no argentino de 58 anos, um ex-zagueiro, a base de confiança necessária que não tem com outro argentino, Luis Zubeldía, no São Paulo.

Já sem a mesma condição física de dez anos atrás, ele joga com extrema liberdade. Marca bem pouco e fica posicionado quase sempre na zona central do ataque entre Luis Díaz, pelo lado esquerdo, e Córdoba, pelo direito. Muita vezes recua pela mesma faixa para armar o jogo.

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“Agora ele corre um pouco menos, mas pensa um pouco mais. É bom para ele. Ele está bem cercado, e é isso que o faz jogar bem’, afirmou o treinador.

A vistosa batida na bola a cada inversão de jogo ou tentativa de lançamento são como um deleite para quem ainda vê o camisa 10 no campo. Perguntado se James não estaria esgotado, precisando de descanso pela sequência de jogos após longo período inativo, Lorenzo resumiu: “ele vai jogar, a seleção precisa dele”.

James desfila com categoria no gramado do State Farm Stadium - Jamie Squire/Getty Images via AFP
James desfila com categoria no gramado do State Farm Stadium – Jamie Squire/Getty Images via AFP

E como precisa. Dos dez gols marcados no torneio, o meio-campista tem participação em seis. Ou seja, precisos 60% da produção efetiva da Colômbia na competição saiu dos seus pés.

A relação de amor entre James e torcedores colombianos também parece mais próxima que nunca. Cada vez que seu nome é anunciado pelo estádio, gritos eufóricos. Sempre que bate escanteios é possível ouvir o ‘som’ do estádio subindo.

Segundo o site de estatísticas Sofascore, ele tem a segunda maior média de notas do torneio: 8.23, atrás somente do venezuelano Jon Aramburu. Faz 68 ações com a bola por jogo, com pelo menos duas grandes chances criadas, além de quase quatro passes decisivos – que são seguidos por finalizações.

A média de acerto de passes é alta: 88%, assim como também as tentativas de bolas longas, que chegam a 79% de eficácia.

Diante dos panamenhos, ele obteve a maior nota da partida (9.0). Só preocupou parte dos torcedores pela possibilidade de ser substituído, após uma dura entrada sofrida aos 37 minutos, mas logo retornou depois do atendimento médico.

Camisa 10 colombiano se queixou de dores no tornozelo após sofrer entrada - Chris Coduto/AFP
Camisa 10 colombiano se queixou de dores no tornozelo após sofrer entrada – Chris Coduto/AFP

Em 2014, James saiu do Mundial como artilheiro, com seis bolas nas redes, alguns golaços e direto para o Real Madrid em negociação que girou 80 milhões de euros. Desta vez, o fim do script pode ser parecido: com protagonismo e negociado pelo São Paulo, que ouvirá propostas por ele ao término da competição.

Sem Neymar, machucado, com Messi ainda sem mostrar o conhecido brilho e um torneio instável de Vinicius Júnior, cai quase no colo do camisa 10 a condição de “rei” da Copa América. Quem sabe, desta vez, termine com o título.

Capa da PLACAR de junho - Guia da Copa América e da Euro, com Rodrygo
Guia da Copa América e da Euro, com Rodrygo na capa – Reprodução/Placar

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