O futebol sueco celebra nesta quinta-feira, 13 de agosto, o aniversário de um de seus grandes ídolos. O ex-goleiro Thomas Ravelli, segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa da seleção da Suécia (143), completa 67 anos. Lenda dos clubes locais Öster (pelo qual atou entre 1978 e 1988) e no IFK Gotemburgo (1989 – 1997), o irreverente Ravelli se tornou internacionalmente conhecido nas Copas do Mundo de 1990 e 1994. Na última, cruzou duas vezes o caminho do Brasil que se sagraria tetracampeão.
No torneio dos Estados Unidos, então com 34 anos, Ravelli foi um dos destaques da histórica campanha da Suécia, que empatou com o Brasil na primeira fase, perdeu de 1 a 0 na semifinal, e terminou com a medalha de bronze ao bater a Bulgária na decisão de terceiro e quarto lugares. Levou dois gols de Romário na Copa, um de biquinho e outro de cabeça, mas provocou os brasileiros com suas caretas e dancinhas.
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Ravelli contra Romário na edição comemorativa do tetra (PLACAR)
A edição comemorativa do tetracampeonato trazia a ficha e descrição das duas partidas. No primeiro duelo, o Brasil já estava classificado e foi surpreendido com o gol de Kennet Anderson antes do biquinho de Romário que venceu Ravelli.

O relato da semifinal conta como o Brasil sofreu para furar a retranca sueca. O gol salvador de Romário veio em cabeçada certeira, após cruzamento preciso de Jorginho “bem na cabeça do baixinho Romário (1.68 m), que fulminou o estático goleiro Ravelli, com uma testada mortífera, em maios aos gigantescos e perplexos zagueiros suecos. Com isso, Romário cumpriu a promessa que tinha feito antes do jogo: ‘Se os zagueiros da Suécia derem moleza, vou fazer um gol de cabeça.'”

A Suécia de Ravelli obteve seu segundo melhor resultado em Copas (atrás apenas do vice em 1958, também perdendo para o Brasil) em 1994, ao eliminar Arábia Saudita nas oitavas e Romênia nas quartas de final. Na decisão de terceiro e quarto lugares, goleou a Bulgária por 4 a 0. O melhor goleiro da competição não foi nem Ravelli, nem Taffarel, mas o belga Michel Preud’homme.

Time posado da Suécia, antes do jogo entre Brasil x Suécia, partida válida pela semifinal da Copa do Mundo de 1994 (Marcos Rosa/PLACAR)
Ravelli: carreira, irmão gêmeo e menções no acervo de PLACAR
Nascido em 13 de agosto de 1959, Thomas Ravelli ganhou fama mundial defendendo a seleção sueca entre 1981 e 1997, tanto por suas defesas, quanto por suas esquisitices. A irreverência em campo lhe rendeu o apelido de O Príncipe dos Palhaços.
Ravelli conquistou nova títulos suecos atuando por Öster IF e IFK Gotemburgo. A fama nos EUA o levou ao Tampa Bay Mutiny (1998–99) da recém-criada Major League Soccer, antes de retornar ao Öster em março de 1999, para encerrar a carreira aos 39 anos. Ele ainda voltaria a jogar aos 45 anos pelo Gårda BK, uma equipe semiprofissional da Suécia até pendurar definitivamente as luvas em 2006.

Ravelli no Guia da Copa de 1994 (PLACAR)
Como mostra edição de PLACAR, Ravelli chegou a ser recordista de jogos por uma seleção. No entanto, foi superado na Suécia por Anders Svenssen, que fez 148 jogos até 2013. O recorde geral foi pulverizado por Cristiano Ronaldo, com 233 jogos por Portugal.
Thomas Ravelli apareceu outras vezes nas páginas de PLACAR. No Guia da Copa de 1990, recebeu um dos destaques com foto do time com “ótimos jogadores”. A Suécia também enfrentou o Brasil no Mundial da Itália, e foi derrotada por 2 a 1, com gols de Careca, driblando Ravelli, e Branco.
A primeira menção a Ravelli – ou melhor, aos Ravelli – foi em 24 de junho de 1983, em reportagem que citava o então jovem goleiro que enfrentaria o Brasil em amistoso, bem como seu irmão gêmeo, Andreas Ravelli.
“O goleiro Thomas Ravelli, insuperável nos arremates de meia distância mas vulnerável em bolas rasteiras, é disc-jóquei de rádio duranre a semana. Andreas, seu irmão gêmeo, 23 anos, figurará no banco, como reserva da zaga”, dizia o texto, destacando o aspecto semiamador do futebol escandinavo da época.

Thomas Ravelli e seu gêmeo idêntico Andreas chegaram a atuar juntos por clubes e seleção. O zagueiro chegou a marcar dois gols pela Suécia, mas não disputou nenhuma competição internacional.
Já o goleiro Thomas, além dos Mundiais de 1990 e 1994, jogou a Eurocopa de 1992, na qual chegou a outra semifinal.
Títulos de Thomas Ravelli:
Östers
Campeonato Sueco: 1978, 1980 e 1981
Gotemburgo
Campeonato Sueco: 1990, 1991, 1993, 1994, 1995 e 1996
Copa da Suécia: 1991









