As seleções de França e Paraguai se enfrentam no próximo sábado, 4, às 18 horas, na Filadélfia. Embalada pela goleada sobre a Suécia, o time de Kylian Mbappé terá pela frente um resiliente quadro sul-americano: motivados pela improvável classificação nos pênaltis diante da Alemanha, a Albirroja mira o confronto na expectativa de vingar um antigo fantasma que assombra a seleção guaraní: o gol de ouro de Laurent Blanc, o primeiro caso de vitória por “morte súbita” na história dos mundiais.

O episódio, ocorrido nas oitavas de final da Copa de 1998 (sediada pela França), ficou marcado no imaginário do futebol paraguaio. Comandada pelo treinador brasileiro Paulo César Carpegiani, a seleção do Paraguai fazia uma campanha histórica. Após ficar sem disputar o torneio nas edições de 1990 e 1994, a Albirroja chegou ao mundial da França com uma seleção forte, que contava como nomes como Chilavert, Gamarra, Rivarola e Arce, se destacando pelo seu eficiente ferrolho defensivo. Num grupo difícil com Espanha, Bulgária e Nigéria, avançaram invictos ao empatar com os europeus e derrotarem a Nigéria por 3 a 1.

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Djorkaeff, no jogo contra o Paraguai, na Copa de Mundo de 1998 (Alexandre Battibugli / Placar)

Já a França, anfitriã e eventual campeã da competição, também contava com uma forte geração de jogadores em seu elenco:o meia Zinedine Zidane, o volante Didier Deschamps, o zagueiro Laurent Blanc, os atacantes Thierry Henry e David Trezeguet, entre outros. Por sua vez, passou por África do Sul, Árabia Saudita e Dinamarca na primeira fase da Copa.

Blanc decreta a morte súbita

No Estádio Félix-Bollaert, em Lens, os donos da casa estiveram próximos de serem eliminados logo na primeira disputa de mata-mata. A sólida linha de defesa do Paraguai conteve os ataques de Les Bleus por 112 minutos, com grandes atuações de Gamarra (que à época atuava pelo Corinthians e encerrou a Copa sem cometer uma falta sequer), Pedro Sarabia, Celso Ayala e Chiqui Arce. A França ainda lidava com um enorme desfalque: Zinedine Zidane fora suspenso por cartão vermelho, expulsão que sofreu por aplicar um pisão em Fouad Amin, da Arábia Saudita, em partida da primeira fase.

O time de Aimé Jacquet só conseguiu furar a retranca sul-americana aos 9 minutos da prorrogação. Depois de uma cabeçada de Trezeguet, o zagueiro Laurent Blanc dominou a bola rebatida e chutou firme, superando Chilavert. Como vigorava na época a regra do gol de ouro, que encerrava a partida assim que um dos times marcasse na prorrogação, o jogo terminou naquele lance, o que magoou toda uma geração de torcedores paraguaios.

Ayala, do Paraguai, no jogo contra a França, na Copa do Mundo de 1998.

Em entrevista concedida ao SporTV, em 2017, Carpegiani lamentou não ter substituído Carlos Gamarra, que permaneceu em campo mesmo lesionado. O gol francês nasceu de uma jogada no lado protegido pelo camisa 4.: “Eu tinha o Rivarola no banco. Era fazer a simples troca. E eu disse para ele: ‘Gamarra, é minha a responsabilidade. Eu preciso fazer uma outra coisa, senão nós não vamos aguentar isso’. Fiz uma outra modificação e acabei deixando o Gamarra. É um erro que eu carrego até hoje.” comentou.

Quase três décadas depois, Deschamps – o capitão francês naquela tarde – é o treinador de uma seleção que figura como grande sensação da Copa do Mundo de 2026 até aqui, enquanto o Paraguai de Gustavo Alfaro (o autodenominado “caçador de utopias) também se caracteriza por seu sistema defensivo forte. Orlando Gill, Júnior Alonso e Gustavo Gómez terão a missão de parar Mbappé, Olise e Dembelé. Resta saber se a vingança paraguaia se realizará ou se teremos a confirmação do favoritismo dos europeus.

Os gols de ouro nas Copas duraram apenas nas Copas de 1998 e 2002. Na Copa do Mundo da Coreia e do Japão mais três foram marcados: de Henri Camara, de Senegal contra Suécia, Ahn Jung-hwan, da Coreia do Sul contra a Itália e İlhan Mansız, da Turquia, contra Senegal.

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