Ídolo da Inter de Milão e da seleção holandesa, Wesley Sneijder foi ameaçado de morte após sair em defesa de Vinicius Júnior, do Real Madrid, contra Gianluca Prestianni, do Benfica, após o recente caso de racismo envolvendo o jogador. Em entrevista ao canal holandês ao programa Rondo, do canal holandês Ziggo Sport, o ex-jogador afirma ter recebido cerca de quatro a cinco mil mensagens com conteúdos ofensivos vindas da Argentina.

“Recebi quatro ou cinco mil ameaças de morte vindas da Argentina, na semana passada, por expressar minha opinião”, disse.

Na semana passada, Sneijder dirigiu fortes críticas a Prestianni, acusado pelo brasileiro de proferir injúrias raciais no jogo válido pela primeira partida dos playoffs da Champions League.

“Prestianni deveria ser homem e não tapar a boca enquanto diz isso a Vinicius. Se vai dizer isso, pelo menos diga sem tapar a boca”, afirmou o holandês na ocasião.

Além das críticas ao atacante do Benfica, Sneijder aproveitou a oportunidade para prestar apoio a Vini Jr: “você está ganhando por 1 a 0, acabou de marcar um gol fantástico, você não vai falar com o árbitro assim. Pode apostar que é verdade. Mas não dá para provar”, disse o ex-jogador.

Enquanto as investigações continuam, a Uefa já aplicou uma suspensão cautelar a Gianluca Prestianni, que supostamente utilizou o termo “mono” (macaco) para se referir ao jogador – encobrindo a boca com a camisa.

Vini Jr. denuncia racismo de Prestianni em Benfica x Real Madrid na Champions - PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Vini Jr. denuncia racismo de Prestianni em Benfica x Real Madrid na Champions – Patrícia de Melo Moreira/AFP

O regulamento da entidade prevê uma punição mínima de dez jogos caso a ofensa seja comprovada. Além do jogador, torcedores do Benfica também estão sob investigação por imitações racistas durante o confronto de ida.

Prestianni viajou com a delegação do Benfica mesmo estando suspenso provisoriamente. O clube português apresentou recurso contra a punição e aguarda uma definição oficial na expectativa que o jogador seja liberado para atuar.

No embarque em Lisboa, o argentino recebeu apoio de torcedores, e o presidente do Benfica, Rui Costa, voltou a defendê-lo publicamente: “É claro que é uma situação desconfortável para todos, tanto para o clube quanto para o jogador, que está sendo crucificado. No entanto, garanto que ele não é racista; caso contrário, não representaria mais o Benfica”.

O técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, utilizou a última entrevista antes da decisiva partida para desafiar a Uefa, principal entidade do futebol europeu, a tomar punições efetivas para combater o problema.

Arbeloa voltou a defender Vini Jr durante entrevista coletiva - EFE/ Javier Lizón

Arbeloa voltou a defender Vini Jr durante entrevista coletiva – EFE/ Javier Lizón

“Minha opinião continua a mesma da semana passada: temos uma grande oportunidade de marcar uma virada na luta contra o racismo. A Uefa, que sempre foi uma defensora dessa luta, tem a oportunidade de fazer mais do que apenas deixar isso como um slogan ou uma faixa bonita antes das partidas. E vamos torcer – ou melhor, eu torço – para que eles aproveitem essa oportunidade”, iniciou dizendo o treinador, que voltou a demonstrar apoio incondicional ao camisa 7.

O apoio a Vinicius Júnior envolveu personalidades como o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton e o ex-zagueiro Rio Ferdinand, além de clubes como o Flamengo, que manifestaram solidariedade ao atacante. O goleiro belga Thibaut Courtois, seu ccompanheiro de equipe, também reforçou o coro do Real Madrid, afirmando que “homofobia e racismo são igualmente graves” e que o grupo está unido para proteger seu companheiro.

Para se classificar às oitavas de final do torneio, o Real Madrid pode até empatar. Os merengues venceram a primeira partida por 1 a 0, em Lisboa, justamente com gol de Vinicius Júnior.