PSG e Arsenal fazem neste sábado, 30, na Puskás Arena, em Budapeste, a primeira final entre franceses e ingleses na história da Champions League. O cruzamento é curiosamente incomum, tendo em vista o peso histórico dos dois países no futebol europeu. Além disso, França e Inglaterra nunca se encontraram também numa final de seleções, em Copa do Mundo ou Eurocopa.

Em aspectos fora das quatro linhas, a relação entre os dois países atravessa séculos de disputa política, econômica e militar, apesar de aliados em guerras mundiais. França e Inglaterra estiveram em lados opostos na Guerra dos Cem Anos, nas guerras napoleônicas, nas disputas coloniais do século XIX e em parte importante da reorganização geopolítica da Europa moderna.

Dentro de campo, a Inglaterra organizou o futebol moderno, criando regras, profissionalizando clubes e espalhando o jogo. A França ocupa outro espaço nessa história, ajudando a transformar o esporte em fenômeno internacional com Jules Rimet, que participa diretamente da expansão da Fifa e da criação da Copa do Mundo.

As diferenças entre estilos de futebol

No futebol, essa diferença muitas vezes apareceu na forma como ingleses e continentais enxergavam o jogo. Em boa parte da Europa, o futebol inglês era visto como rígido, físico e pouco sofisticado taticamente. Porém, a derrota para a Hungria em Wembley, em 1953, costuma aparecer como ponto simbólico dessa ruptura.

O time inglês, naquele momento, enfrentou pela primeira vez, em grande escala, um futebol baseado em mobilidade, circulação curta e troca constante de posições. A transformação inglesa aconteceu lentamente nas décadas seguintes e passa, inclusive, pelo Arsenal e pela França.

Historicamente ligado ao futebol inglês tradicional, o clube muda de perfil a partir da chegada de Arsène Wenger, em 1996. O treinador francês, naquele momento, troca métodos de treino, preparação física e a própria construção técnica do elenco, passando a incorporar referências estrangeiras justamente no momento em que a Premier League se internacionalizou.

A falta de grandes finais internacionais

A ausência de finais entre França e Inglaterra também passa pelas trajetórias diferentes das duas escolas ao longo do século XX. A Inglaterra construiu cedo uma cultura de clubes extremamente forte, com ligas profissionalizadas, estádios cheios e enorme identidade local, com bons times de Manchester United e Liverpool continentalmente.

A França teve outro percurso e demorou mais para consolidar grandes clubes em escala continental, mas passou a produzir seleções tecnicamente muito fortes a partir dos anos 1980. A geração de Michel Platini coloca os franceses definitivamente entre as grandes potências europeias. Depois, seguiu crescendo com Zinedine Zidane, Thierry Henry e uma geração formada dentro da transformação multicultural.

Por outro lado, a Inglaterra venceu a Copa do Mundo de 1966 jogando em casa, mas raramente conseguiu transformar isso em domínio. Mesmo com a criação da Premier League e o crescimento financeiro do futebol inglês nos anos 1990 e 2000, a seleção passou longos períodos acumulando eliminações traumáticas e dificuldade para competir em alto nível.