O Corinthians anunciou a contratação de Fernando Diniz, nesta segunda-feira, 6. O técnico foi escolhido pelo Departamento de Futebol para assumir o cargo deixado por Dorival Júnior, demitido após a derrota em casa para o Inter (1 a 0), pelo Brasileirão.

Diniz, de 52 anos, estava no mercado dese que foi demitido do Vasco da Gama no início deste Campeonato Brasileiro. Como treinador, ele passou pelos rivais São Paulo e Santos, mas já trabalhou no Parque São Jorge nos tempos de atleta.

Pelo Corinthians, Diniz conquistou um dos seus dois títulos como atacante, o Paulistão de 1997 (o outro foi Carioca de 2002 pelo Fluminense). Agora, como técnico, inicia passagem com contrato assinado até o fim de 2026.

O trabalho já terá início nesta terça-feira, 7. O treinador comandará dois treinos antes da estreia corinthiana na Libertadores, na próxima quinta-feira, 9, diante do Platense, na Argentina.

A passagem de Diniz pelo Corinthians

Nascido em Patos de Minas-MG, em 27 de março de 1974, Fernando Diniz se dividiu entre o futebol e o futsal nos primeiros anos de carreira. Estreou no campo pelo Juventus, da Mooca, onde permaneceu até 1996, quando começar sua trajetória de andarilho da bola.

Antes de chegar ao Corinthians, aos 22 anos, passou por Guarani e Palmeiras. Sua estreia pelo Timão se deu em 25 de Janeiro de 1997, numa vitória sobre o Flamengo por 2 a 0, pelo Torneio Rio-São Paulo 1997.

Fernando Diniz durante a passagem pelo Corintians, em 1997 - Edurdo Monteiro/PLACAR

Fernando Diniz durante a passagem pelo Corintians, em 1997 – Edurdo Monteiro/PLACAR

Diniz era um atacante versátil, de boa técnica, e funcionou como uma boa opção sobretudo quando entrava no segundo tempo. Mas num time que tinha Marcelinho Carioca, Donizete, Mirandinha e Túlio Maravilha, foi reserva na conquista do Paulistão de 1997.

Em 1998, se transferiu ao Paraná Clube, tendo feito apenas dois gols pelo Corinthians em 50 jogos. Diniz ainda passaria por Fluminense, Flamengo, Juventude, Cruzeiro, Santos, Paulista, Santo André, Juventus e Gama antes de se aposentar em 1998. Iniciou a carreira de técnico no ano seguinte, no Votoraty.

Como pode jogar o Corinthians de Diniz

Em aspectos táticos, Fernando Diniz costuma encaixar seus atletas em um estilo de jogo funcional, sem muitas influências da corrente do ataque posicional. Ou seja, o treinador não tem como princípio a organização do campo em zonas pré-definidas e não busca que a vantagem nasça do controle racional do espaço.

Diniz, por outro lado, aproxima peças para criar superioridade técnica dentro de zonas congestionadas. Assim, com atletas em alturas diferentes, cria situações de “escadinha” (jogadores em diagonais) e permite progressões por tabelas e interações entre muitos atletas em um setor, além da possibilidade de atrair a marcação do rival para atacar o lado oposto.

A dupla de zaga pode ser formada por zagueiros com melhor saída de bola, com André Ramalho e Gustavo Henrique. Gabriel Paulista, que vinha sendo titular com Dorival, pode acabar perdendo espaço com o novo treinador. Os laterais já consolidados, Matheuzinho e Matheus Bidu, tem as características ofensivas que Diniz gosta para a posição.

Tendo em vista as peças de meio-campistas técnicos no elenco do Corinthians, é possível que o novo comandante opte por uma formação em 4-4-2. O setor central deve ser ocupado por dois volantes – podendo ser Allan e André, que se complementam em intensidade física e qualidade com a bola – e dois meias.

Breno Bidon e Garro são os jogadores mais técnicos e criativos do elenco, criando uma dupla que deve ser utilizada por Diniz mais a frente.

No São Paulo e no Fluminense, com posicionamentos diferentes, Fernando Diniz utilizou uma dupla de meias criativos. No Tricolor Paulista, Igor Gomes e Gabriel Sara eram os jogadores de meio mais avançados, enquanto no time carioca os responsáveis pelo setor eram Ganso e Jhon Arias.

O ataque do Corinthians, ao menos quando Memphis Depay e Yuri Alberto estiverem disponíveis, deve ter a dupla. No histórico do trabalho de Diniz, seus melhores times usaram duplas de bom funcionamento, como Brenner e Luciano no São Paulo, ou até Germán Cano e Keno – ou John Kennedy – no Fluminense.