Primeiro de setembro de 1910 é uma data especial para o futebol brasileiro. Nesta terça-feira, 1º, o Sport Club Corinthians Paulista completa 116 anos de fundação. Um passeio por capas e reportagens da centenária história do Timão no acervo de PLACAR levanta um questionamento: por que o nome Corinthians era escrito sem H (Coríntians), nos primeiros anos da revista?

O clube mais popular de São Paulo teve seu nome inspirado no Corinthian-Casuals, clube de Londres que havia excursionado pelo Brasil. Já a nomenclatura Coríntians seguia o que estabelece o Formulário Ortográfico Brasileiro: o h só deve ser empregado “em razão da etimologia e da tradição escrita do nosso idioma”. A letra pode aparecer no começo de algumas palavras e no final; no meio, por exemplo, só figura nos grupos ch, lh e nh, segundo explicou a  Folha de S. Paulo, em matéria publicada em 1976.

“Não era só PLACAR. Folha, Estadão… todo mundo escrevia “Coríntians”, sem agá. A primeira edição do Dicionário Aurélio, de 1975, trazia ainda uma outra grafia “Coríntiãs”, no verbete “corintiano” (“de ou relativo ao Esporte Clube Coríntiãs Paulista”), nome todo aportuguesado. Aportuguesar, mesmo nomes estrangeiros, era uma tendência”, explica Celso Unzelte, jornalista da ESPN, ex-editor de PLACAR e autor do livro Almanaque do Timão.

O Formulário, contudo, tinha exceções. No caso do Corinthians, as regras estabeleciam que poderia “ser mantida a grafia original de quaisquer firmas, sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público”. Dessa forma, o nome poderia ser usado por ser uma sociedade registrada, mas, na letra fria da regra, deveria ser escrito de forma completa: Sport Club Corinthians Paulista.

Corinthiano ou corintiano: qual é o certo?

Situação semelhante ocorre no termo que se refere aos torcedores do clube: as normas da língua portuguesa estabelecem que o correto é “corintiano”, sem H, ainda que o clube utilize a versão “corinthiano” em suas comunicações oficiais.

Anúncio com foto do publicitário Washington Olivetto, convidando os torcedores do Corinthians a enviarem ideias para o marketing do time - PLACAR

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O mundialmente conhecido movimento da Democracia Corinthiana, liderado por Wladimir, Sócrates e Casagrande no início dos anos 1980, e que contou com forte participação de PLACAR em sua divulgação, deve ser escrito com H, pois “se trata de uma marca assim registrada na época pelo [publicitário] Washington Olivetto”, explica Uzelte.

“Corintianos gostam de ser chamados de ‘corinthianos’, com agá. Mas o dicionário registra a forma ‘corintiano’, assim como Bahia tem h e baiano não tem. Particularmente, eu adoto as normas do português; corintiano sem agá. Só uso “corinthiano” em produtos licenciados pelo clube, que anda exigindo esse h, ou então em autógrafos/dedicatórias de livros, textos mais informais. Porque se trata de um agá afetivo”, comenta Unzelte.

Coríntians x Corinthians: mudança em PLACAR

A primeira vez que o Coríntians apareceu em PLACAR foi na segunda edição, publicada no dia 27 de março de 1970. O texto da página 18 falava sobre a derrota do Time do Povo para o Atlético nos pênaltis.

“O jogo tinha terminado com o empate de 1 a 1, domingo, em São José dos Campos. Se fosse por merecimento, tanto o Coríntians como o Atlético deveriam ser os campeões do Quadrangular: os dois jogaram muito mal. Mas na segunda decisão de pênaltis (nos três primeiros os dois times marcaram) Suingue chutou mal, Careca rebateu e junto com a bola que saiu de campo acabaram as esperanças do Coríntians. O Atlético iniciava a sua festa de campeão”, relata o texto.

A última vez que a grafia antiga apareceu em PLACAR foi na 394ª edição, publicada no dia 11 de novembro de 1977. Na página 17, João Areosa, então repórter de PLACAR, escreveu uma reportagem sobre o zagueiro Moisés, do Corinthians. O texto abordava a fama de violento que o atleta carregava e a expulsão após lance com o meia Dica, da Ponte Preta.

“À primeira expulsão no Coríntians, uma reflexão. E Moisés define seu limite, o limite da violência. Bater, sempre, mas chegando antes. E só parar ao primeiro sinal, o amarelo”, escreveu Areosa.

A partir de então, o nome Corinthians passou a ser padrão em PLACAR. Confira, abaixo, uma galeria de capas do Timão:

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