Autor do segundo gol da vitória da seleção brasileira por 3 a 1 diante da Croácia, o atacante Igor Thiago abriu o coração ao relembrar um período difícil vivido durante sua passagem pelo Cruzeiro, entre 2020 e 2022. Em entrevista à série Um Dia Com, da CazéTV, apresentada por Chico Moedas e Beltrão, o jogador do Brentford revelou ter enfrentado um início de depressão e momentos de desespero, a ponto de cogitar abandonar o futebol.

“Sem dúvida eu vou falar que foi a minha família. Minha esposa, meus filhos, eu acho que foram as pessoas que mudaram mesmo a minha forma de viver. Quando eu tava no Cruzeiro, acho que eu nunca falei sobre isso, durante um certo período, minha mãe e meus irmãos que me davam essa impulsão. E depois, até aquele momento ali no Cruzeiro, nada mais me dava essa vontade de querer seguir”, contou.

Igor afirmou que chegou a perder o prazer pelo jogo e pensou em deixar a carreira para trás.

“Eu não sentia mais aquela vontade de jogar, de desfrutar, de ter alguma coisa pra lutar. Porque na minha cabeça eu já tinha entendido que já dei uma casinha pra minha mãe e pronto. Missão cumprida. E aí eu falei: quero voltar pra minha cidade… início de depressão. Prefiro trabalhar na feira do que ficar aqui nessa cobrança toda”, revelou.

Igor Thiago ao lado de Chico Moedas e Beltrão – Reprodução/CazéTV

A virada, segundo o atacante, veio com a descoberta da paternidade: “foi quando eu descobri que ia ser pai, que aí foi quando eu casei com a minha esposa. Foi a virada de chave. Agora tem a responsabilidade de ter uma vida, ter um filho. Eu preciso lutar por ele agora. Foi quando as coisas começaram a acontecer”, completou.

O bom desempenho do jogador na Data Fifa de março rendeu elogios do técnico italiano Carlo Ancelotti, que afirmou ter ficado com mais dúvidas do que certezas no último teste antes da convocação final.

O 9 que pode ‘furar a fila’

Igor Thiago “furou a fila” dos concorrentes pela regularidade vivida com a camisa do Brentford nesta temporada. São 33 partidas disputadas, com 22 gols marcados e uma assistência.

Vice-artilheiro do Campeonato Inglês, o camisa 9 faz história como o maior goleador brasileiro em uma única edição da liga mais badalada do mundo, ultrapassando a marca antes dividida por Roberto Firmino, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli.

O hoje selecionável foi introduzido ao futebol pelo irmão mais velho, Maycon Richard Júnior, no projeto Grêmio Ocidental, liderado pelo pastor evangélico Sérgio Gonçalves, a quem chama carinhosamente de pai ou de Sergião. O trabalho desenvolvido por ele recebe crianças do “terceiro setor” no Distrito Federal.

Thiago iniciou no futsal aos oito anos, no projeto Grêmio Ocidental, e, pouco depois, começou a se destacar nos gramados, mas sofreu um baque no caminho com a perda precoce do pai, aos 13 anos.

Ao lado do técnico e ‘pai’, o pastor evangélico Sérgio Gonçalves – Arquivo pessoal

Ao lado do técnico e ‘pai’, o pastor evangélico Sérgio Gonçalves – Arquivo pessoal

Sergião passou a cuidar de perto do pupilo e usou barreiras como a distância de nove quilômetros que separavam a casa em que morava, no bairro Dom Bosco, do campo de terra batida conhecido como “Terrão”, para incentivá-lo.

Ele percorria diariamente o trajeto andando ou correndo todos os dias, transformando a logística precária em treino de condicionamento físico. Pastor evangélico, o treinador de formação ainda aconselhava e acompanhava seu desempenho escolar.

Chegou a ser reprovado em testes no Athletico Paranaense, mas conseguiu chamar atenção se destacando no pequeno Verê-PR. Depois disso, acabou negociado com o Cruzeiro e, rapidamente, foi vendido ao Ludogorets-BUL. A rápida adaptação – e os gols – chamaram a atenção do Club Brugge. Foi campeão e artilheiro na Bélgica, com 29 gols e seis assistências, chegando ao Brentford.

Força física sempre foi a marca registrada do novo convocado, mesmo durante sua formação - Arquivo pessoal

Força física sempre foi a marca registrada do novo convocado, mesmo durante sua formação – Arquivo pessoal

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