O sucesso da série Emergência Radioativa, da Netflix, recolocou o acidente com césio-137, em Goiânia, no centro do debate quase quatro décadas depois. A série organiza a tragédia em narrativa e reabre uma pergunta: qual estádio de futebol foi utilizado durante a operação de emergência.

A escolha foi pelo Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, na região central da cidade. O espaço esportivo, à época,foi convertido em centro de triagem. Mais de 100 mil pessoas passaram por exames no local em poucos dias.

O que foi o acidente radiológico com césio-137 de Goiânia

Em setembro de 1987, Goiânia enfrentou o maior acidente radiológico em área urbana fora de usinas nucleares. No dia 13 daquele mês, dois catadores retiraram de um hospital abandonado um aparelho de radioterapia. No interior, havia uma cápsula com césio-137.

O material, que emitia brilho no escuro, foi manipulado e distribuído sem compreensão do risco. A contaminação se espalhou por casas, objetos e pessoas, causando graves quadros de saúde.

Estádio Olímpico foi centro de triagem durante crise em 1987 – Reprodução

Assim, visando controlar o caos, os órgãos públicos optaram pelo Estádiol Olímpico como uma base. Goiânia também contava com o Estádio Serra Dourada, maior e mais moderno, e o Estádio Hailé Pinheiro.

A escolha pelo Olímpico se deu pelo estádio se localizar na região central, próximo aos focos iniciais de contaminação e integrado às principais vias. Durante a crise, mais de 112.000 pessoas passaram pelo estádio.

Após quatro e cinco semanas do acidente, quatro pessoas morreram em razão de Síndrome Aguda da Radiação (SAR). Todavia, a Associação das Vítimas do Césio-137 estima que mais de 60 mortes seguintes estejam relacionadas ao caso.

O Estádio Olímpico atualmente

Apesar da utilização à época, o estádio não apresentou contaminação permanente. Isso, pois, pessoas com altos níveis de radiação não permaneciam ali e eram ncaminhadas a hospitais.

Estádio Olímpico, em Goiânia, em 2020 - Divulgação

Estádio Olímpico, em Goiânia, em 2020 – Divulgação

Ainda assim, o local carregou estigma. Segundo fontes da época, a retomada foi gradual, dependente de validação técnica e aceitação pública.

Quase 40 anos depois, o Olímpico voltou à rotina. Reformado e com capacidade para 10.000 pessoas, é propriedade do governo do estado de Goiás e recebe eventos esportivos.