A engenhosidade de dois cearenses pode ajudar a Fifa no seu anseio de diminuir a perda de tempo no futebol. Um equipamento criado em Fortaleza propõe que a bola suba à altura das mãos do jogador que irá bater o lateral.

O novo sistema, chamado até aqui de self ball, funciona com um leve toque na base para que a bola suba até 1,5 metros. A ideia é próxima dos pequenos cestos de lixo em que a pessoa não precisa abaixar para levantar a tampa por exemplo.

Self ball desenvolvido para agilizar o jogo - Arquivo pessoal

Self ball, de fibra de carbono, desenvolvido para agilizar o jogo – Arquivo pessoal

Wladimir Lopes e Jackson Sampaio são os autores do projeto. O primeiro, policial militar na capital cearense, procurou o amigo já com uma ideia em mente. Sem saber desenhar a peça tampouco com a técnica para colocar o projeto de pé, Sampaio foi o apoio que faltava.

“A ideia surgiu de assistir aos jogos do Cearense e o jogador chegar para pegar a bola naquele pote e chutar o pote, não se abaixar para pegar… Perder tempo ali e depois levantar a bola com o pé. Percebi que tinha algo para desenvolver”, disse Lopes.

A International Board, responsável pelas regras do futebol, anunciou no último sábado mudanças importantes para acelerar o jogo. Entre essas, o arremesso lateral não pode demorar mais que cinco segundos ou será marcada reversão.

“Nem acompanho futebol. Trabalho fazendo esculturas com sucata de ferro até que chegou essa ideia e fomos aperfeiçoando de setembro para cá”, completou Sampaio.

O protótipo foi feito ainda em ferro, com coroa de bicicleta, amortecedor de carro e mola, capa de rolamento e outros materiais recolhidos pelas ruas e montado em uma pequena oficina. O espaço agora anda cercado de self ball e esculturas.

Do ferro para a fibra de carbono

Uma consulta informal na Federação Cearense de Futebol mostrou que o material em ferro jamais seria aprovado no futebol de hoje. Posicionado até 2 metros em relação à linha lateral, seria um risco para a integridade física dos atletas em uma disputa de bola.

A partir daí, versões foram sendo atualizadas até se chegar ao material produzido em fibra de carbono, mais leve, rígido e com maior durabilidade ao sol e chuva.

Reposição bola Paulistão 2026 - Rebeca Reis/Ag.Paulistão

Pote para a reposição de bola no Paulistão 2026 – Rebeca Reis/Ag.Paulistão

Hoje, a peça pesa 6 kg e mede 30 centímetros. As conversas com a FCF e o beach soccer acontecem, mas ainda sem nada oficial. No papel mesmo estão as patentes nacionais e internacionais para evitar que o produto um dia seja copiado. Hoje, amigos brincam com o objeto em jogos de futebol.

“O material inteiro de ferro ficou mesmo pesado, com um design feio. Agora, melhoramos bastante e logo logo vamos ver todo mundo jogando com o self ball do lado”, disse Sampaio.

Estaduais e Brasileirão

Abel Ferreira ao lado do sistema de reposição de bolas do Brasileirão - Cesar Grecco/Divulgação/Palmeiras

Abel Ferreira ao lado do sistema multiball no Brasileirão – Cesar Grecco/Divulgação/Palmeiras

O Paulistão se inspirou na Premier League para adotar o sistema multiball em 2025. Ao todo, 16 bolas ficam posicionadas em potes ao redor do campo para a reposição rápida. O gandula agora fica encarregado de repor a bola no pote e impedido de entregar a bola diretamente ao jogador. O mesmo acontece em outros Estaduais e no Brasileirão.

Os potes, inclusive, viraram espaços publicitários. Neste ano, uma marca de ração de cachorro, dada a semelhança com a tigela para a comida do animal.