O evento preparado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para o anúncio dos 26 jogadores que representarão a seleção brasileira na próxima Copa do Mundo foi marcado por uma extensa cerimônia, que cansou jornalistas, dirigentes, ex-jogadores, celebridades e parte do público presente ao Museu do Amanhã, no centro, na região do Porto, nesta segunda-feira, 18.

Antes do pontapé oficial, convidados se aglomeraram nas dependências do espaço para o coquetel oferecido pela entidade e formaram filas por brindes distribuídos em ações de patrocinadores e registros em painéis instagramáveis. Os nomes mais ilustres chegaram em um tapete azul.

“O que estamos vendo aqui hoje é quase um circo, um grande circo. Ancelotti está levando o circo para dentro. Agora, ele está falando: ‘eu vou dominar isso aí’, ‘Neymar vai jogar se eu quiser’, ‘eu tenho capacidade de dominar esse circo’. Mas foi impressionante como ele ficou desconfortável quando o PVC (Paulo Vinícius Coelho) fez a pergunta sobre [a ausência de] João Pedro. Ele fez a opção de levar o circo para dentro, confiando no taco dele para dominá-lo”, analisou o jornalista inglês Tim Vickery, da BBC.

A primeira a subir no palco foi uma cantora, interpretando a música “O Amanhã”, de Simone, acompanhada da exibição do comercial da Vokswagen, patrocinadorada da CBF, no telão montado no espaço. A breve introdução deu lugar a uma longa apresentação musical, com representação teatral, de quase oito minutos de duração sobre como os torcedores brasileiros acompanharam os títulos das Copas de 1958, 1962, 1970, 1994, 2002 e a expectativa por 2026. Flagrado pelas câmeras em alguns momentos, Ancelotti surgiu com semblante fechado.

Ancelotti acompanhou a longa apresentação para anunciar a lista - Reprodução

Ancelotti acompanhou a longa apresentação para anunciar a lista – Reprodução

Só então subiram ao palco o jornalista Tino Marcos e a atriz Erika Januza, cerimonialistas do evento: “ninguém sabe fazer como nós brasileiros uma cerimônia como essa”, disse Marcos, que, após discurso inicial, chamou o presidente Samir Xaud para abrir os trabalhos com um discurso de aproximadamente sete minutos.

O dirigente fez questão de a todo momento exaltar a nova direção da entidade e, principalmente, a grandiosidade da cerimônia: “muita coisa mudou na CBF e prova disso é esse evento, o maior evento de convocação de todos os tempos”.

“Confiem e acreditem no nosso trabalho, é um trabalho muito técnico que foi feito nesse um ano, em toda a gestão do Carlo Ancelotti, Rodrigo Caetano, da comissão técnica”, completou.

A entidade exibiu, em sequência, um vídeo institucional sobre a seleção brasileira feminina, que sediará a próxima Copa do Mundo, a ser disputada em 2027, dentro do país. Aline Pelegrino, gerente de competições, Cris Gambaré, coordenadora de seleções feminina, e o técnico Arthur Elias também não economizaram elogios ao trabalho realizado pela entidade.

No encerramento da fala, Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF, assumiu o palco para puxar uma salva de palmas aos campeões mundiais presentes a festividade, citando nominalmente ex-jogadores como “o senador Romário” – lembrando da atuação política do ex-atacante -, Branco, Zinho e Taffarel, vencedores em 1994, além de Edilson Capetinha, em 2002.

A cerimônia prosseguiu com a exibição de mais um vídeo prestigiando o legado de Mário Jorge Lobo Zagallo e Pelé. No material, foi explicado que este será o primeiro Mundial sem a presença dos ídolos. Logo em seguida, o cantor carioca Dilsinho apresentou ma releitura da música “Partida de futebol”, de autoria da banda mineira Skank.

Na sequência, a CBF exibiu no telão o vídeo da música oficial do Brasil na Copa, chamada “Bate no Peito”, interpretada pelos cantores Ludmilla, João Gomes, Samuel Rosa e Veigh, produzida pelo DJ Papatinho.

Somente já próximo às 17h40, horário inicialmente previsto para o anúncio da lista por Ancelotti, que Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral das seleções masculinas, subiu ao palco para explicar toda a programação da seleção durante o período nos Estados Unidos, mostrando o centro de treinamento Columbia Park, onde a seleção brasileira fará a preparação.

“Seremos os primeiros a usar esse centro de treinamento. Teremos um hotel exclusivo. É um hotel muito operacional que visa nosso bem estar e foco na competição”, explicou o dirigente.

Caetano ainda expôs uma planilha com dados e detalhou que 112 atletas foram monitorados ao longo do ciclo de uma ano de Carlo Ancelotti. Só às 18h, após uma hora, que Ancelotti, sentado em meio ao público, abriu uma pasta que carregava em mãos, sinalizando o momento do aguardado anúncio dos nomes.

No SBT, durante a transmissão da convocação, os jornalistas Galvão Bueno e Tiago Leifert manifestaram impaciência: “chega”, disse Leifert durante a fala de Caetano, seguido por Galvão: “e com vocês: Carlo Ancelotti…. não, não, não”.

Sentado à mesa de convocação, o técnico italiano falou sobre a identificação com o país, a concorrência por vagas e a tristeza em cortar atletas que fizeram parte do ciclo, como João Pedro, Hugo Souza e Andrey Santos. “Falei que tinha muita concorrência e é verdade. Alguns jogadores que estiveram conosco não estarão contentes. Sinto muito por isso”, resumiu.

“Teremos uma lista de podemos desenvolver um futebol de qualidade, com espírito coletivo, qualidade. A lista perfeita não é, estou certo disso”, completou em outro momento.

Ancelotti ainda usou de bom humor para dizer que ouviu conselhos de jornalistas, cantores e de diversas outras pessoas durante os últimos dias. “Não quero ser arrogante e dizer que sou a pessoa mais indicada a tomar essa decisão, mas agradeço a todo mundo pelo conselho”, resumiu, para sem sequência brincar: “vocês são muito curiosos”.

Neste momento, Tino Marcos falou: “Alô, planeta terra. A lista que todo mundo quer saber”. Ancelotti, então, passou a ditar pausadamente os nomes, causando enorme surpresa no público presente ao chamar Weverton, do Grêmio. A cada jogador do Flamengo anunciado, um enorme alvoroço tomava conta do público carioca. Foram quatro atletas do Rubro-Negro presentes na lista: os zagueiros Léo Pereira e Danilo, o lateral-esquerdo Alex Sandro e o meia Lucas Paquetá.

Mas nenhuma reação se comparou ao anúncio do nome de Neymar. Logo após o técnico confirmá-lo, houve uma explosão de gritos, assovios e aplausos, seguida pela cena do apresentador Luciano Huck, amigo pessoal do atleta, sendo mostrado por alguns segundos pela geração da CBF TV.

Na plateia, Luciano Huck ganhou destaque na transmissão - Reprodução

Durante todo o dia, entre representes de patrocinadores da CBF e ex-jogadores que se manifestavam, sequer era cogitada a hipótese de o jogador do Santos ficar de fora. A presença começou a ganhar evidências e sinais de obviedade com a presença do presidente Marcelo Teixeira, de seu filho e do head de conteúdo da Santos TV, Guilherme Kastner. Antes do anúncio, Neymar ainda atualizou a bio do Instagram: “Atleta, @santosfc & Brazil”. Sem surpresas.

Ancelotti chegou à sala destinada à entrevista coletiva por volta de 18h15 e falou por cerca de 30 minutos com os jornalistas presentes, respondendo quase que exclusivamente sobre assuntos relacionados a Neymar: o posicionamento, como lidará com o jogador no dia a dia, a titularidade e o convencimento após preterí-lo nas cinco listas anteriores.

Neymar e Ancelotti terão o primeiro contato durante preparação para a partida contra o Panamá, na próxima semana, na Granja Comary, na despedida da seleção brasileira do país.