A Fifa avalia abrir discussões com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para implementar um teto etário no futebol feminino dos Jogos Olímpicos, restringindo a disputa à categoria sub-23. A intenção da entidade, revelada pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira, 5, é motivada pela preocupação com o desgaste físico das atletas e o inchaço do calendário internacional. A eventual alteração, contudo, ainda não foi formalizada e não teria validade para Los Angeles 2028, podendo entrar em vigor apenas a partir de Brisbane 2032.
Calendário internacional e criação do Mundial de Clubes
O debate sobre a sobrecarga física das jogadoras se intensificou após a própria Fifa anunciar a criação do Mundial de Clubes Feminino. Com sede nos Estados Unidos, a edição inaugural do torneio de clubes reunirá 16 equipes em sua fase principal entre 5 e 30 de janeiro de 2028 — exatos seis meses antes da realização dos Jogos de Los Angeles.
O acúmulo de compromissos pelas seleções principais e equipes de ponta levou a cúpula da federação internacional a estudar uma fórmula semelhante à do futebol masculino, que desde as Olimpíadas de Barcelona 1992 adota o modelo sub-23 com a permissão de apenas três atletas com idade superior. O processo de alteração, todavia, depende de consultas amplas que envolvem o COI, associações nacionais e representantes das próprias atletas.
Validade apenas a partir de 2032 e resistência interna
Qualquer modificação regulamentar está descartada a curto prazo. O planejamento esportivo e os critérios de elegibilidade para Los Angeles 2028 já estão concluídos, com processos classificatórios em andamento em diversas confederações. Com isso, uma reformulação só teria aplicação viável na edição de Brisbane 2032, na Austrália.
A proposta, contudo, deve enfrentar forte resistência tanto esportiva quanto institucional. Desde sua inclusão no programa olímpico em Atlanta 1996, o torneio feminino sempre foi disputado pelas seleções principais e se consolidou como o segundo título de maior relevância na modalidade, atrás apenas da Copa do Mundo.
Além disso, a competição mantém expressivo valor de audiência e receita comercial para o COI em mercados centrais como Estados Unidos, Europa e Austrália. Esse apelo culminou, inclusive, na ampliação da cota de participantes para 2028, quando o futebol feminino terá 16 seleções em campo contra 12 do masculino — uma inversão em relação aos Jogos de Paris 2024.








