A fotografia de Raí aplicando um chapéu em Pep Guardiola, durante a final do Mundial de 1992, entre São Paulo e Barcelona, em Tóquio, ficou por décadas oculta. Nem mesmo o fotógrafo Ricardo Corrêa, autor do registro jamais antes publicado, se lembrava dela. De inédita a icônica, a cena é destaque de O Jogo da Minha Vida, curta-metragem de 15 minutos produzido por PLACAR, que revisita a conquista tricolor com um mergulho em nosso acervo um novo encontro com Raí, em Paris.

O curta apresenta mais de cem fotografias, muitas inéditas e preservadas nos negativos originais, além das gravações em VHS feitas pelo goleiro Marcos Bonequini, reserva de Zetti há 34 anos. O triunfo por 2 a 1 sobre o Barcelona, com dois gols de Raí, ganha uma versão animada produzida pela Coala Filmes, inspirada nos mangás japoneses e em Capitão Tsubasa, desenho animado conhecido no Brasil como Super Campeões.

“O lance do chapéu é de certa forma comum. Quem acompanhou futebol como eu, já conhece a leitura corporal do jogador. Ao ver a posição de corpo, a levantadinha, é só esperar coisa boa e disparar”, conta o único fotógrafo brasileiro na ocasião. Para transmitir sua obra ao Brasil, Corrêa fez uma parceria com a agência France-Presse e correu para enviar apenas dez fotografias. “Cada uma demorava 20 minutos”, lembra. Três décadas atrás, publicar uma fotografia dependia de uma cadeia de procedimentos que hoje leva segundos. “Você preparava, produzia, fotografava, revelava, ampliava as fotos, escaneava, transmitia… e no fim rezava para dar certo.”

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Raí, do São Paulo, aplica chapéu em Pep Guardiola, do Barcelona, na final do Mundial de Clubes de 1992 (Ricardo Corrêa/PLACAR)

Raí, do São Paulo, aplica chapéu em Pep Guardiola, do Barcelona, na final do Mundial de Clubes de 1992 (Ricardo Corrêa/PLACAR)

A relação com o elenco e direção do São Paulo lhe abriu portas. Corrêa foi o único profissional liberado para acompanhar um treino noturno no hotel e a comemoração no vestiário, o que torna as imagens presentes no filme ainda mais valiosas.

Uma delas virou até estátua no MorumBis: a do técnico Telê Santana segurando as taças do Mundial. “Recentemente, o médico do São Paulo à época contou que Telê estava levemente letárgico devido a uma dose errada de ansiolítico. Ele não reagia na foto. Perguntou qual era taça certa pra mim. E eu falei: ‘As duas, Sorria sei Telê, o senhor é campeão do mundo’. Foto boba, ficou icônica”, relembra Ricardo Corrêa.

O diretor Piero Sbragia, que tinha dez anos em 1992, se lembra bem daquela época de hiperinflação, impeachment de Fernando Collor e seca da seleção. “A conquista do São Paulo foi também uma conquista dos brasileiros e das brasileiras, que resgataram a autoestima com aquela vitória”, afirma Sbragia, gerente de produção e projetos incentivados da PLACAR, palmeirense como Ricardo Corrêa. Ambos garantem ter torcido pelo Tricolor. “Fiquei feliz. Não queria cruzar o mundo para ver meu trabalho morrer na praia”, relembra o fotógrafo, que reviu as cenas no lançamento do filme, na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O Jogo da Minha Vida é o segundo filme produzido por PLACAR. O primeiro, Parem as Máquinas, narra o drama conjunto com Corinthians e da própria revista em 1977. Ambos estão disponíveis em nosso canal no YouTube.

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