Flamengo inicia na quarta-feira, 10, a disputa por mais um título, o mundial. Campeão do Brasileiro e da Libertadores nas últimas semanas, o time agora se prepara para enfrentar o Cruz Azul no chamado Derby das Américas, a primeira fase da Copa Intercontinental, no Catar, às 14h (de Brasília).

A equipe mexicana vive fase irregular na temporada. Para o Rubro-negro, entender as nuances do rival é o primeiro passo para conquistar o bimundial. PLACAR analisou a situação de La Máquina Cementera, com auxílio do jornalista mexicano Eduardo Espinosa, da ESPN México. 

Situação atual das equipes

O Flamengo chega ao Catar em estado de graça. A equipe comandada por Filipe Luís se sagrou campeã do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores de 2025, em um intervalo de quatro dias. Com a temporada doméstica finalizada, o foco é total no título intercontinental. O time também conquistou a Supercopa do Brasil e o Campeonato Carioca neste ano.

Já o Cruz Azul, campeão da última Concachampions, vive um momento de pressão e busca redenção. Na temporada 2025/2026, a equipe teve um desempenho oscilante: apesar de competitiva, foi eliminada na semifinal do Torneio Apertura da Liga MX pelo Tigres, após dois empates e uma campanha inferior na fase regular. A eliminação recente coloca uma carga extra sobre o elenco para buscar uma recuperação imediata na maior das competições de clubes.

“Cruz Azul não chega em seu melhor momento, na verdade chega muito abalado pela recente eliminação. Há alguns meses, o time sofreu outra eliminação nas semifinais que fez com que a diretoria investisse bastante em reforços”, lembra o jornalista mexicano Eduardo Espinosa.

O vencedor do confronto enfrentará o Pyramids FC, do Egito, na fase seguinte, a Copa Challenger. O campeão europeu PSG já está garantido na final do dia 17 de dezembro.

Desfalques e destaques

A equipe mexicana tem pelo menos três desfalques de peso para o duelo contra o Flamengo: o goleiro Kevin Mier, o meia Andrés Montaño e o zagueiro Jesús Orozco.

“O goleiro Mier foi substituído por Andrés Gudiño, que teve uma boa participação na Liguilla Mexicana. O desfalque que mais deve pesar é o de Jesus Orozco, o “Chiquete”, que era um dos jogadores considerados para a seleção mexicana que disputará a Copa do Mundo de 2026″, avalia Espinosa.

O meia argentino José Paradela, ex-River Plate, é o principal armador do time, mas não vive boa fase. “O time depende muito dele, mas ele decaiu nos últimos jogos. O que o Cruz Azul tem de melhor é a sua dupla de meias, Paradela e Carlos “Charly” Rodríguez. Se o argentino se reconectar, será uma peça-chave.”

O argentino José Paradela, em ação pelo Cruz Azul diante do compatriota Ángel Correa, do Tigres – CARL DE SOUZA / AFP)

Nicolás Larcamón pressionado

Sob o comando do técnico argentino Nicolás Larcamón, o time mexicano mantém um jogo de posição agressivo. A equipe costuma variar taticamente entre um 3-4-3 e um 5-2-3, priorizando sempre a saída de bola limpa desde a defesa.

O técnico do Cruz Azul teve uma curta experiência no futebol brasileiro. Entre janeiro e abril de 2024, Nicolás Larcamón dirigiu o Cruzeiro em 14 partidas, com sete vitórias, quatro empates e três derrotas em 14 jogos. Sob seu comando, a Raposa foi vice-campeã mineiro e caiu na primeira fase da Copa do Brasil, para o Sousa-PB.

Contratado em junho pelo Cruz Azul, ele já balança no cargo. “Essa é uma das poucas oportunidades que Larcamón terá para demonstrar seu valor. Se fracassa de maneira estrepitosa, a continuidade do treinador argentino pode ficar ameaçada, assim como a de vários jogadores”, avalia o jornalista mexicano.

Nicolás Larcamón, Cruzeiro

Nicolás Larcamón durante curta passagem por BH – Cruzeiro/Divulgação

Intensidade e pontos fortes

A principal arma dos “Cementeros” é a intensidade na pressão pós-perda. Assim que perdem a posse, os jogadores buscam recuperar a bola em poucos segundos, sufocando a saída do adversário. Ofensivamente, utilizam muito a amplitude com alas rápidos, como Rotondi e Jorge Sánchez, buscando cruzamentos para a área.

No meio campo, o experiente meia argentino Lorenzo Faravelli, dita o ritmo com passes verticais, municiando o goleador uruguaio Gabriel Fernández. 

Onde o Flamengo pode ferir o rival

Apesar da organização, o modelo tático mexicano corre riscos calculados. A linha defensiva costuma jogar muito adiantada, deixando espaços generosos às costas dos zagueiros. É aí que a velocidade do ataque do Flamengo pode ser letal.

Bolas longas buscando a profundidade e transições rápidas são o “antídoto” ideal para quebrar a pressão. Além disso, a recomposição defensiva pelos lados do campo, quando os alas sobem simultaneamente, costuma oferecer corredores livres para contra-ataques.

Prováveis escalações e desfalques

O Flamengo deve ir a campo com força máxima, utilizando a base multicampeã. A principal ausência é o atacante Pedro, que segue em recuperação de lesão, e ainda é dúvida para o Mundial. Uma provável escalação do Rubro-negro inclui: Rossi; Varela, Danilo (Léo Ortiz), Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta; Carrascal, Samu Lino (Cebolinha) e Bruno Henrique.

O Cruz Azul, por sua vez, tem um desfalque de peso. O zagueiro titular Jesús “Chiquete” Orozco sofreu uma fratura no tornozelo e está fora. A provável equipe é: Gudiño; Willer Ditta, Erik Lira e Gonzalo Piovi; Rivero, Jeremy Márquez, Carlos Rodríguez e Faravelli; José Paradela, Calos Rotondi e Gabriel Fernández.

Jogos do Mundial de Clubes

  • 10/12 – 14h – Dérbi das Américas – Flamengo x Cruz Azul
  • 13/12 – 14h – Copa Challenger – Vencedor do Dérbi das Américas x Pyramids
  • 17/12 – 14h – Intercontinental – Vencedor da Copa Challenger x PSG