Com o título da Copa do Brasil, conquistado no dia 21 de dezembro, contra o Vasco, por 2 a 1, o Corinthians recebeu mais de R$ 77 milhões em premiações. No entanto, a Caixa Econômica Federal bloqueou cerca de 50% da premiação, por conta de dívidas do clube com a instituição financeira pelo financiamento da Neo Química Arena.

O caso foi detalhado pelo Blog do Paulinho e posteriormente pelo portal Meu Timão. Durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, o Corinthians renegociou a dívida da Arena e deu garantias financeiras para a Caixa, como receitas provenientes de premiações esportivas. O acordo ainda prevê restrições à autonomia e ao fluxo de caixa do clube. 

O contrato original do financiamento do estádio, firmado em 2013, estava inadimplente desde 2019, por falta de pagamento de parcelas enquanto o Timão tentava firmar um novo acordo. A renegociação foi concluída em 2022, formalizando a reestruturação integral da dívida do Corinthians junto à Caixa Econômica Federal e ao BNDES. No novo acordo, não houve perdão de dívidas do time.

Com a renegociação entre as partes, o saldo que o Corinthians deve à Caixa, que antes era de R$ 400 milhões, cresceu para R$ 700 milhões. Esse valor engloba o principal financiado, juros e encargos acumulados. O acordo prevê pagamento de parcelas trimestrais. Nos últimos dois anos, o Timão pagou apenas os juros do período em que deixou de pagar o financiamento, algo que totalizou oito parcelas trimestrais.

A partir de janeiro de 2025, o time do Parque São Jorge passou a pagar o valor principal da dívida. A Neo Química Arena, neste momento, é paga em parcelas trimestrais com valores que variam entre R$ 20 milhões e 30 milhões, com vencimentos previstos até dezembro de 2041. O último balanço divulgado pelo clube, em setembro, aponta uma dívida total de R$ 653,1 milhões com à Caixa.

Existe um programa de amortização da dívida, que começa em 0,25% em 2025 e vai aumentando gradativamente, a cada três anos, até atingir 3,50% em 2040. Em 2041, essa taxa retorna à 2,0%.

Como a dívida afeta uma possível SAF?

Para se proteger de outros casos de inadimplência do clube, a Caixa exigiu no novo modelo contratual o seu consentimento para qualquer mudança de governança no clube. Ou seja, enquanto a dívida existir e o acordo estiver em vigor, é inviável a implementação do modelo de Sociedade Anônima de Futebol (SAF) no Corinthians. 

Uma mudança no modelo do clube poderia comprometer as garantias financeiras para o financiamento. Logo, à Caixa pode bloquear qualquer tentativa de transformação do Timão em SAF. Os acordos também dão poder de administração de contas para a instituição financeira, que pode gerir o fluxo das receitas do clube para o pagamento da dívida da Arena. Por isso, metade da premiação da Copa do Brasil foi retida pelo banco.

Posicionamento de Duílio

Em nota enviada ao portal Uol, o ex-presidente do Corinthians deu sua versão sobre o acordo:

“Durante a minha gestão, celebramos um acordo muito saudável entre o Corinthians e a Caixa Econômica, que reduziu de R$ 3 bilhões para R$ 700 milhões uma contingência que o clube tinha a respeito da Neo Química Arena. No nosso último ano de gestão, quitamos R$ 80 milhões referentes a esse acordo. Esse pagamento deveria continuar sendo priorizado nos anos seguintes à minha saída. Se alguma receita listada como garantia foi bloqueada, isso lamentavelmente significa que alguma parcela vencida está em aberto”.

“Sobre nossa gestão, cabe apenas mencionar que reduzi a dívida com a Caixa – que não foi contraída por mim – e que pagamos a primeira parcela, mostrando, em 2023, que o acordo era factível. Fizemos uma transição pacífica ao fim de 2023 com o presidente então eleito e tudo isso foi explicado. A Neo Química Arena é um dos maiores orgulhos da Fiel e sempre será. Por isso, é preciso fiscalizar e combater a tática mesquinha de demonizar e descumprir os acordos que viabilizaram a quitação do nosso estádio, especialmente quando ela é empregada para justificar as irresponsabilidades administrativas que se seguiram, rasgando acordos como se não fossem positivos, além de piorar sensivelmente”.