Flamengo e Botafogo acompanham a situação de Luiz Henrique, que pode deixar o Zenit pouco mais de um ano após trocar o futebol brasileiro pela Rússia. Se a transferência se confirmar, o jogador que disputou a Copa do Mundo de 2026 pode ter a oportunidade de escapar de um país que, nos últimos anos, passou a frear a trajetória de diversos brasileiros.

O termo “cemitério de brasileiros” parece exagerado à primeira vista. Afinal, o problema nunca foi o desempenho dentro do Zenit, que já foi lar de, ao todo, 20 brasileiros.

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Entre eles, Hulk, em outra época, virou ídolo. Douglas Santos se tornou capitão da equipe e voltou à seleção brasileira, Malcom somou bons números e a dupla Claudinho e Wendel brilhou no Campeonato Russo durante anos. Todavia, a carreira desses jogadores praticamente deixou de evoluir para grandes cenários após a chegada ao clube.

A ascenção e a queda da Rússia

Durante boa parte dos anos 2000 e início da década passada, o Zenit era uma das portas de entrada para a elite do futebol europeu. A equipe de São Petesburgo disputava frequentemente a Champions League, enfrentava os principais clubes do continente e servia de vitrine para transferências ainda maiores.

Esse contexto começou a mudar ainda na década de 2010. Com a anexação da Criméia, a desvalorização do rublo e o fim dos projetos bilionários, clubes como Anzhi e Rubin Kazan reduziram a atratividade da liga. Na mesma linha, o endurecimento da Uefa nas regras de Fair Play Financeiro frearam novos investimentos.

Hulk, astro do Galo, já foi destaque do Zenit - PLACAR

Hulk, astro do Galo, já foi destaque do Zenit – PLACAR

Já em viés baixa, o futebol russo passou a sofrer mais após o início da Guerra com a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Em um processo de sanções, Fifa e Uefa suspenderam clubes e seleções russas das competições internacionais, afastando Champions League, Europa League e Conference League do calendário local.

Ao mesmo tempo, embargos econômicos, restrições financeiras e a deterioração das relações entre a Rússia e o Ocidente fizeram com que as transferências fiquem mais complexas. Asism, a liga russa ainda continuou financeiramente forte localmente, mas afastada do primeiro patamar do futebol europeu.

Os brasileiros ‘enterrados’

Malcom chegou ao Zenit aos 22 anos, após passagem pelo Barcelona, viveu seu melhor momento na Rússia, mas deixou a Europa rumo ao Al-Hilal. O jogador, de carreira extremamente promissora, ainda teve chances na seleção brasileira, mas se afastou da Amarelinha com o tempo.

Claudinho, que brilhou no RB Bragantino e foi à Rússia em 2021, aos 24 anos. O meia ainda foi um dos principais jogador do país por anos sem conseguir o salto para uma liga de elite. Wendel, volante de início promissor no Fluminense e no Sporting, se consolidou como um dos melhores jogadores do campeonato, mas ficou preso ao mercado local, tanto para retornos ao Brasil quanto para ir aos grandes centros da Europa.

Luiz Henrique comemorando gol pelo Zenit – Reprodução/Instagram @luizhenrique_07

Gerson, contratado já aos 28 anos, deixou o Flamengo como nome frequente da seleção brasileira, saiu do radar jogando em São Petesburgo e voltou ao Brasil meio ano depois, para defender o Cruzeiro, mas ficou fora da Copa do Mundo. Luiz Henrique também se encaixa nesse dilema, após deixar o Botafogo como Rei da América e, apesar de ir ao Mundial pela seleção, perder prestígio e sequer entrar na mira de gigantes.

Outros nomes também passaram pelo Zenit, chegando ainda mais jovens. Pedro e Robert Renan, talentos da base corinthiana, chegaram antes dos 20 anos e pouco evoluíram em grandes cenários. Yuri Alberto, que deixou o Internacional entre os 20 e 21 anos para o mesmo destino, foi outro que teve sua ascensão freada pelo contexto russo.

Os 20 brasileiros do Zenit

Os que fizeram mais de 100 jogos:

Douglas Santos – desde 2019 – chegou aos 25 anos – teve convocação no período

Wendel – desde 2020 – chegou aos 23 anos

Hulk – de 2012 a 2016 – chegou aos 26 anos – teve convocação no período

Gustavo Mantuan – desde 2022 – chegou aos 21 anos

Claudinho – de 2021 a 2025 – chegou aos 24 anos – teve convocação no período

Malcom – de 2019 a 2023 – chegou aos 22 anos – teve convocação no período

Os que fizeram entre 50 e 99 jogos:

Pedro – desde 2024 – chegou aos 18 anos

Nino – desde 2024 – chegou aos 27 anos

Rodrigão – de 2022 a 2024 – chegou aos 27 anos

Os que fizeram menos que 50 jogos

Luiz Henrique *
Giuliano
Mauricio
Hernani Jr *
Artur
Robert Renan *
Du Queiroz *
Yuri Alberto *
Gerson
Jhon Jhon *
Ivan

*chegaram com menos de 25 anos

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