A poucos minutos do fim da janela de transferências do verão europeu, o Real Bétis acertou a venda do jovem Pablo García. O atacante de 20 anos, destaque das seleções de base e uma das maiores promessas do time da Andaluzia, precisou ser negociado para o Racing de Santander.

A venda por cerca de 5,5 milhões de euros (mais de 32 milhões de reais), segundo a imprensa espanhola, foi motivada para que houvesse liberação de verba salarial para o clube. Assim, se tratou de uma manobra financeira para que fosse possível registrar o meio-campista Dani Ceballos até 2029, sem que fossem desrespeitadas regras de La Liga.

Pablo García deixou a sede do Real Bétis em prantos e foi flagrado pela imprensa que o aguardava no local. “Tem sido muito difícil para todos, mas é o que é. Temos que manter a cabeça erguida e seguir em frente”, disse o jogador.

Como funciona o ‘fair play financeiro’ de La Liga

O chamado “fair play financeiro” da La Liga é, na verdade, chamado de Limite de Custo de Elenco Esportivo (LCPD). O mecanismo é um sistema de controle econômico que determina quanto cada clube espanhol pode gastar com seu elenco por temporada.

Diferentemente das regras da Uefa, que analisam as contas dos clubes e podem aplicar punições posteriormente, a liga espanhola permite que um jogador só possa ser inscrito se houver margem financeira disponível dentro do limite autorizado. Ou seja, a cada ano, a entidade calcula gastos e receitas.

Lionel Messi ao lado do presidente Joan Laporta em um dos últimos atos pelo Barcelona -

Lionel Messi ao lado do presidente Joan Laporta em um dos últimos atos pelo Barcelona – EFE / Kiko Huesca

Para chegar a esse valor, são consideradas as receitas previstas, receitas extraordinárias, despesas operacionais, dívidas e demais compromissos financeiros. O montante restante representa quanto pode ser destinado ao futebol profissional. Nesse cálculo entram salários de jogadores e treinadores, direitos de imagem, bônus, encargos trabalhistas e até mesmo a amortização de transferências, distribuindo o valor de uma contratação ao longo dos anos de contrato.

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Em caso de descumprimento, negociações podem ser bloqueadas ou o clube pode sofrer sanções futuras. Em alguns casos extremos, a equipe pode ser punida com limites de gastos de 50% ou até 25% de suas receitas.

Messi sofreu pelo mesmo motivo

Em 2021, o LCPD de La Liga afetou o maior jogador da história do Campeonato Espanhol. Lionel Messi precisou deixar o Barcelona para que o clube não excedesse o teto de gastos. À época, o Barça teve receitas impactadas pela pandemia da Covid-19 e precisou reduzir despesas. Apesar do craque ter aceitado uma redução de metade do seu salário anual, isso ainda não foi o suficiente.

“Tudo estava resolvido, mas por causa da questão de La Liga, não pode ser concluído. Não há nada mais do que isso. Tínhamos tudo combinado. Fiz tudo o que era possível (para continuar). Estou muito triste por sair deste clube que amo e numa altura que não esperava”, desabafou o argentino.

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