Barreiras policiais e mais: torcedores do Atlético viajam 57 horas para final da Libertadores
Trajeto de Belo Horizonte para Buenos Aires foi atrasado em quase um dia por intervenções da segurança pública argentina; veja relato

Qual a maior loucura que você faria pelo seu time do coração? Alguns eternizam na pele com tatuagens, outros batizam filhos e os mais fanáticos são capazes de passar dias na estrada para apoiar a equipe em uma final de Copa Libertadores da América.
Assim que milhares de torcedores de Atlético Mineiro e Botafogo foram a Buenos Aires para acompanhar de perto a final desta edição, neste sábado, 30, às 17h (de Brasília). E em certos casos, viagens que já seriam grandes foram atrasadas e se tornaram longas jornadas.
Otaviano Neto, torcedor do Galo, deixou a remota Santo Antônio do Monte, cidade de 28.000 habitantes a 200 quilômetros de Belo Horizonte, com rumo à capital argentina. O jovem atleticano enfrentou 57 horas de estrada em um ônibus fretado e desembarcou na sede da final apenas horas antes da bola rolar.
O atleticano relatou com exclusividade à PLACAR a sua viagem. Conforme apontou Neto, grande parte do atraso foi ocasionada por ações da polícia da Argentina, a partir da fronteira que divide os países.
A saga para a Glória Eterna
“O ônibus saiu de Belo Horizonte por volta de 00h20 de quinta-feira. Estava marcado para 23h30 da quarta-feira. Porém, é um atraso pequeno. Estava tudo bem, fizemos uma parada em Ribeirão Preto, São Paulo, por volta da manhã das 9h30 em um posto bom, com estrutura. A outra parada foi em Ourinhos, onde fiz a única refeição do dia”, iniciou a história.

Otaviano continuou contando, relatando que o próximo momento de parada foi próximo a Foz do Iguaçu, no Paraná. Segundo o torcedor, a pausa foi para banho, mas uma queda de energia obrigou uma “ducha gelada”, que, segundo ele, foi a única durante o trajeto.
Contudo, o estágio de “maior perrengue” ainda estava por vir. “Chegamos na fronteira do Paraná com a Argentina por volta das 4h da madrugada. Lá ficamos até as 11h. Ficamos sete horas, sem explicação nenhuma, parado“, disse.
E ele prosseguiu: “Já tinham configurado o documento, não era isso. A gente desceu do ônibus, revistaram tudo. Até que chegou um policial e disse que precisaríamos esperar juntar dez carros para entrarmos no país. E não importava qual ônibus era. Em todos eles demoravam muito tempo revistando. Não éramos de organizada, era um ônibus de famílias, idosos e crianças.”
Torcedores do Atlético “travados” na Argentina
Assim, após longa espera, o torcedor disse que a entrada na Argentina foi liberada. No entanto, a demora continuou. “A gente juntou com outros nove ônibus e fomos em comboio. Ficava uma polícia atrás e uma viatura na frente. E essas viaturas não deixavam andar a mais de 60 km/h. Isso atrasou muito“, reclamou Neto.
O atleticano também contou que houveram tentativas de parada na estrada ignoradas pela polícia. Desse modo, a única vez em que os ônibus pararam na sexta-feira, em terras argentinas, foi na parte da noite.
a velocidade que esses caras tão andando
po que bizarro cara
sem explicação pic.twitter.com/F0jlHG6Vym
— Neto (@Neto_Lacerda9) November 30, 2024
Por outro lado, até mesmo nesse momento houve dificuldade. “A gente foi fazer uma parada só de noite, em um posto sem estrutura nenhuma, só tinha um mercadinho. E podia entrar só de seis em seis pessoas, os policiais faziam esse controle. Parece que fizeram de propósito, porque depois vimos na frente havia um posto melhor para receber 10 ônibus de uma vez.”
As complicações seguiram por mais um trecho longo: “Nesse mercadinho muita gente não conseguiu comer. Mas seguimos. Nesse momento ainda faltavam uns 900 quilômetros e toda hora trocava a viatura que escoltava. E essas trocas demoravam 40 minutos ou até mesmo duas horas.”
“Então, pensa como demorou? A viagem, no total, era para durar 38 horas, mas durou 57. Fizeram de tudo para sacanear, só que aqui é Galo. É sofrido mesmo, tem que ser, se não for não somos nós. Chegamos hoje cedo em Buenos Aires e ainda tive que pagar o equivalente a 100 reais de carro de aplicativo. Mas é assim mesmo, vale tudo por esse time“, finalizou Otaviano, emocionado por desembarcar para a final da Libertadores.