Em 10 de junho de 1998, Brasil e Escócia ficaram frente a frente no jogo de abertura da Copa do Mundo daquele ano, no Stade de France, em Saint-Denis. O nervosismo da estreia pelo lado do campeão mundial da época parecia ter sido superado com o gol de César Sampaio, logo aos quatro minutos do primeiro tempo. No entanto, aos 38, um lançamento escocês realizado pouco depois do círculo central resultou em uma bola escorada para Kevin Gallacher que, na disputa pela posse, sofreu contato do mesmo César Sampaio e foi ao chão. Cartão amarelo para o volante, pênalti marcado e gol de empate da Escócia.
“Quanto ao pênalti, só me resta rir, porque nas Eliminatórias jogamos contra a Suécia, a mesma coisa aconteceu, mas eu não caí. Talvez tenha aprendido a lição”, brinca Gallacher, em entrevista exclusiva à PLACAR. “Quando jogo contra o Brasil, eu caio. Felizmente, tivemos o pênalti e John [Collins] converteu. Estávamos confiantes de que poderíamos conseguir um resultado positivo.”
Brasil 2×1 Escócia, 1998
A emoção de ter jogado a abertura da Copa de 1998 contra a Amarelinha ainda é presente para o ex-camisa 7 da seleção escocesa. “É difícil de assimilar quando, no dia do jogo, você se alinha e vê Taffarel, Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldo. Você vê esses caras pessoalmente e pensa: ‘Uau! Estou no mesmo palco que superestrelas mundiais’.”

Lance do gol de César Sampaio, no jogo contra a Escócia; Gallacher aparece com a camisa 7 (Pisco Del Gaiso)
Apesar do resultado adverso, Gallacher acredita que a equipe do lendário técnico Craig Brown tenha se saído bem durante o duelo: “Achei que jogamos muito, muito bem. Tivemos azar em algumas oportunidades que talvez devêssemos ter aproveitado na partida. E para piorar, sofremos um gol contra meio bobo.”
Para o ex-campeão da Premier League pelo Blackburn Rovers (1994–95), sair atrás no placar precocemente tornou o trabalho escocês muito mais difícil durante a partida. Mas, ele pondera: “Conseguimos chegar lá e reavaliar o que estávamos fazendo. Estivemos muito perto de conseguir o que teria sido um resultado inacreditável para a Escócia.”

À esquerda, Colin Hendry, capitão da Escócia em 1998, e à direita, Kevin Gallacher (Reprodução/Instagram/braveheart5ch_)
Brasil x Escócia, 2026
Vinte e oito anos despois, a seleção brasileira e a escocesa voltam a se encontrar em uma Copa do Mundo, nesta quarta-feira, 25, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami. Ao todo, as equipes jogaram em quatro oportunidades em mundiais:
- Brasil 0x0 Escócia (1974);
- Brasil 4×1 Escócia (1982);
- Brasil 1×0 Escócia (1990);
- Brasil 2×1 Escócia (1998).
Diferentemente da estreia em 1998, dessa vez as equipes fecharão o Grupo C da Copa de 2026. O Brasil, após empate contra o Marrocos (1×1) e vitória sobre o Haiti (3×0). A Escócia, depois de vencer os haitianos (1×0) e perder para os marroquinos (0x1). Para gantir a inédita classificação escocesa à próxima fase, Gallacher torce pela melhor partida possível dos comandados de Steve Clarke. “Não espero que vençam o Brasil, mas que tentem um empate”, arrisca. “A grande oportunidade era o Haiti e eles conquistaram os três pontos. Agora, estão em uma boa posição para, com sorte, não perder por muitos gols, se perdermos.”
O pensamento pragmático do ex-atacante encontra base no próprio Ranking Fifa de seleções, no qual a seleção de Ancelotti ocupa a sexta posição e a Escócia, a 41ª. Mas, se distancia do que John McGinn, autor do único gol do Exército Tartan nesta Copa, planeja para o confronto contra o Brasil. Após ser perguntado em entrevista coletiva sobre perder somente por 1 a 0, o meio-campista disparou: “É importante que não tenhamos essa mentalidade. Não entramos nos jogos pensando em perder por um gol de diferença e tentar nos classificar por pouco.”

Ronaldo disputando lance com jogador da Escócia, durante a Copa do Mundo de Futebol, no Estádio de Saint-Denys (Alexandre Battibugli)
Posicionamentos distintos, os quais não abalam a crença de Gallacher na atual geração escocesa. “Temos um bom elenco de jogadores agora e eles se classificaram para a Eurocopa e para a Copa do Mundo. Eles irão mais longe do que alguns dos jogadores lendários da Escócia, se conseguirem se classificar”, projeta o ex-camisa 7, para quem a partida de quarta pode terminar em “0 a 0, 1 a 0 ou 2 a 0 para o Brasil”. Ainda assim, ele sonha com ao menos um gol da equipe de Steve Clarke: “Espero que com alegria, sorriso no rosto, talvez possamos surpreender. Porque se Cabo Verde pode empatar com a Espanha e depois empatar em 2 a 2, por que a Escócia não pode fazer o mesmo?”
Apesar do apoio sincero, Gallacher não teve dúvida ao responder sobre qual seleção escocesa é melhor entre a de 1998 e a de 2026: “Tenho que dizer que é a minha.” Tampouco, titubeou sobre qual Brasil é melhor. “Acho que em 1998, todos os jogadores eram nomes conhecidos por todos. Agora, talvez cinco ou seis. Você entendia por que eles eram campeões mundiais”, conclui.








