Brasil e França se enfrentam nesta quinta-feira, 26, em Boston, nos Estados Unidos, a partir das 17h (de Brasília), em mais um amistoso preparatório para a Copa do Mundo de 2026. Um detalhe que chama a atenção dos 26 convocados da seleção francesa é que 2/3 dos atletas (17 no total) possuem ascendência africana.
Destes, a maioria nasceu na França, exceto Maignan (Guiana Francesa), Brice Samba (Congo), Michael Olise (Inglaterra) e Marcus Thuram (Itália). O último é filho de Liliam Thuram, nascido em Guadalupe, um dos heróis do titulo de 1998. Para alguns especialistas, esse quadro reflete na evolução técnica do país nos últimos anos.
Dos 26 convocados, possuem dupla nacionalidade africana Brice Samba (Congo), Pierre Kalulu (Congo), Ibrahima Konaté (Mali), William Saliba (Camarões), Dayot Upamecano (Guiné Bissau), Eduardo Camavinga (Angola/Congo), N’Golo Kanté (Mali), Manu Koné (Costa do Marfim), Aurélien Tchouaméni (Camarões), Maghnes Akliouche (Argélia), Rayan Cherki (Argélia), Ousmane Dembelé (Mauritânia), Hugo Ekitike (Camarões), Désire Doué (Costa do Marfim), Randal Kolo Muani (Congo), Kylian Mbappé (Camarões/Argélia) Michael Olise (Nigéria/Argélia/Inglês).
Jus solis e Jus sanguinis
Jus solis (direito de solo) e jus sanguinis (direito de sangue) são os dois princípios fundamentais usados pelos países para definir a nacionalidade originária. O jus solis concede cidadania pelo local de nascimento (comum nas Américas), enquanto o jus sanguinis a concede pela ascendência/linhagem familiar (comum na Europa e Ásia).
Imigração, ascendência e representatividade
“A aceleração da imigração após a criação da União Europeia proporcionou ao futebol francês o que já foi tido no Brasil como o “privilégio da miscigenação”, que já deixou de ser exclusividade nossa faz tempo. No futebol, a Franca será na primeira metade desse século o que fomos na segunda metade do século passado: a referência, o país a ser batido. Hoje, são eles que podem formar três seleções em condição de chegar entre as oito melhores de um mundial, duas entre as quatro melhores”, analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de centenas de atletas, entre eles do atacante Endrick, que joga no Lyon-FRA.
“O futebol está cada vez mais global e conectado, e o fluxo de talentos africanos para a Europa é um dos maiores exemplos disso. O Brasil ainda participa pouco desse movimento, mas isso tende a mudar à medida que clubes e executivos ampliam seu olhar para novos mercados. Eventos como a FutPro Expo surgem justamente para fomentar esse tipo de debate, conectar profissionais e mostrar que oportunidades como essa não são tendência futura já são realidade no cenário internacional”, analisa Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento inédito de negócios no futebol que acontecerá entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza.
Não é de hoje, aliás, que esse movimento tem ocorrido na França, fruto do que aconteceu ainda no final do século XIX e início do XX, com a invasão e colonização do país em inúmeros territórios africanos. No futebol, isso se tornou um reflexo e extensão do que aconteceu na sociedade francesa.
Em 1998, ano do primeiro título Mundial do país, o craque Zinedine Zidane, considerado um dos maiores ídolos de toda a história, nascido em Marselha, tinha descendência argelina. Já no bicampeonato em 2018, o então jovem Kylian Mbappé, que viria a ser protagonista também no vice-campeonato em 2022, com três gols na decisão diante da Argentina, é parisiense, filho de mãe argelina e pai camaronês.
Nas duas últimas Copas do Mundo, a influência de jogadores com origem africana na França foi enorme: em 2018, ano do título, dois atletas eram literalmente nascidos na África, casos de Mandanda (Congo) e Umtiti (Camarões), enquanto outros 12 tinham dupla nacionalidade, casos de Rami (Marrocos), Kimpembé e Nzonzi (Congo), Sidibé, Dembelé e Kanté (Mali), Matuidi (Angola), Pogba (Guiné), Mbappé (Camarões e Argélia), Fekir (Argélia), Mendy (Senegal) e Tolisso (Togo).
Já em 2022, ano do vice-campeonato para a Argentina, dos 21 franceses de nascença, 16 tinham dupla nacionalidade, sendo 11 de origem africana, casos de Axel Disasi (Congo), Koundé (Benin), Saliba (Camarões), Upamecano (Guiné-Bissau), Konaté (Mali), Guendouzi (Marrocos), Tchouaméni (Camarões), Fofana (Costa do Marfim), Mbappé (Camarões e Argélia), Dembelé (Mauritânia) e Muani (Congo).
Para não dizer que essa influência é recentem na primeira Copa do Mundo disputada no Uruguai, em 1930, a França já tinha dois atletas nascidos na Argélia, sendo que um deles, Alexandre Villaplane, chegou a ser capitão da seleção em alguns jogos.
Contratação de atletas africanos ainda é tímida no Brasil
Apesar do número de atletas estrangeiros ter aumentado nas últimas temporadas no Brasil (foram 157 em 2025, e já são 162 nesta temporada), a contratação de jogadores do continente africano ainda é bastante tímida no país.
Na Série A, apenas quatro estão inscritos até o momento, casos de Bastos, do Botafogo (Angola), Yannick Bolasie, da Chapecoense (Congo), João Pedro, do Remo (Guiné Bissau), e Mamady Cissé, do Atlético-MG (Guiné Bissau).

Bastos, zagueiro do Botafogo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Comparado com a França, os números são bem discrepantes. Na Ligue 1, a liga nacional do país, 128 atletas inscritos são de origem africana. Todos os 18 clubes possuem algum jogador oriundo da África (ver lista abaixo), sendo que a maioria vem de Senegal, que não por acaso, venceu a Copa Africana de Nações em 2025, mas teve o título revogado esta semana, que passou para Marrocos -este, com 17 atletas atuando na França.
No Brasil, ganhou os holofotes recentemente a chegada do zagueiro Koné ao Palmeiras. Natural da Costa do Marfim e apenas 18 anos, ele foi contratado inicialmente para o time de base, mas chamou tanta atenção que vem fazendo parte dos treinos com elenco principal neste início de temporada.
O Internacional também tem casos parecidos. Apesar de não terem sido oficialmente promovidos, o volante Benjamin Arhin e o meia Denis Marfo, ambos de Gana, iniciaram a temporada treinando com o time profissional.
Ricardo Sobrinho, gerente de mercado do Colorado, explica que as atenções ao processo de captação do mercado africano são recentes e fazem parte da avaliação do clube nos últimos anos.
“Até 2023, o mercado africano não fazia parte do nosso processo regular de captação. Mas desde então fomos a um torneio na Áfica, voltado para as divisões de base, para conhecer melhor esse contexto e avaliar se faria sentido para o clube retornar em futuras edições. Podemos dizer que ficamos bastante satisfeitos com o que vimos”, explica.
O dirigente do Internacional deixa claro que as etapas de contratação são diferentes em relação aos profissionais de outros mercados, principalmente da América do Sul. “No caso dos atletas sul-americanos, a equipe de scouting consegue acompanhar o jogador por um período mais longo, com maior volume de vídeos, relatórios e observações presenciais ao longo do tempo. Já no mercado africano, a avaliação normalmente se concentra em um torneio curto, de cerca de uma semana, o que exige decisões mais rápidas e com uma janela de observação significativamente menor”, diz.
Sobrinho, no entanto, explica que a globalização cada vez mais rápido da indústria acaba fazendo com que o acesso à informação seja constante. “Hoje já conseguimos acompanhar melhor atletas de mercados menos tradicionais, inclusive o africano. A tendência é que, nos próximos anos, esse acompanhamento se torne ainda mais consistente, especialmente se atletas que estão vindo ao Brasil, como o Benjamin, começarem a mostrar seu potencial e confirmarem que é um mercado ao qual precisamos estar cada vez mais atentos. Isso acaba fortalecendo naturalmente o interesse e o olhar dos clubes para esse mercado”, acrescenta.
Na Série A do Campeonato Brasileiro, apenas quatro equipes possuem atletas vindos da África: Bastos, no Botafogo (Angola), Yannick Bolasie, na Chapecoense (RD Congo); Bilal Brahimi, no Santos (Argélia), e João Pedro, Remo (Guiné Bissau).
Ricardo Sobrinho, gerente de mercado do Internacional, também acredita ser fundamental contar com profissionais capacitados, que dominem mais de um idioma e entendam bem todo o processo de adaptação do atleta.
“Não é simples para esses jogadores saírem de um continente com características culturais e uma realidade tão diferentes das nossas. Por isso, é necessário tempo de adaptação e bastante interação no dia a dia, para que o atleta, aos poucos, passe a se sentir parte do ambiente, comece a entender o idioma e consiga demonstrar e desenvolver o seu potencial.”
Somadas as séries B, C e D, esse número sobe para 19 (ver lista abaixo), sendo que a maior parte deles veio da Nigéria, com um total de 5 profissionais, seguido por Camarões, Gana e Senegal, com 2 cada. O Juventude, por exemplo, trouxe por empréstimo junto ao São Paulo o volante Iba Ly, de 22 anos, de Senegal.
“Iba Ly é um atleta que acompanho desde a base do São Paulo, e que teve uma boa passagem pelo Retrô recentemente. Possui muita força física, alto nível de disciplina tática e qualidade com a bola. Esse conjunto de atributos é muito marcante em atletas de origem africana, que hoje ganham cada vez mais prestígio no futebol europeu justamente por aliarem potência, inteligência tática e qualidade técnica. São jogadores competitivos, consistentes e com grande capacidade de adaptação, por isso gosto de acompanhar de perto esse perfil de atleta, que segue em constante valorização no cenário internacional”, aponta Lucas Andrino, executivo de futebol do Juventude.
Nos últimos anos, o Fortaleza contou com o ganês Michael Quarcoo e o nigeriano Michael Fashanu, ambos contratados para as categorias de base. As duas contratações vieram no sentido da busca do Leão do Pici pelo desempenho técnico, aplicação tática e uma possível internacionalização da marca pelo continente africano. Na mesma linha, o clube inclusive anunciou, em 2024, uma parceria com a Academia de Futebol de Angola, visando o mapeamento e intercâmbio de atletas e o entendimento dos processos metodológicos.
No mesmo período do fechamento da parceria, também foi apresentado o projeto das Categorias de Base do Fortaleza ao Sr. Juerg Nepfe, chefe do Serviço de Desenvolvimento Técnico da FIFA, e aos representantes da Confederação de Futebol de Angola.
Precursores no Brasil
Ao longo da história, apesar de raro, alguns atletas africanos passaram por aqui. O primeiro a atuar por aqui foi o atacante nigeriano Ricky, pelo América-RJ, em 1984. No ano seguinte, indicado por Pelé, o Santos trouxe o meia-atacante Kennedy Nagoli, do Zimbábue, e também o atacante sul-africano Arthur Zwane, que ficou na Vila por duas temporadas.
Em 1996, o Corinthians apostou no sul-africano Mark Williams. Mas o atacante jogou apenas três partidas até seguir caminho na Europa e Ásia, passando por Wolverhampton Wanderers (Inglaterra), Chongqing Lifan (China), Qingdao Zhongneng (China) e RWDM (Bélgica). Em 1998, o Fluminense apostou no liberiano Josephus Yenay, mas ele ficou pouco tempo e logo se transferiu para o futebol português.
Também neste período, entre 1994 e 1998, o goleiro camaronês William Andem defendeu Cruzeiro e Bahia. No time mineiro, foi reserva de Dida, mas chamou mesmo a atenção ao se envolver em uma briga com o atacante Euller e o zagueiro Gutemberg em um clássico contra o rival Atlético.
Nos anos 2000, Johnson Macaba veio da Angola e fez um tour por clubes daqui: Juventus (2005), Portuguesa (2006), Goiás (2006 e 2007) e Santa Cruz (2007 e 2008). O último foi o Atlético Sorocaba, em 2012.
Também nos anos 2000, o atacante camaronês Joel se destacou por aqui e teve passagens por Iraty, Botafogo, Santos, Cruzeiro e Coritiba, Botafogo e Avaí, seu último clube no país em 2017, até se transferir para o Marítimo, de Portugal. Levantou os Estaduais de 2014, com o Coxa, e 2016, com o Peixe.
Entre 2006 e 2010, o atacante Abubakar Bello-Osagie passou por Internacional, Vasco da Gama e Caxias, fez poucas partidas pelos times profissionais dessas agremiações. Já em 2014, foi a vez do Grêmio dar uma chance ao meia-atacante sul-africano Tyrone Sandows, conhecido como “Ty”. Em 2016, por exemplo, ele disputou os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro pela África do Sul.
Em outras frentes, plataformas de análises de desempenho contribuem para esse trabalho junto às categorias de base dos clubes, caso da E-Scout. A empresa ajuda a contextualizar o cenário do mercado brasileiro, no qual os times também vêm investindo em jogadores africanos para as categorias de base. Atualmente, a plataforma especializada na avaliação do futebol de base brasileiro reúne cerca de 20 mil atletas cadastrados, sendo mais de 12 mil atletas com avaliações técnicas completas, elaboradas por uma equipe de analistas especializados, e somente neste ano já avaliou 1.531 atletas e analisou 252 partidas, incluindo atletas africanos mapeados na plataforma, como Cissé, do Atlético Mineiro, e Shola, do Flamengo.
“Hoje existe um movimento claro de aproximação entre o futebol brasileiro, o mercado africano, e esses atletas têm um papel fundamental de visibilidade. Quando um jogador africano se destaca no Brasil, ele não representa apenas um talento individual, mas amplia o olhar sobre um mercado ainda pouco explorado. O futebol brasileiro é uma vitrine altamente observada, com forte capacidade formativa e competitiva, gerando valor esportivo e financeiro. Isso fortalece a competitividade interna, amplia o poder dos clubes de explorar novos mercados desde a base e reforça a aposta de que o Brasil pode formar, pensando tanto no mercado interno quanto no internacional” afirma Marcos Paulo, gerente de análise da E-Scout.
A prospecção de novos atletas vai muito além das categorias de base dos clubes. O CUJU, por exemplo, aplicativo que utiliza inteligência artificial para avaliar jogadores, conta com rankings ativos em diversos países africanos. Com 150 mil jogadores ao redor do planeta, a pontuação dos jogadores é baseada em oito exercícios de fundamento, em que basta o usuário seguir as instruções da tecnologia para começar a atividade.
Atletas de diversos países africanos estão cadastrados na plataforma como uma forma de impulsioná-los a serem observados pelo mundo. O aplicativo os ajuda a chamar a atenção de clubes profissionais, treinadores e analistas de desempenho, o que democratiza o acesso a talentos e elimina fronteiras.
Esse movimento também reflete em projetos estruturados de base, como o desenvolvido pelo VF4, clube paraibano integrante da rede multiclubes da Squadra Sports, que atua na captação de atletas africanos, com foco especial na Guiné-Bissau.
Um dos principais casos é o de Arthur Monteiro, de 20 anos, formado pelo VF4 após chegar ao Brasil em 2023. O atacante passou pelo Sport, onde disputou a Copinha de 2025 e atuou pelas equipes sub-20 e sub-23, antes de alcançar o elenco profissional do Paysandu na Série B do mesmo ano. Além dele, o clube da Paraíba mantém outros jovens africanos em processo de formação, como o meia Toti Matchom e o zagueiro Alimo Demba, ambos com 18 anos, reforçando uma estratégia pensada no médio e longo prazo, com foco no desenvolvimento e na valorização desses talentos.
“A gente acredita muito nesse caminho porque ele une formação, oportunidade e visão de mercado. O Arthur é um exemplo claro de como um trabalho bem feito na base pode gerar impacto esportivo e projeção internacional. Esses atletas chegam com talento, passam por um processo de adaptação e ganham visibilidade em um ambiente competitivo como o Brasil”, afirma Dado Cavalcanti, gestor técnico da Squadra Sports.
Brasil abriu os olhos para exibição de jogos das seleções africanas
A globalização do futebol e o alcance para competições de continentes mais distantes não seu deu apenas dentro das quatro linhas. Com o crescimento das opções na televisão por meio das TVs e do streaming, um avanço significativo aconteceu no Brasil a partir de 2022/23, quando a Band, além das plataformas digitais como Bandplay, o site Band e o canal Esporte na Band, no YouTube, passaram a transmitir a Copa Africana de Nações.
“Precisamos replicar no Brasil o que a Europa já faz com maestria: transformar a nacionalidade do atleta em um ativo de conexão. Lá, um jogador egípcio ou nigeriano não é visto apenas como um reforço de campo, mas como a chave de entrada para um mercado de milhões de consumidores. Aqui, ainda olhamos com desconfiança ou curiosidade, quando deveríamos olhar com ambição. Esse atleta não é só uma aposta técnica; ele é o embaixador que leva o escudo do time brasileiro para a TV e o celular de milhões de africanos que já consomem a nossa cultura. Ignorar esse potencial é jogar contra o próprio crescimento da marca”, diz Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios.
Em seu primeiro ano de exibição, a emissora teve média geral de 4 pontos na Grande São Paulo, considerado o maior mercado do país, e chegou a bater 8 pontos de pico na final entre Senegal e Egito.
O canal voltou a transmistir a disputa da temporada 2023/24, quando chegou a ter 5 pontos de pico na capital paulista, e neste ano, quando alcançou quase 3 pontos de média e 6 de pico na polêmica decisão que deu o título a Senegal sobre Marrocos.
Para Rômulo Vieira da Silva, doutor em Comunicação e diretor de Estratégia e Planejamento da Agência End To End, onde atua na interseção entre esporte, cultura e posicionamento de grandes marcas, o fato de atletas africanos desembarcarem no Brasil com mais frequência, e de exibição de seleções africanas serem exibidas anualmente, devem ser enxergadas com atenção por clubes, entidades e empresas.
“Estamos falando de um público potencial que é até oito vezes maior que o de Portugal e quatro vezes maior que o do Chile. Uma força de engajamento digital ainda subaproveitada, que o Brasil tem todas as condições de liderar, dada sua relevância esportiva e seu nível crescente de profissionalização no futebol”, explica.
Segundo o executivo, é um lugar que faz faz muito sentido ser ocupado pelas partes envolvidas neste ecossistema. “Mais que atrair novos consumidores, esse movimento cria uma troca cultural rica, que ajuda a diluir estereótipos sobre a África e reposiciona o Brasil como um agente ativo de integração cultural no futebol global.
Para Rômulo Vieira, os clubes brasileiros devem começar a entender que a África não é apenas um mercado de atletas, mas também um território cultural e de audiência ainda pouco explorado. “E aí existe uma oportunidade estratégica muito clara, especialmente para o Brasil: a da conexão linguística e cultural com os países africanos de língua portuguesa”, acrescenta
“Em meus estudos sobre Lusofonia, tenho defendido que o português é uma ponte notável de integração, que amplia em cerca de um terço o nosso campo natural de diálogo e posiciona o Brasil em contato direto com públicos distribuídos por quase todos os continentes. O futebol é um grande facilitador desse movimento. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe tendem a olhar para o Brasil com interesse especial não só pela bola, mas pela língua, pela cultura, pela identificação simbólica”, encerra.












