A Argentina entra em campo neste domingo, 19, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, para disputar a final da Copa do Mundo. Contra a Espanha, a seleção albiceleste busca o bicampeonato consecutivo e chegar ao quarto título mundial.
Em campo, a campanha argentina teve marca de viradas históricas, classificações sofridas e brilhos extraordinários de Lionel Messi. Ao mesmo tempo, sem cumprir esquemas táticos com pontas velozes, o time de Lionel Scaloni valorizou a cultura futebolística do país, nomeada historicamente de La Nuestra.

O que é La Nuestra
A expressão começou a ganhar forma nas primeiras décadas do século XX, quando a Argentina passou a reinterpretar o esporte importado da Inglaterra. Os britânicos haviam levado ao país as regras, os clubes, os campeonatos e também uma forma de jogar. Com o tempo, os argentinos passaram a construir uma própria maneira.
Esse movimento casou com a profissionalização do esporte e com a consolidação de Buenos Aires como uma das cidades mais intensas futebolísticamente do mundo. O crescimento do jogo produziu também uma produção intelectual rara para a época. Cronistas passaram a discutir também a natureza do futebol argentino.
La Maquina, grande time do River Plate dos anos 1940
Os textos publicados pela revista El Gráfico, especialmente por Ricardo Lorenzo, o “Borocotó”, ajudaram a construir esse pensamento. A partir dali, o futebol argentino de essência passou a ser descrito como um jogo baseado na técnica, no passe curto, no drible e na improvisação e na inteligência do jogador.
A “La Máquina”, do River Plate, foi aprimeira grande referência de Borocotó. O time dos anos 1940 oferecia um futebol coletivo, móvel e técnico, frequentemente apresentado como a materialização do conceito de La Nuestra.
As interpretações de La Nuestra
Ao longo das décadas, La Nuestra passou a ser reinterpretada por diferentes gerações. Em campo, Alfredo Di Stéfano foi um dos primeiros expoentes daquele futebol. Depois vieram Diego Maradona, Juan Román Riquelme e, mais recentemente, Lionel Messi.
Na beira do campo, treinador defendeu La Nuestra de forma tão aberta quanto Cesar Luis Menotti. Campeão do mundo em 1978, ele entendia que o futebol argentino possuía uma identidade própria e que a seleção tinha o dever de preservar. Para o treinador, era importante não abrir mão da técnica, da criatividade e do protagonismo com a bola.

César Luís Menotti, ex-técnico da Seleção Argentina – JB Scalco-PLACAR
Um ponto menos extremo foi Carlos Bilardo. Campeão em 1986, o treinador defendia que o futebol era, acima de tudo, competição. Ainda assim, sua equipe entregou bom futebol, com Maradona regendo aquela equipe.
Quarenta anos depois, Lionel Scaloni é uma espécie de novo guardião de La Nuestra. Desde que assumiu, no ciclo anterior, o atual campeão do mundo (e candidato a bi) optou por aproximar os jogadores do que eles faziam nos “potreros”, valorizando o passe e a qualidade técnica.









