Com o empate por 0 a 0 entre Austrália e Paraguai pela terceira rodada da primeira fase da Copa do Mundo de 2026, na noite da última quinta-feira, 25, as duas seleções praticamente sacramentaram as suas classificações para o mata-mata. O resultado acabou beneficiando os dois países, que não mostraram tanta vontade de vencer a partida e levantaram suspeitas.

O resultado favorável entre as seleções remete a algumas das histórias mais polêmicas da história das Copas do Mundo, como o “Jogo da Vergonha” de 1982 ou a eliminação do Brasil, em 1978. Ambas popularizaram o termo “Jogo de Comadre”, que se refere a um resultado combinado por ambas as partes.  Relembre os casos mais marcantes:

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Jogo da Vergonha de 1982

Arnaldo Cezar Coelho, durante o jogo entre Alemanha Ocidental 0 x 0 Inglaterra, partida válida pela Copa do Mundo de Futebol de 1982, no Estádio Santiago Bernabéu (Ronaldo Kotscho/PLACAR)[/caption]

Na Copa de 1982, Alemanha, Áustria, Argélia e Chile formaram o Grupo B do torneio. Na última rodada, a Argélia venceu o Chile por 3 a 2, chegando aos quatro pontos e saldo zero, empatando com a Áustria, que tinha 3 de saldo, em pontos.

A Alemanha vinha na terceira colocação, com dois pontos, e jogaria contra a Áustria, um dia depois da partida da Argélia. No duelo entre os europeus, a seleção alemã abriu o placar aos 10 minutos, e simplesmente parou de atacar. Os austríacos, que estavam se classificando junto aos alemães, tampouco se importaram.

A torcida presente no estádio espanhol, vendo a “marmelada”, passou a vaiar os jogadores em campo. Não adiantou, e a partida terminou 1 a 0, resultado que classificou Alemanha em primeiro, Áustria em segundo, e eliminou a Argélia, pelo saldo. O episódio ficou conhecido como “Jogo da Vergonha” ou ainda a “Desgraça de Gijón”, sede da partida.

Desde aquela polêmica partida, a Fifa passou a adotar jogos simultâneos no mesmo grupo, para evitar resultados combinados.

Eliminação do Brasil

Lance do jogo entre Brasil 0 x 0 Argentina, em partida válida pela Copa do Mundo de 1978, no Estádio Gigante Arroyito - Lance do jogo entre Brasil 0 x 0 Argentina, em partida válida pela Copa do Mundo de 1978, no Estádio Gigante Arroyito –[/caption]

Na Copa anterior, em 1978, a seleção brasileira foi vítima de uma das maiores polêmicas da história das Copas. Líder do Grupo B, na segunda fase, com cinco pontos e 5 de saldo, o Brasil só não avançaria de fase caso a Argentina, segunda colocada, vencesse o Peru por quatro gols de diferença.

Foi exatamente o que aconteceu. A seleção argentina goleou os peruanos por 6 a 0 e assumiu o primeiro lugar do grupo, única posição que se classificava. O placar amplo levantou suspeitas de que o Peru teria entregado a partida para os argentinos. Uma das versões davam conta de que os atletas foram coagidos pela ditadura argentina, liderada por Jorge Rafael Videla.

O goleiro da seleção peruana naquela partida, Ramón “El Loco” Quiroga, que era nascido na Argentina, falhou em alguns dos gols dos 6 a 0. Ele próprio declarou “estar certo de que alguém ganhou” dinheiro com a goleada sofrida. Mais recentemente, em 2018, José Velásquez, outro jogador do Peru, revelou que seis companheiros receberam dinheiro para entregar a partida. Nenhum tipo de ilegalidade jamais foi comprovada. A Argentina foi campeã pela primeira vez ao bater a Holanda na decisão no Monumental de Núñez.

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