O golfe vem conquistando um espaço cada vez maior na rotina de atletas de elite, especialmente entre jogadores de futebol que enxergam na modalidade uma forma de equilibrar desempenho esportivo, recuperação mental e lazer. Durante a Copa do Mundo de 2026, o tema foi debatido graças ao apreço de algumas estrelas pelas tacadas.

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O brasileiro Neymar Jr. foi visto praticando golfe ao lado do filho na Flórida, enquanto o atacante norueguês Erling Haaland, carrasco do Brasil no Mundial, contou em entrevista que aproveita seu tempo livre para descansar o corpo e a mente praticando golfe. O artilheiro inglês Harry Kane é outro praticante assíduo, e chegou a receber elogios do presidente americano Donald Trump, com quem jogou golfe no ano passado.

“Joguei bem, para ser sincero. Ele me convidou para jogar quando eu estava em Palm Beach. Foi uma experiência bastante surreal simplesmente conhecê-lo e, obviamente, jogar golfe com ele. Para ser sincero, ele joga muito bem. Espero conseguir jogar tão bem quando tiver a idade dele. Foi uma experiência única, e fiquei muito grato pelo convite”, afirmou Kane em entrevista coletiva.

Os benefícios do golfe

John Parry, atleta profissional de golfe, durante treino - EFE/EPA/ADAM VAUGHAN

John Parry, atleta profissional de golfe, durante treino – EFE/EPA/ADAM VAUGHAN

Mais do que um passatempo, o golfe vem sendo incorporado à rotina de atletas de alto rendimento como uma ferramenta de desenvolvimento mental. Em uma modalidade em que cada tacada exige concentração, controle emocional e tomada de decisão sob pressão, o esporte oferece um ambiente de baixa sobrecarga física e alto estímulo cognitivo, características valorizadas por profissionais que convivem diariamente com calendários intensos e grande pressão por resultados.

Embora exija técnica refinada, o golfe também proporciona um ambiente de desaceleração, permitindo que atletas desconectem da rotina competitiva sem abrir mão da prática esportiva. O esporte trabalha habilidades como paciência, foco, gestão emocional e disciplina, competências cada vez mais reconhecidas como determinantes para o desempenho em modalidades coletivas.

A identificação de grandes nomes do esporte com os campos de golfe ajuda a ampliar essa percepção. Assim como Neymar escolheu a modalidade para aproveitar o período de descanso após uma temporada conturbada, Haaland mostrou que a precisão exigida em uma tacada guarda semelhanças com a capacidade de decisão dentro da área, atributos construídos por meio de repetição, controle e concentração.

A tendência também se consolida no futebol brasileiro. Além de acompanhar a rotina de craques internacionais, o golfe vem conquistando espaço entre atletas que atuam no país. Jogadores como Pedro e Jorginho, ambos do Flamengo, Gabriel Girotto, do Red Bull Bragantino, e Andreas Pereira, do Palmeiras, são alguns dos praticantes da modalidade e ajudam a reforçar a percepção de que o esporte pode ser um importante aliado na preparação mental, no controle emocional e nos momentos de recuperação entre as temporadas.

Andreas Pereira é um dos atletas do futebol brasileiro que jogam golfe - Divulgação/Palmeiras

Andreas Pereira é um dos atletas do futebol brasileiro que jogam golfe – Divulgação/Palmeiras

Segundo a Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe), esse movimento também contribui para aproximar o esporte de novos públicos.

“O golfe deixou de ser um esporte isolado para se tornar uma importante ferramenta de desenvolvimento para atletas de alto rendimento. É uma modalidade que trabalha o foco mental, controle da ansiedade, concentração e precisão, praticamente sem impacto físico, tornando-se um excelente complemento para jogadores de futebol e atletas de diversas modalidades. Quando nomes como Neymar, Haaland e Kane aparecem nos campos de golfe, eles despertam a curiosidade de milhares de pessoas que passam a enxergar o esporte de uma forma diferente”, afirma Felipe Almeida, vice-presidente da CBGolfe.

O cenário nacional

O crescimento do interesse também encontra respaldo na evolução da modalidade no Brasil. Segundo a Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe), o número de praticantes dobrou nos últimos 15 anos e, atualmente, gira em torno de 20 mil golfistas. O Brasil conta, hoje, com 117 campos de golfe espalhados pelo território nacional, número que também cresceu significativamente no período.

Outro importante vetor de expansão é o programa social Golfe para a Vida, desenvolvido pela CBGolfe, que já apresentou a modalidade para mais de 90 mil pessoas, majoritariamente crianças e adolescentes. A iniciativa busca democratizar o acesso ao esporte e ampliar sua presença em diferentes regiões do país, contribuindo para formar novos praticantes e desconstruir a percepção de que o golfe é uma atividade restrita a poucos.

Com exemplos vindos do futebol mundial e uma estrutura nacional em constante desenvolvimento, o golfe vive um momento de renovação de imagem. Mais do que um esporte associado ao lazer, passa a ser reconhecido como uma ferramenta de preparação mental, qualidade de vida e longevidade esportiva, atributos cada vez mais valorizados tanto por atletas profissionais quanto por quem busca uma prática esportiva completa.

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