O presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio “Chiqui” Tapia, falou pela primeira vez sobre o futuro do técnico Lionel Scaloni e de Lionel Messi na seleção argentina. Em entrevista à emissora TyC Sports, o dirigente explicou que não prenderá ou forçará situação alguma para a continuidade do projeto envolvendo ambos.
“Todos nós queremos que ele (Scaloni) fique. Tenho de respeitar a decisão dele, deixar que reflita e faça a escolha que julgar correta. Não posso mantê-lo preso se ele sentir que lhe falta o ânimo necessário ou se não enxergar um caminho para continuar evoluindo. Quero que ele seja feliz e, diante de tudo o que nos proporcionou, todos nós devemos querer o mesmo, ainda que seja doloroso e as pessoas perguntem: ‘O que vem agora depois da Scaloneta?'”, iniciou dizendo Tapia, que deixou em aberto a possibilidade de contar com Messi para o ciclo de 2030:
“Devemos nos orgulhar dele. Gostei de vê-lo em campo; foi o grande nome desta Copa do Mundo, assim como tem sido em todas as competições que disputou. Ele precisa sentir vontade de jogar. Lá em 2022 não sabíamos se ele jogaria em 2026. Ele dizia que era ‘jogo a jogo’, e vimos uma grande versão dele – talvez a melhor de todas. Que ele continue curtindo jogar futebol, que nós também possamos aproveitar isso, e que ele tome a decisão que achar correta”.
Scaloni não escondeu o abatimento durante a entrevista concedida logo depois da derrota por 1 a 0 para a Espanha no último dia 19 de julho, na prorrogação, que custou à albiceleste a perda do título da Copa. Desolado, o treinador desabou em choro ao ser questionado sobre a continuidade do trabalho iniciado em 2018 e disse que precisaria repensar.

Scaloni perdeu sua primeira final no comando da albiceleste – Christopher Neundorf/EFE
Em seguida, ele foi consolado pelo assessor de imprensa da equipe sul-americana e aplaudido por parte dos jornalistas presentes, deixando a coletiva.
Antes da manifestação pública de dúvida sobre a sua continuidade no cargo, Scaloni já havia mencionado gratidão ao grupo de jogadores pelo feito protagonizado durante mais uma campanha como finalista da competição.
Ele também despistou sobre a possível despedida de Lionel Messi, que aos 39 anos, teria 43 em uma possível nova participação em 2030: “Não, não me disse (aposentadoria de Messi). A verdade é que não falei com Leo. Vou falar com o presidente. Sei do que quero fazer. Vou cumprir o contrato. Sinto a necessidade também de pensar, porque não sei se vou poder fazer algo tão grande como isso e melhor. Tenho que falar. Tenho que agradecer ao presidente por estar no lugar”.
“39 anos, é incrível. Espero que as pessoas se orgulhem dele, do que ele faz; ele é o melhor jogador de futebol que já pisou num campo. O que ele fez nesta Copa do Mundo é inacreditável”, completou.

Lionel Messi caído no gramado do Metlife Stadium na final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha – Ronald Wittek/EFE
Messi voltou a jogar pelo Inter Miami no último sábado, 1º, no empate por 2 a 2 com o Columbus Crew. Na quarta, 5, também atuou na vitória por 4 a 2 diante do Atlético San Luis, marcando dois gols, mas ainda sem falar sobre o assunto.
Campeão do mundo em 2022, Scaloni comandou a seleção sul-americana a uma guinada, findando um longo jejum em Copas – o último título havia sido em 1986 -, além de conquistar duas edições de Copa América (em 2021 e 2024), a Finalíssima de 2022 e marcos importantes, como a histórica vitória por 4 a 1 sobre a seleção brasileira no último ano, pelas Eliminatórias.
Neste ciclo, foram 40 jogos com 32 vitórias, três empates e somente cinco derrotas. Ao todo, são 104 jogos no comando da Argentina, com 76 vitórias, 18 empates e dez derrotas.








