Hospedados no Hyatt Regency Galleria, na região de Uptown, em Houston, basta aos jogadores da seleção brasileira um olhar pela janela do hotel para enxergar a imponência da Williams Tower, edifício mais alto do mundo fora de um grande centro de negócios, com 275 metros de altura e 64 andares. No mesmo complexo, também há o The Galleria, o maior shopping do estado do Texas com mais de 400 lojas.
Mas bastaria caminhar alguns passos para o lado oposto para chegar ao Museum of Illusions (Museu das Ilusões), espaço onde a física e a ciência se misturam para enganar o cérebro, criando ilusões de ótica.

Nesta segunda-feira, 29, a partir das 14h (de Brasília), no NRG Stadium, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti viverá exatamente essa experiência: de um lado, a certeza de continuar olhando para um feito grandioso, com a conquista do hexacampeonato e o fim do jejum de 24 anos sem ganhar uma Copa. Do outro, a ilusão de mais um fracasso em Mundiais.

Seleção brasileira durante a execução do hino nacional – Rafael Ribeiro/CBF
“Em nenhum momento deixamos que qualquer tipo de favoritismo nos tirasse os pés do chão. Na última Copa do Mundo, fomos eliminados pela Croácia, mesmo com muita gente dizendo que éramos uma seleção superior. Da mesma forma, no último Mundial de Clubes, o meu time, o PSG, perdeu para o Botafogo, embora muitos afirmassem que o PSG estivesse muito acima do adversário. O futebol é assim: tudo precisa ser mostrado dentro de campo”, definiu o zagueiro Marquinhos.
O cuidado do defensor na última entrevista antes da decisiva partida contra o Japão, pela fase de 16 avos do torneio, é carregada de alguém que viu o país sucumbir nas duas últimas Copa do Mundo nas quartas de final para adversários considerados menos tradionais: a Bélgica, em 2018, e a Croácia, em 2022.
“É importante ter uma mentalidade forte para jogar um torneio como a Copa do Mundo. Agora começa os mata-matas e os jogadores serão provados”, explicou o técnico Carlo Ancelotti, que ao ser questionado se teria chegado ao momento da competição em que poderia ser visto como um especialista pelos cinco títulos de Champions League, se esquivou: “não, não, até porque aqui nem é mata-mata. É só mata”.

Nos pênaltis, a dolorosa eliminação para os croatas na última Copa do Mundo – Ricardo Corrêa/Placar
Para evitar surpresas, pela primeira vez desde que assumiu a seleção brasileira, em maio de 2025, Ancelotti deve repetir diante dos japoneses pela primeira vez a escalação da equipe após 15 jogos no comando da Amarelinha. A tendência é levar a campo os mesmos 11 iniciais que venceram por 3 a 0 a Escócia, em Miami.
“Não quero dar a escalação. Não quero que vocês cheguem ao estádio tranquilos (risos)”, disse, arrancando risos dos jornalistas presentes na entrevista prévia da partida. “Se dou a escalação agora, vocês ficam tranquilos. Vou pensar um pouco mais, aí vocês pensam mais também”, completou em seguida.
Perguntado se indefinição não poderia “tirar o sono” dos jogadores, Ancelotti voltou a brincar: “não (risos). O jogador que vai jogar já sabe, assim como aquele que não vai jogar também. Essas definições são tratadas em conversas individuais. Então o jogador vai dormir muito bem, melhor do que o treinador”.
O “projeto hexa” já naufragou por cinco oportunidades: 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Para ajudar o país, nem mesmo o forte calor enfrentado pelos jogadores nos três primeiros jogos – em Nova Jersey, na Filadélfia e em Miami – será um adversário já que, diferente dos palcos anteriores, o NRG Stadium possui teto retrátil e sistema de climatização em todo o estádio. Pela primeira vez, contudo, o Brasil não jogará a noite, mas ao meio-dia no horário local.

NRG Stadium, chamado pela Fifa de Houston Stadium na Copa do Mundo – Sam Wassom/EFE
“A rotina antes do jogo vai mudar um pouco, mas não muito. Jogar ao meio-dia é um pouco mais diferente, mas a verdade é que a estrutura desse estádio é muito boa. É um local onde não vamos sofrer com o calor. Temos que mudar um pouco, mas os jogadores estão acostumados, sempre treinamos mais ou menos a essa hora, então não acredito que vamos ter problema em jogar o jogo ao meio-dia”, avaliou Ancelotti.
Diante do Japão, pesa de forma favorável o histórico: 11 vitórias, dois empates e uma única derrota em 14 jogos disputados. Há do outro lado, porém, um clima de fazer desta partida o maior feito da história da seleção asiática em Copas do Mundo.
Outro ponto: só neste torneio, Houston já viu duas surpresas, como o empate por 1 a 1 da República Democrática do Congo com Portugal, além da histórica classificação de Cabo Verde aos mata-matas.

Torcida de Cabo Verde comemorou a histórica classificação aos 16 avos da Copa – Sam Wassom/EFE
“Temos tido batalhas difíceis até aqui e, embora seja um jogo contra um adversário, o que devemos fazer firmemente é dar o nosso máximo para que possamos alcançar um crescimento ainda maior e conquistar a vitória. Queremos encarar esse desafio para vencer o jogo contra uma potência de nível mundial, que já foi campeã da Copa do Mundo”, afirmou o técnico japonês Hajime Moriyasu.
Na competição, o único encontro entre brasileiros e japoneses ocorreu em 2006, na cidade alemã de Dortmund. Naquela ocasião, o Brasil goleou os Samurais Azuis por 4 a 1. Gols de Ronaldo (duas vezes), Juninho Pernambucano e Gilberto, enquanto Tamada descontou para os japoneses.
O vencedor da partida encara Costa do Marfim ou Noruega, que jogam na terça-feira, 30, também às 14h.










