Zinedine Zidane é, indiscutivelmente, uma das maiores lendas da histórias do futebol. Poucos trataram a bola com tamanha intimidade. Tanto que, apesar de ter sido o carrasco da seleção brasileira em duas Copas do Mundo, na final de 1998 e quartas de final de 2006, o astro francês jamais foi odiado por um verdadeiro amante do futebol.

Símbolo de elegância e eficiência, que lhe renderam três prêmios de melhor do mundo da Fifa, além dos títulos da Copa do Mundo, Liga dos Campeões, Eurocopa (e tantos outros), “Zizou” coleciona momentos memoráveis e de pura genialidade.

1. O gol de título mais bonito da história da Champions

Zidane marcou, em Glasgow, na final da Liga dos Campeões de 2002, entre Real Madrid e Bayern Leverkusen, da Alemanha, o gol mais bonito de sua carreira e possivelmente um dos mais marcantes da história do torneio. O brasileiro Roberto Carlos, após tabelinha com o espanhol Santiago Solari, fez um cruzamento alto e sem muita precisão, mas, como gênio que era, Zidane emendou um voleio espetacular de canhota, sua perna “menos boa”, direto para o ângulo da mera alemã. Foi o gol que garantiu o triunfo por 2 a 1.

O gol de Zidane que assegurou o título ao Real Madrid na vitória de 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen Neal Simpson/EMPICS/Getty Images

2. (Raros) gols de cabeça afundaram o Brasil

Apesar da boa altura (1.85m ) Zidane nunca foi um excepcional cabeceador, até por geralmente ser o batedor de faltas e escanteios das equipes por onde passou. No entanto, justamente na final da Copa do Mundo de 1998, o camisa 10 frustrou a seleção brasileira pela primeira vez com dois gols de cabeça, aparecendo nas primeiras traves e surpreendendo a marcação. Naquele ano, ‘Zizou’ ganhou a primeira de suas três Bolas de Ouro e se consagrou com grande craque internacional.

Zidane  comemorando um gol contra o Brasil na final da Copa do Mundo de Futebol, no Stade de France – PLACAR

3. ‘Cavadinha’ em Buffon na final de 2006

Quantos jogadores teriam o sangue frio de bater um pênalti com “cavadinha” – ou a la Panenka, como dizem na Europa, em homenagem ao jogador checo que inventou o recurso – numa final de Copa, e ainda diante de um dos melhores goleiros da história? Pois foi o que Zidane fez diante da Itália de Gianluigi Buffon. A bola ainda bateu no travessão antes de entrar e fez o francês igualar os brasileiros Pelé e Vavá, o inglês Geoff Hurst e o alemão Paul Breitner como únicos a marcar gols em duas finais de Copa. O camisa 10, porém, se despediu do futebol (era o último jogo de sua carreira), recebendo um cartão vermelho após dar uma cabeçada em Marco Materazzi. A Itália conquistou o tetra, nos pênaltis, em Berlim.

Zidane frente a frente com o italiano Gianluigi Buffon na final da Copa do Mundo de 2006 Eddy Lemaistre/Corbis/Getty Images

4. Chapéu em Ronaldo e novo show contra o Brasil

Ainda naquela Copa de 2006, Zidane teve uma atuação memorável novamente diante da seleção brasileira. Nem tanto pela assistência para o gol da vitória de Thierry Henry, nas quartas de final, mas pela forma como ditou o ritmo da partida com suas arrancadas e proteções de bola perfeitas. Um lance bastante simbólico envolveu seu amigo Ronaldo, vítima de um chapéu. Nesta terça, o Fenômeno mandou os parabéns a Zidane em suas redes sociais. “O melhor com quem já joguei”, escreveu, sobre o ex-colega de Real Madrid.

Companheiros de Real Madrid, Zidane e Ronaldo se cumprimentam antes de duelo pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2006 Sampics/Corbis/Getty Images

5. A roulette

Nenhum lance representou mais a elegância e a criatividade de Zidane do que o giro em 360º, a ‘roulette’, como os franceses batizaram o drible, no qual o craque girava por cima da bola para se livrar da marcação.

6. Uma estreia memorável pela seleção francesa

A incrível história de Zidane pela seleção francesa já começou de forma impressionante, em 17 de agosto de 1994. A França iniciava um processo de renovação após a frustrante ausência na Copa dos Estados Unidos. Em sua primeira partida internacional, vestindo a camisa 14, o jovem de 22 anos entrou no segundo tempo e marcou os dois gols, o primeiro uma verdadeira pintura, que deram o empate em 2 a 2 diante da República Checa. Doze anos depois, ele encerraria sua passagem pelos “Bleus” com 108 jogos, 31 gols e títulos da Europa e do mundo.

Zidane durante sua estreia pela França, entrou no segundo tempo e marcou os dois gols da equipe no empate contra a República Tcheca, em 1994 Christian Liewig/TempSport/Getty Images

7. A troca de pés contra o La Coruña

Em 2002, Zidane marcou outro gol bastante recordado, exibindo todo o seu repertório. Ele invadiu a área, entortou o zagueiro adversário passando a bola rapidamente de uma perna para a outra,e mandou uma bomba para as redes, levando o Santiago Bernabéu ao delírio e garantindo a vitória do Madrid por 3 a 1.

8. Golaço marcado ainda nos tempos ‘cabeludos’

Zidane iniciou a carreira pelo Cannes e ainda passou pelo Bordeaux antes de ir para a Juventus e se consagrar. Ainda cabeludo, o jovem Zizou marcou um lindo gol pelo Bordeaux contra o Betis, nas oitavas de final da Liga Europa de 1995: ao receber a bola próximo ao círculo central, viu o goleiro adversário adiantado e bateu forte por cobertura. O gol ajudou o Bordeaux a avançar em uma campanha histórica, que acabou apenas na final contra o Bayern de Munique.

9. Rei do domínio de bola

Zidane tinha passadas largas, mas não era propriamente veloz. A vantagem que levava sobre seus marcadores se dava basicamente na velocidade de raciocínio e na qualidade para controlar a bola. Seja no alto ou no chão, o domínio do francês sempre foi uma de suas marcas registradas. Clique aqui e confira um vídeo com alguns destes lances.

Kaká e Zinedine Zidane durante jogo entre Brasil e França, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de Futebol, 2006 – – Alexandre Battibugli/PLACAR.

10. Como técnico, a preleção do bi da Liga dos Campeões

Como treinador, Zidane também se mostrou um craque, ainda que com um estilo bastante discreto, nas conquistas de três títulos europeus pelo Real Madrid. Na conquista do bi da Champions em 2017, o time espanhol foi para o intervalo empatando em 1 a 1 com a Juventus, mas tudo mudaria a partir do discurso do francês no vestiário. “O mais importante é sermos mais agressivos na defesa. Não para receber cartões, mas para chegar a tempo. Temos de ter mais ritmo. É uma final, temos de sofrer”, foram algumas de suas palavras, sempre em tom calmo, conforme mostra vídeo divulgado pelo clube. O Real Madrid venceu a partida por 4 a 1.