É sabido que a camisa 10 costuma ser destinada aos craques das equipes. Também é bastante conhecido o fato de ter sido o maior de todos, o Rei Pelé, o responsável por transformar este número em sinônimo de talento no futebol, uma herança mantida por nomes como Maradona, Zico, Platini, Zidane, Ronaldinho e Messi, entre outros. O que poucos sabem é que Pelé usou a camisa 10 no primeiro título mundial da seleção brasileira, em 1958 na Suécia, por obra do acaso — ou melhor, da escolha premonitória de um dirigente uruguaio.

A numeração do Brasil na conquista da primeira Jules Rimet é alvo de uma série de teses, sendo a mais aceita uma obra do acaso. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), antecessora da CBF, se esqueceu de enviar à Fifa a relação de atletas com sua respectiva numeração. Coube, então, ao uruguaio Lorenzo Villizio, representante da Conmebol e membro do Comitê Organizador da Copa, definir a numeração. A história da “Numeração Profética” foi contada da seguinte forma na edição especial “A Saga da Jules Rimet”, lançada por PLACAR em 2006.

“Diz a lenda que o uruguaio Lorenzo Villizio, membro do comitê organizador da Copa, definiu a numeração por conta própria, sem consultar nenhum dirigente brasileiro. O que realmente ocorreu nunca ficou bem explicado, mas a lista de Villizio teve erros e acertos incríveis. Como exceção dos números de Gilmar (3, para um goleiro), Didi (6, para um meia) e Zózimo (9, para um defensor), o resto da numeração fazia sentido. Até mesmo o 11 dado a Garrincha, já que ele disputara as eliminatórias com essa camisa. O mais intrigante (até hoje, aliás) foi a concessão da 10 para Pelé. Mais do que um numerólogo por acidente, Villizio foi profético. Como também deve ter antevisto a entrada na equipe titular de Zagalo (que até então só havia disputado três partidas pela seleção).”

Edição especial sobre a Jules Rimet, lançada em 2006, contou a história da camisa 10 de Pelé - PLACAR