Já fez um tempo que as chuteiras pretas não fazem parte da preferência dos jogadores. Desfile de craques, e também de moda para as grandes marcas esportiva, esta Copa do Mundo tem se notabilizado por chuteiras na cor rosa. 

As principais fabricantes de material esportivo, que juntas calçam 94,3% dos jogadores, contam com lançamentos na cor rosa. Nike (presente em 42,6% dos pés dos jogadores), Adidas (40,3%), Puma (10,2%) e New Balance (1,2%) lançaram chuteiras na cor rosa. Skechers, Mizuno e outras marcas compõem o mercado. Os dados são do site especializado Footy Headlines.

O uso também não é uma novidade, mas mostra uma opção curiosa para as marcas. Entre todas as cores disponíveis, pelo menos quatro empresas optaram por escolhas semelhantes para os seus principais craques.

Mas isso não é exatamente uma coincidência. O rosa magenta é a cor de maior contraste ao verde do gramado na escala cromática RGB, sigla em inglês para Red (vermelho), Green (Verde) e Blue (azul). Por isso, a cor chocante chama a atenção ainda que o efeito possa ter sido adverso. 

Escala RGB - Reprodução

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Com tantos pés rosas no campo, acabou ficando difícil diferenciar exatamente um modelo do outro, uma marca da outra. Em uma disputa de escanteio, por exemplo, quando os atletas estão próximos, é preciso um olhar atento para reconhecer qual é qual.

Dentre os lançamentos da Nike, Mercurial, Phantom e Tiempo são opções da cor rosa. Na rival Adidas, F50, Predator, Copa e X Crazyfast obedecem a mesma tendência.

A seleção brasileira que começou a partida contra a marroquina, por exemplo, jogou toda de chuteira rosa e variações até o laranja: Alisson, Ibanez, Douglas Santos, Marquinhos, Lucas Paquetá, Vini Jr. e Igor Thiago de Nike;  Gabriel Magalhães, Casemiro, Bruno Guimarães e Raphinha de Adidas.

Especialistas analisam o fenômeno

Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, destaca como a tendência das chuteiras rosas na Copa de 2026 mostra como o marketing esportivo evoluiu para além dos uniformes. “As marcas disputam cada detalhe da atenção do torcedor, e a chuteira virou um ativo de mídia dentro do jogo. O rosa foi escolhido porque gera contraste imediato com o gramado, aparece melhor na televisão e cria diferenciação visual em um ambiente extremamente competitivo. Em uma Copa do Mundo, onde cada imagem circula globalmente em segundos, a visibilidade vale muito.”

Wolff, no entanto, acredita que a coincidência não foi benéfica para as marcas de maneira individual.  “As marcas conseguiram transformar as chuteiras rosas em um dos símbolos visuais da Copa de 2026. O problema é que, quando Nike, Adidas, Puma, New Balance e outras seguem a mesma tendência, o ganho passa a ser da categoria como um todo e não necessariamente de uma marca específica. O consumidor percebe a cor, mas nem sempre identifica quem está por trás dela.”

Diretor-executivo da FutPro Expo, Veridiano Pinheiro, analisa o fenômeno pelo aspecto da personalidade dos atletas.

“A forte presença das chuteiras rosas nos gramados desta Copa do Mundo vai muito além de uma escolha estética ou de uma tendência passageira de moda. Trata-se de uma afirmação de audácia e disrupção no esporte. O rosa não é apenas uma cor vibrante para quem assiste pela televisão ou no estádio, ela simboliza uma nova era de atletas que não têm medo de expressar sua individualidade, sua personalidade e sua arte dentro de campo”, disse.