Quando um atleta decide seu próximo passo, quase sempre imaginamos que o dinheiro é o fator central. No caso de Gerson, essa lógica não apenas se confirmou como ajudou a conduzir uma escolha equivocada. Ao deixar o Flamengo para defender o Zenit e, poucos meses depois, retornar ao futebol brasileiro, para jogar no Cruzeiro, fica claro que a decisão foi guiada quase exclusivamente pelo aspecto financeiro, ignorando variáveis fundamentais de planejamento esportivo e carreira.

Ele saiu do clube de maior investimento do país, onde era capitão, protagonista e presença constante nas convocações para a seleção brasileira às vésperas de uma Copa do Mundo, para atuar em um mercado periférico, fora das principais competições europeias. No papel, parecia o movimento perfeito: contrato valorizado, promessa de projeção internacional e a sensação de um suposto salto natural na carreira. Na prática, foi um erro.

Gerson descobriu rapidamente o que muitos executivos, empreendedores e profissionais também aprendem da forma mais dura: decisões tomadas apenas pelo dinheiro tendem a cobrar um preço alto. Toda mudança envolve cultura, adaptação, contexto, rotina e propósito. No plano financeiro, é inegável que a carreira segue bem remunerada. Salários altos e contratos sólidos mostram eficiência na negociação. O problema está na gestão esportiva da trajetória.

O excesso de transferências, a falta de continuidade e a escolha de ambientes pouco aderentes ao seu perfil evidenciam uma condução de carreira ruim, sem um projeto claro, contínuo e coerente. Cada acordo pode até parecer bom isoladamente, mas, juntos, não constroem uma estratégia.

Após passagem relâmpago na Rússia, Gerson é contratado pelo Cruzeiro - Divulgação/Instagram

Após passagem relâmpago na Rússia, Gerson é contratado pelo Cruzeiro – Divulgação/Instagram

No mundo corporativo, aceitar uma proposta com salário maior, mas sem perspectiva de crescimento, exposição ou poder de decisão, costuma ser visto como um erro de carreira. No futebol, o impacto é ainda mais severo. O tempo é curto e o desempenho define valor. Um ambiente onde o atleta não rende ou não se adapta corrói algo que o dinheiro não recompõe: confiança, visibilidade e relevância competitiva, processo semelhante ao de executivos que veem sua influência e valor interno diminuírem ao longo do tempo.