A Copa Libertadores Feminina começa nesta quinta-feira, 15, em Quito, no Equador, com o futebol brasileiro mais uma vez colocado como principal potência da modalidade no continente. A rodada inaugural marca as estreias de Corinthians e Palmeiras hoje, diante de Colo-Colo e Universitario, respectivamente. Na sexta-feira, 16, é a vez do Cruzeiro entrar em campo pela primeira vez na história da competição para encarar o anfitrião Independiente del Valle. Em disputa, além da taça, está a preservação de um domínio expressivo: os representantes do Brasil ergueram o troféu em 13 das 17 edições realizadas pela Conmebol.
Distribuídas entre os estádios Rodrigo Paz Delgado e Banco Guayaquil, 16 equipes divididas em quatro grupos disputam o título em formato de tiro curto. Os dois melhores de cada chave avançam diretamente às quartas de final, que abrem o mata-mata em confrontos únicos até a decisão. Para os clubes do país, a ambição passa por objetivos distintos. Enquanto o Corinthians tenta alcançar um inédito heptacampeonato sob nova liderança técnica e o Palmeiras busca o bicampeonato para reeditar a taça de 2022, o estreante Cruzeiro foca em superar a fase inicial logo em seu debute internacional.
Para entender a dimensão dessa soberania verde e amarela na América do Sul, vale revisitar a trajetória e os feitos de cada uma das cinco equipes brasileiras que já ergueram o troféu continental.
Santos: o pioneirismo das Sereias da Vila

As Sereias da Vila venceram a primeira edição do torneio – Foto: Bruno Miani / ZDL
O Santos foi a pedra fundamental do domínio brasileiro na Libertadores Feminina ao vencer as duas primeiras edições da história, em 2009 e 2010. Na época, o clube da Baixada Santista montou um verdadeiro esquadrão galáctico com apoio de patrocínios pioneiros, reunindo estrelas consolidadas da seleção como Marta, Cristiane, Maurine, Aline Pellegrino e Érika. Em 2009, o título veio com uma goleada avassaladora por 9 a 0 sobre o Universidad Autónoma na decisão; no ano seguinte, o bicampeonato invicto foi confirmado diante do Everton, do Chile. Mais do que troféus, as campanhas das Sereias da Vila deram visibilidade e credibilidade imediatas ao torneio da Conmebol, estabelecendo um padrão técnico que demoraria anos para ser alcançado pelos rivais sul-americanos.
São José: a dinastia do Vale do Paraíba

Jogadoras do São José comemoram tricampeonato da Libertadores – Foto: Acervo Museus de Esportes SJC
Entre 2011 e 2014, o São José Esporte Clube construiu um dos ciclos mais vitoriosos e hegemônicos de toda a história do futebol feminino do continente. Apoiado em uma gestão pública municipal profissionalizada e no comando técnico de Márcio de Oliveira, o time do Vale do Paraíba reuniu referências como Formiga, Francielle, Debinha, Chu e Bagé. O tricampeonato continental — conquistado em 2011 contra o Colo-Colo, em 2013 diante do Formas Íntimas e em 2014 superando o Caracas — foi marcado por uma disciplina tática implacável e forte imposição física. O auge dessa geração viria no encerramento de 2014, quando o São José foi ao Japão e conquistou o Mundial de Clubes (o extinto Torneio Internacional de Clubes da Fifa) ao derrotar o Arsenal por 2 a 0, colocando o futebol brasileiro no topo do planeta.
Ferroviária: força e tradição grená

Guerreira Grenás comemoram bicampeonato da Libertadores – Foto: Divulgação/Conmebol
A Ferroviária consolidou sua vocação para torneios eliminatórios de tiro curto faturando dois títulos em circunstâncias emblemáticas: em 2015, em Medellín, e em 2020 (disputada no início de 2021), em Buenos Aires. O primeiro título continental das Guerreiras Grenás veio com uma vitória segura por 3 a 1 sobre o tradicional Colo-Colo. Já a segunda conquista transformou-se em uma epopeia: após flertar com a eliminação precoce na fase de grupos, a equipe de Araraquara, comandada por Lindsay Camila, cresceu no mata-mata, superou gigantes com enorme poder de resiliência e bateu o América de Cali na final por 2 a 1. O clube do interior paulista construiu sua tradição na competição combinando trabalho de base formador, forte identidade regional e precisão em momentos decisivos.
Palmeiras: afirmação e taça em solo equatoriano

Palestrinas alcançaram a glória eterna na primeira tentativa – Foto: Divulgação/Conmebol
O Palmeiras colocou seu nome na seleta lista de campeões continentais em 2022, justamente na altitude de Quito, sede da atual edição do torneio. Em sua primeira participação na história da Libertadores Feminina, a equipe alviverde protagonizou uma campanha invicta e de alto volume ofensivo, coroada com uma vitória categórica por 4 a 1 sobre o Boca Juniors na grande decisão no estádio Rodrigo Paz Delgado. Sob o comando de Ricardo Belli e impulsionado por atuações decisivas de nomes como Bia Zaneratto, Ary Borges, Poliana e Byanca Brasil, o título consagrou a reestruturação do departamento feminino palmeirense, alçando o clube ao primeiro escalão da modalidade na América do Sul e servindo de passaporte para decisões continentais consecutivas.
Corinthians: a maior hegemonia da história do torneio

As Brabas são as atuais campeãs do torneio – Foto: Divulgação/Conmebol
Recordista absoluto da competição, o Corinthians transformou a Libertadores Feminina em um território quase particular, somando seis conquistas: 2017 (em parceria com o Audax), 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025. O projeto das Brabas, estruturado sob a vitoriosa era de Arthur Elias e continuado com títulos nas temporadas seguintes, uniu orçamento de ponta, estabilidade de elenco e mentalidade competitiva rara. Com figuras históricas como Tamires, Gabi Zanotti, Vic Albuquerque, Grazi e Lelê, o clube alvinegro construiu sua supremacia por meio de futebol impositivo, posse de bola sufocante e capacidade de vencer decisões contra os mais variados estilos de jogo — com vitórias sobre Colo-Colo, Ferroviária, Independiente Santa Fe (duas vezes) e Deportivo Cali nas finais.










