O histórico de tensões entre Estados Unidos e Irã vive um de seus capítulos mais sangrentos desde o último sábado, 28, quando ataques coordenados pelos americanos junto a Israel mataram o aiatolá Ali Khamenei. A retaliação iraniana atingiu outros países do Oriente Médio e a escalada do terror pode afetar a Copa do Mundo de 2026, que terá os EUA como uma das sedes e o Irã entre os 48 participantes.

As chances de o Irã não participar do Mundial vem sendo cada vez mais discutidas, algo que o presidente Donald Trump disse “não se importar.”  animosidade entre os países remonta do fim da década de 70 com a chamada Revolução Islâmica e viveu alguns momentos de abrandamento. Uma trégua bastante recordada aconteceu no cenário esportivo: durante a Copa do Mundo de 1998, os times trocaram mimos e entraram abraçados em uma mensagem de paz.

Como surgiu a tensão EUA x Irã

Em 1979, a Revolução Islâmica ou Iraniana depôs o Xá Reza Pahlevi e instaurou o regime dos aiatolás. Pahlevi foi asilado nos Estados Unidos, que passou a ser tratado por Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, como “O Grande Satã”. Pouco depois, a embaixada americana em Teerã, capital do país asiático, foi invadida por militantes iranianos que mantiveram mais de 50 cidadãos americanos reféns por 14 meses.

A tensão cresceu ainda mais em 1980 com o apoio dos Estados Unidos à invasão do Iraque, liderada por Saddam Hussein, ao Irã, em guerra que durou até 1988. O futebol era alvo de repressão no território persa e foi relacionado pela primeira vez ao conflito em 1984, quando Habib Khabiri, então capitão da seleção iraniana, foi torturado e morto pelo regime local, acusado de ligações com os Estados Unidos.

O Jogo da Paz em 1998

Times de Irã e Estados Unidos se uniram antes da partida pela Copa do Mundo de 1998 -

Times de Irã e Estados Unidos se uniram antes da partida pela Copa do Mundo de 1998 – Getty Images

Neste contexto, numa época em que o então empresário Donald Trump começava a ressurgir financeiramente e ganhar fama após anos de apostas falidas, as duas seleções se encontraram naquele 21 de junho de 1998, em Lyon, na França, em evento que contou com segurança reforçada.

Houve um esforço da Fifa para que o duelo representasse uma mensagem de tolerância. O governo do Irã chegou a pedir que seus atletas nem sequer cumprimentassem os americanos, mas o que se viu foi uma imagem histórica: os asiáticos ofereceram flores aos americanos e as equipes posaram juntas para fotos. 

A bola rolou normalmente e o Irã conseguiu sua primeira vitória em Copas do Mundo por 2 a 1, com gols de Hamid Estili e Medhi Mahdavikia. Brian McBride descontou para os americanos. Os dois times acabariam eliminados na primeira fase do Grupo F, atrás de Alemanha e Iugoslávia.

As tensões políticas se mantiveram. Três anos depois, na esteira do atentado de 11 de setembro de 2001, o presidente americano George W. Bush classificou o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte como “Eixo do Mal”. Na última década, acordos nucleares tem sido o principal motivo dos conflitos.

As seleções voltaram a se encontrar na Copa do Mundo do Catar em 2022. Desta vez, os EUA venceram por 1 a 0, resultado que ajudou o time a se classificar em segundo no grupo B, à frente justamente do terceiro colocado Irã. O jogo transcorreu sem maiores polêmicas, nem gestos tão efusivos de trégua.

Weston McKennie comemora gol dos Estados Unidos contra o Irã na Copa do Mundo -

Weston McKennie comemora gol dos Estados Unidos contra o Irã na Copa do Mundo –